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Entre o fantástico e o enigmático, Call of the Sea tanto confunde, quanto agrada

08:31 | 09/12/2020
Call of the Sea é um game de aventura e investigação em primeira pessoa. (Foto: Divulgação)
Call of the Sea é um game de aventura e investigação em primeira pessoa. (Foto: Divulgação)

Qualquer material promocional visto do game deixaria claro o quanto Call of the Sea se inspira em obras de autores como Stephen King ou H.P. Lovecraft. Ao jogá-lo contudo, tal clareza se perde um pouco e dá lugar a uma certa agradável confusão. Em uma mescla de terror, mistério e romance, é um jogo difuso, mas que, no fim, pode agradar.


Call of the Sea é um game de aventura e investigação em primeira pessoa. No ano de 1934, Norah Everhart parte em uma jornada pelas ilhas do Polinésia em busca de seu marido desaparecido. Tendo que lidar com uma doença misteriosa que a aflige, Norah refaz os passos de se amado e tenta encontrá-lo ao mesmo tempo que, aos poucos, desvenda os mistérios por trás de uma ilha aparentemente deserta e selvagem.


A dinâmica básica do game é a exploração e a descoberta de pistas espalhadas pelos ambientes do game e que ajudam a protagonista a resolver quebra-cabeças presentes na ilha e que impedem seu progresso. A cada passo dado, novas informações são aderidas a um enredo envolvente, um pouco clichê, mas que, no fim, consegue manter os jogadores interessados em sua narrativa do começo até o fim.


Aos que lêem a palavra “quebra-cabeças” e remetem a games desafiadores do gênero, como The Witness, este não é o jogo para você. Ao passo que as pistas de cada quebra-cabeça vão sendo encontradas, o próprio jogo já as integra à interface de cada puzzle, tornando-os facilmente resolvíveis. O desafio, então, apenas surge se o jogador fizer um esforço consciente de não explorar o game. Não há um meio termo infelizmente e, por vezes, um enigma que parecia sem solução se torna praticamente inválido ao se encontrar uma pista que simplesmente traz consigo a resposta.


É nesse ponto que o game mais se perde em não deixar claro para qual tipo de jogador ele foi criado. Em suma, Call of the Sea é um título ideal para amantes de boas narrativas e que estão interessados em games um mais desafiadores… mas nem tanto. Apesar disso, da metade até o final, o nível de dificuldade de alguns mistérios aumenta bastante e alguns puzzles, mesmo com todas as pistas coletadas, ainda exigem muito intelecto e poder de dedução para serem resolvidos.


Jogos de quebra-cabeça têm sempre a difícil missão de balancear dificuldade e gratificação a todo momento e são raros aqueles que conseguem manter tal balanço harmoniosamente durante toda a sua jogatina. Apesar de pecar nesse aspecto, os desafios finais de Call of the Sea são fantásticos e valem os momentos de morosidade e o nível de dificuldade desbalanceado do jogo em alguns momentos.


O game traz excelentes valores de produção, sendo tanto bonito de se ver quanto agradável de se ouvir. Os sons da natureza presentes na ilha são imersivos e junto dos visuais coloridos e vibrantes, fazem a jogatina inteira ser uma viagem agradável. Sua narrativa é sólida e evolui de maneira interessante. Sim, há reviravoltas e momentos fantásticos, apesar do game demorar um pouco para engatar a manivela do  surrealismo e do onirismo. Há momentos fantásticos e de puro deleite, bem como algumas pontas soltas e furos no roteiro, mas que são mitigados pelo conjunto da obra.


A jornada oferecida pelo game é super curta, mas bastante polida e bem feita, especialmente ao ser esta a primeira investida de seu estúdio de desenvolvimento no mercado. Com cerca de 5 horas totais de gameplay, é o jogo ideal para um final de semana. Precificado abaixo da linha dos R$100,00 é também uma oferta acessível e interessante. Ademais, o título estará disponível para download no catálogo do serviço de assinatura Xbox Game Pass sem custos adicionais.

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