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Mineradora contamina rio Poti

02:00 | 07/04/2019

Os desastres ambientais e humanos, como o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, fizeram com que a sociedade tomasse conhecimento do quão frágil é a fiscalização das empresas de mineração que atuam no País. Observou-se ainda que o perigo existe em vários lugares onde as mineradoras atuam, incluindo o Ceará.

Em reportagem na edição de quarta-feira (3/4/2019), o repórter Demitri Túlio revelou que o rio Poti vem sendo contaminado com rejeitos de minério de ferro da empresa Globest Participações Ltda, propriedade de empresários chineses, ingleses e brasileiros. O problema se inicia em Quiterianópolis (CE), onde está a nascente do rio Poti, à sua foz, na cidade de Parnaíba (PI). No percurso de 538 km, o rio atravessa 24 municípios nos dois estados. Além disso, comunidades vizinhas ao local de mineração, padecem com a contaminação de suas terras e sofrem de problemas de saúde, decorrentes da atividade.

O mais grave é que a Globest acumula 14 flagrantes de crimes ambientais registrados pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), tendo as licenças de funcionamento suspensas em 2016 e, mesmo assim, voltou a operar em 2017. Normalmente, essas empresas se instalam assegurando que a inevitável agressão ao meio ambiente será minimizada com o uso de tecnologias e outros cuidados técnicos. Os governantes, por sua vez, interessados no investimento, oferecem facilidades para a instalação do negócio, que promete gerar empregos. No caso da Globest, o governo do Ceará concedeu "diferimento (redução) de ICMS" na aquisição de equipamentos para compor o ativo do empreendimento, como levantou a reportagem, sem conseguir descobrir o percentual de desconto concedido.

Se é legítimo que os governos tenham políticas para incentivar a atividade econômica, isso não pode se antepor à necessidade de preservar o meio ambiente e, principalmente, proteger a saúde e a integridade das pessoas. Se não for assim, um provável benefício no presente, pode cobrar um preço bem mais alto no futuro, tanto materialmente como em vidas humanas.