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As mulheres e a igualdade de direitos

05:00 | 08/03/2019

O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é bastante propício para lembrar que, daqui a uma semana, no dia 14, completa-se um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e de seu motorista Anderson Gomes, sem que a polícia tenha chegado aos executores ou aos mandantes de um crime que chocou o Brasil, com repercussão no mundo inteiro. A vereadora era um dos símbolos do empoderamento feminino, que vem adquirindo a mulher brasileira, em duras contendas. Negra, homossexual e pobre, "cria da favela", como se definia, tornou-se socióloga, e ascendeu na política, sem esquecer suas origens, dedicando seu mandato aos segmentos marginalizados da população, especialmente às lutas feministas, e à defesa dos direitos humanos. "Lugar de mulher é onde ela quiser", costumava repetir em suas falas.

Marielle representava uma nova geração de feministas, herdeiras de lutas passadas, como a conquista do voto na década de 1930, e contemporânea da criação das delegacias especializadas no atendimento à mulher; da aprovação da lei Maria da Penha; da tipificação do feminicídio e da lei contra o assédio e a importunação sexual. É uma geração que resolveu assumir a direção de sua própria vida, sentindo-se livre para fazer suas escolhas, sem ter de prestar contas a costumes superados ou a superar.

Mas é claro que existem difíceis tarefas pela frente, pois os avanços não se dão em linha reta. Mulheres são minoria na política e nos cargos de direção das empresas; ainda recebem salários menores do que os homens em funções semelhantes. Continuam sofrendo com a violência doméstica, estupros, assassinatos e feminicídio, violências que ainda se abatem sobre elas com frequência assustadora.

A pesquisa "Visível e Invisível - A vitimização de Mulheres no Brasil" realizada pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública apresenta dados de 2018 da violência contra a mulher. A cada 7 segundos uma mulher é agredida no Brasil. 76,4% das mulheres que sofreram violência afirmam que o agressor era alguém conhecido. 42% sofreram violência em casa. 10,3% procuraram uma delegacia da mulher e 52% não fez nada. Os problemas a serem superados não elidem as vitórias obtidas pelas mulheres, que continuam na batalha, inspiradas por exemplos como o de Marielle, homenageada pela Mangueira - campeã do carnaval do Rio - e também lembrada em blocos de rua em todo o Brasil.

A propósito, o dia 8 de março não é uma comemoração comercial, dia de se dar flores às mulheres ou "parabenizá-las" pela data. O Dia Internacional é um marco para lembrar a longa luta das mulheres pela conquista da igualdade de direitos. n