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Educação: nomeação de novo ministro

02:00 | 10/04/2019

Depois de três meses de intensa crise no Ministério da Educação, o governo anuncia um novo titular da pasta em substituição ao colombiano Ricardo Vélez Rodríguez. Trata-se de Abraham Weintraub, economista do mercado financeiro, sem histórico de atuação na área educacional e que já trabalha para o governo em outro setor. A escolha parece expressar a determinação de se insistir na mesma linha que foi tentada pelo antecessor.

Seria a crise apenas devida a uma questão técnico-gerencial? Se for, a nomeação embute uma dúvida: o novo ministro além de jejuno no métier, não tem experiência em Gestão Pública. Item que especialistas consideram fundamental para lidar com a máquina pública em área tão complexa. Ainda mais no contexto de um mundo marcado pela revolução do conhecimento e pela luta em favor da manutenção e ampliação das liberdades.

O mais importante, contudo, é que o novo titular apresente logo sua proposta de trabalho para que a sociedade possa se debruçar sobre ela e verificar se realmente atende a seus anseios, expectativas e reais necessidades. Para o Ceará, por exemplo, essa definição é necessária para dar continuidade a projetos que estão em andamento na área da educação e que lhe têm dado destaque nacional.

Infelizmente, algumas declarações atribuídas ao novo ministro não parecem apontar em direção à formatação da sinergia requerida por desafio de tamanho porte, supostamente só possível de ser superado por uma unidade de ação e de propósitos capazes de mobilizar a Nação inteira. Sua concitação a uma guerra cultural tangida pela ideologia, sob o pretexto de combater um suposto "marxismo cultural", defender a polêmica "Escola sem Partido" e "revisionismo histórico" são exemplos que poderiam depor contra a desejada unidade de esforços por um projeto comum, pois ajudaria a ampliar a divisão da sociedade.

Por outro lado, o Nordeste não se sentiria contemplado se o seu projeto educacional se restringisse a formar, na região, quadros para a agricultura do semiárido, sob a orientação de Israel, e a produzir mão de obra para o comércio e serviços, como deixou entrever o ministro em suas primeiras explanações. Tal como deve ser a orientação para o Brasil inteiro, os nordestinos querem servir a um projeto educacional que esteja correlacionado com o projeto de uma Nação ciente de suas potencialidades reais, para assim, traçar um caminho de desenvolvimento autônomo, como lhe permite suas riquezas potenciais, e sua dimensão territorial e populacional. Um País que pretenda usar seus cérebros para esse intento e não ser apenas um passivo consumidor do progresso científico de outras nações e um peão de geopolíticas alheias. Ou seja: possa pensar com a própria cabeça.