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A hora da aventura da Sony

Sackboy mostra que a Sony também manda bem com jogos para toda a família

17:54 | 14/11/2020
Apesar de não ser possível criar fases em Sackboy, isso não significa que os desenvolvedores esqueceram do pedigree criativo da série (Foto: Divulgação)
Apesar de não ser possível criar fases em Sackboy, isso não significa que os desenvolvedores esqueceram do pedigree criativo da série (Foto: Divulgação)

A franquia LittleBigPlanet é uma das mais icônicas da história da marca Playstation, mas ela sempre foi muito mais conhecida pelas ferramentas criativas, que permitiam o mais inexperiente dos jogadores criarem fases divertidas, do que por sua jogabilidade em si. O anúncio de Sackbou: Uma Aventura Gigante foi recebido com um pouco de ceticismo, já que a franquia antes conhecida pela liberdade de edição mudaria de ares, virando um jogo de plataforma tradicional, com fases lineares pré-prontas, e uma história a seguir.

Há uma vantagem nessa decisão: pela primeira vez desde o primeiro LittleBigPlanet, o foco do jogo está em seu protagonista, o adorável Sackboy, um bonequinho de tecido quase impossível de odiar. Ele é o herói da vez, tendo de salvar o povo de seu vilarejo das garras do vilão Vex, que os escravizou, forçando-os a construir uma máquina maligna. Um roteiro simples, fácil de entender, e intencionalmente raso. Sackboy não está aqui para ser uma história épica como outros jogos da Sony. Ele está aqui para agradar um público que é frequentemente ignorado pelos jogos AAA da companhia: famílias.

A acessibilidade é a maior prioridade de Sackboy. Este é um jogo bem fácil, que utiliza poucos botões do controle. Você pula, ataca inimigos, e agarra determinadas superfícies. Isso é tudo que você pode fazer. A simplicidade dos controles, assim como o design das fases, vai facilmente lembrar dos jogos de Mario lançados na década passada, sobretudo Super Mario 3D Land, de 3DS, e Super Mario 3D World, de Wii U.

Em alguns momentos, a jogabilidade 3D é trocada por algumas fases mais simples em 2D, que remetem às origens mais simples dos jogos anteriores da franquia. As fases não são longas, mas isso não quer dizer que elas não possuem segredos e passagens secretas para o jogador desvendar. Cada fase tem um número determinado de itens-chave que servem como o ingresso para “comprar” a entrada de fases subsequentes. Você sempre vai conseguir encontrar o mínimo necessário se andar de forma linear jogo afora, mas se quiser completar 100% Sackboy, vai ter de passar pente fino em cada fase. Isso significa que a baixa dificuldade para chegar até o fim de cada fase agradará crianças, enquanto a quantidade gigantesca de segredos agradará jogadores mais experientes.

Apesar de não ser possível criar fases em Sackboy, isso não significa que os desenvolvedores esqueceram do pedigree criativo da série. O foco aqui é criar fantasias divertidas para o seu protagonista, seja comprando em algumas lojas espalhadas pelos cinco mundos disponíveis no jogo, seja encontrando peças de vestuário escondidas em todas as fases. Não é exatamente algo tão complexo ou variado como o editor dos antigos LittleBigPlanet, mas é um incentivo extra para o jogador explorar cada fase com mais cautela. Sem falar no quão adoráveis são as fantasias! 

Apesar de ser um título de lançamento do novo Playstation 5, Sackboy foi testado em um Playstation 4, e ainda assim surpreendeu com sua apresentação. Os jogos LittleBigPlanet sempre foram premiados por seus lindos gráficos, com impressionantes efeitos de luz e profundidade, e não é diferente aqui. Mesmo em um console que há tempos mostra seus sinais de idade, os visuais continuam sendo impressionantes. A taxa de frames manteve-se alta em todos os momentos, mesmo quando a tela estava cheia de inimigos e esferas para coletar.

O jogo foi feito para parecer uma aventura criada pela imaginação de uma criança, com ambientes feitos de materiais de construção, e as texturas do jogo definitivamente não decepcionaram. Uma superfície de papelão realmente parecer ser feita de papelão. O seu personagem principal realmente parece que foi feito com um novelo de lã costurado por uma avozinha.

O departamento de som também não decepciona. A trilha de Sackboy é alegre e icônica, com músicas que combinam perfeitamente com cada ambiente. Como ocorrido em outros jogos da série, os desenvolvedores contrataram talentos britânicos para dublarem seus personagens. O ator mais famoso presente no jogo é Richard E. Grant (Logan, Star Wars: A Ascensão Skywalker), que dá voz ao vilão Vex. O jogo também possui legendas e vozes em português brasileiro.

Se há um problema presente nesta versão de PS4 de Sackboy, esse problema é, sem sombra de dúvidas, o longo tempo de carregamento entre fases. Este é um jogo que ocupa bastante espaço no HD do PS4, com texturas pesadas, e com isso, cada fase leva um tempo considerável para ser carregada. Com o advento da tecnologia SSD no Playstation 5, é de imaginar que o tempo de carregamento seja drasticamente menor que o da versão de PS4, tornando a experiência muito mais fluida e agradável. Sackboy: Uma Aventura Gigante não está no mesmo nível de outros exclusivos da Sony, e nem tenta se comparar àqueles gigantes. É um jogo simples, fácil, colorido e amigável, com uma quantidade surpreendente de conteúdo, e principalmente, charme. 

Não foi feito para ser um blockbuster para demonstrar o poderio de processamento de um console, tampouco para nos surpreender com uma história complexa. Foi feito, pura e simplesmente, para divertir. O jogo é a prova concreta que, apesar de ser conhecida por jogos sérios e maduros, a Sony também sabe agradar com experiências para toda a família.

Sackboy: Uma Aventura Gigante estará disponível exclusivamente o PS4 e PS5 a partir de 12 de novembro.