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Desemprego e desalento sobem ainda mais

12:16 | 30/03/2019

No momento em que o governo federal se entrega a um novo conflito político gratuito, na área dos direitos humanos, com a tentativa temerária de pôr em causa os direitos dos anistiados, vítimas do regime ditatorial (é até coerente: afinal o governo não reconhece ter havido ditadura), as manchetes dos jornais falam de um problema mais imediato que os brasileiros gostariam de ver Brasília concentrada nele: a taxa de desemprego no Brasil, que fechou em 12,4% nos três meses até fevereiro, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Resultado que indica um percentual acima dos 11,6% registrados nos três meses até novembro. O sufoco é total, na sociedade e no mundo dos negócios.

O bom senso diz que essa deveria ser a batalha a consumir as energias concentradas do governo e não os moinhos de vento. Contudo, três meses depois da posse, o País sente uma letargia cada vez mais paquidérmica a esse respeito, por parte do Planalto. Não dá para avisar que o alarme da apreensão já toma de assalto o País inteiro? Ou seja, os números divulgados ontem ao invés de indicarem à primeira leva de empregos criados representam, ao contrário, a entrada de mais 892 mil pessoas na condição de desocupados, perfazendo um total de 13,1 milhões de trabalhadores em tal situação no País. Frustra-se, assim, a expectativa de que o emprego fosse subir, atendendo ao registro histórico de crescimento verificado em começos de ano.

São Paulo, a cidade mais rica do País, tomou um susto esta semana ao se deparar com uma fila gigantesca no Anhangabaú em busca de emprego. São pais de família prestes a entrar no desalento total por conta dessa frustração cada vez mais dolorido, que está levando muitos ao desespero. Só os bancos registram ganhos espantosos. E não é surpresa isso: tudo pavimenta seu caminho.

É preciso pensar no capital produtivo - já basta a gordura do capital financeiro - sem emprego não há demanda, sem esta não há produção, a máquina não gira. O Pnad verificou isso, estatisticamente: o Brasil tinha 4,855 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em fevereiro. Se comparado ao mesmo período de um ano atrás, mais 275 mil vieram se juntar a esse contingente. Isso é gente que estava fora do mercado por não conseguir trabalho, ou não ter experiência, ou por ser muito jovem ou idoso, ou não ter encontrado trabalho na localidade. Desistiram. Talvez não tivessem mais nem sequer dinheiro para comprar passagem para se deslocar em busca de serviço. Alguém imagina o que pode vir depois disso? Não é prudente esperar no que vai dar. Brasília parece, no entanto, que quer pagar para ver. É uma loucura quando comparado aos 20 milhões de empregos criados há pouquíssimos anos.