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A CIDADE DAS ÁRVORES

09:33 | 10/03/2019

Diante do risco de morte de mais árvores em Fortaleza;

Diante da redução acelerada das quase inexistentes sombras nas calçadas e nos canteiros centrais;

Diante do cemitério de tocos em centenas de esquinas;

Diante do anúncio milhares de árvores plantadas, mas sem a certeza de que vingarão;

Diante de um programa de "compensação ambiental" questionável;

Diante da localização geográfica do Ceará, cravado na região mais semiárida do Brasil;

Diante do desaparecimento de biomas urbanos, da Caatinga e de várias espécies da fauna e da flora;

Diante da insustentável relação entre quem não tem compreensão do que representa este ser vivo para a Terra e as implicações com o aquecimento global:

A partir de hoje, me autodeclaro secretário especial do Meio Ambiente Sustentável para Fortaleza.

Em conversa com o autoproclamado presidente José de Abreu, que havia me sondado para ministro do Meio Ambiente - porque a situação nacional também não está fácil para florestas, para índios, quilombolas e para comunidades destroçadas por mineradoras -, decidi primeiro quebrar a cabeça aqui para tentar coletivamente reverter a matança de árvores na capital cearense.

Sei da existência de nomes mais gabaritados do que o meu. Eudoro Santana, Beatriz, Bilica, Jeovah Meireles, Herbert Lobo, João Alfredo, Gentil Barreira, Antônio Sérgio, Leonardo Jales, professor Miranda, Sofia Ximenes, Gabriel Aguiar... E, por isso, comprometo-me a renunciar caso queiram assumir a secretaria especial do Meio Ambiente Sustentável. Por autoproclamação, claro, afinal o Planalto apoia esse instrumento.

Meu primeiro ato será suspender toda e qualquer "ordem de supressão" de árvores em Fortaleza até que se analise se vale à pena, mesmo, sacrificá-las. E procurar alternativa.

Serão proibidas as construções civis, as obras viárias e os empreendimentos geradores de riquezas na Cidade? Não. Mas os critérios, além da geração digna de trabalho e urbanidade, levarão em conta também o impacto ambiental causado pela eliminação, por exemplo, de mais de 50 árvores. Caso da Beira Mar.

Quais as consequência ambientais sentidas depois da derrubada de um bosque de cajueiros, mangueiras, coqueiros na equina da Santos Dumont com Virgílio Távora?

Um cemitério de árvores exterminadas, com autorização do Poder Municipal, durante um Carnaval de 2011. Foi calculado o prejuízo por causa da ausência daquele ecossistema já consolidado?

Qual a quantidade de CO2 que se deixou de capturar? E a tal "compensação"? Onde estão e em que estado de sobrevivência se encontram as árvores que seriam plantadas?

E na Rui Barbosa, no terreno onde funcionava o restaurante Parque Recreio? Qual a impossibilidade de conviverem, em um mesmo espaço, árvores e o supermercado Frangolândia?

O que representa para a redução do aquecimento global derrubarem centenas de árvores consolidadas e plantarem mudas que não se sabe se vingarão?

Sem mais delongas, por enquanto, fica decretado:

Toda árvore terá direito a uma vida digna em Fortaleza;

Terá direito a crescer na Cidade e, se for de flores, se encher de cores, frutos e espalhar sementes;

Poderá abrigar quantos ninhos durar a vida, ser lugar de beijos e balançar infâncias.

E nenhuma árvore, doravante, será ameaçada de remoção ou de ser morta e esquartejada no lugar onde rebentou...

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