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Review de Final Fantasy 7 Remake

00:40 | 17/04/2020
Final Fantasy 7 Remake
Final Fantasy 7 Remake

Para muitos gamers na casa dos 20 ou 30 anos, a série Final Fantasy definiu a era dos games de RPG que durou dos 90 até o começo dos anos 2000.

O sétimo Final Fantasy, junto de Metal Gear Solid, Ace Combat e Winning Eleven, foi um título que marcou a infância de muitos que jogaram videogame durante a geração do primeiro Playstation. Os motivos para tal são vários, mas, essencialmente, Final Fantasy 7 foi o primeiro a mudar radicalmente o estilo visual e levar a sua série ao mundo dos jogos com gráficos em três dimensões. Ensaios já tinham sido feitos em títulos anteriores, mas FF7 o que de fato redefiniu a percepção do público sobre a qualidade dos RPGs desenvolvidos no Japão e o responsável em colocar o nome de seu estúdio, a Squaresoft (atual Square Enix) no mapa de maneira definitiva.

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Sendo assim, Final Fantasy 7 tornou-se um legado para a empresa japonesa que o criou. Ela se aproveitou disso e lançou diversos spin-offs, como o game Dirge of Cerberus - para o Playstation 2 - bem como mangás e até um filme baseado no jogo original. Após testar a paciência dos fãs por mais de 20 anos, em meados de 2015 foi anunciada a recriação do game do zero, com gráficos e mecânicas atualizadas e modernizações no enredo. Cinco anos depois, Final Fantasy 7 Remake é uma realidade e, para a felicidade de diversos fãs, é um título que honra o passado, sem ficar preso a ele.

Assim como o original, este é um jogo single-player que se passa em um mundo onde a energia vital do planeta é utilizada para fins industriais e um grupo de rebeldes tenta livrar a Terra da ganância desta corporação. Apesar da proposta grandiosa, o game gira em torno de um elenco pequeno, inicialmente. O destemido e misterioso Cloud Strife se une ao grupo Avalanche, formado por Barret, Tifa, Jesse, Biggs e Wedge, rebeldes que vivem no submundo da poderosa cidade de Midgard, controlada pela corporação Shinra, responsável pela exploração dos recursos naturais do mundo.

A história do jogo é tanto familiar quanto diferente. Por ter sido escrita originalmente há mais de duas décadas, mesmo com algumas modernizações, não deixa de ser um pouco clichê, apesar de ainda relevante aos dias atuais. Ainda sim, pelo carisma de cada personagem e pelos acontecimentos imprevistos ao longo do caminho, essa é uma jornada que, ainda hoje, inova e impressiona quem a percorre.

Mesmo com mais de 30 horas de conteúdo jogável, Final Fantasy 7 Remake conta apenas uma pequena parte do jogo original. Dado o alto nível de qualidade visual e uma tentativa de destrinchar ainda mais as relações entre cada personagem apresentado, gamers que embarcarem nesta aventura só verão seu final daqui a muitos jogos. Mesmo assim, o jogo garante um final satisfatório a este primeiro capítulo.

A equipe de desenvolvimento do jogo tomou liberdades inesperadas e bem interessantes com a narrativa de FF7 Remake. Sem dar spoilers, novos personagens surgem e outros são apresentados muito antes do que no original. A maioria destas liberdades criativas, de certo modo, deram certo. São raros os momentos de incerteza sobre as mudanças aqui feitas. Tudo que é mexido é feito com o claro intento de melhorar a contação da história ou torná-la mais acessível a um público que irá conhecer o mundo de FF7 pela primeira vez nesta edição.

Contudo, como nada é perfeito, é fácil identificar algumas mudanças feitas para criar a ilusão de um jogo tão grande quanto a sua matéria-prima. Algumas das missões secundárias foram criadas de modo a “arrastar” a narrativa mais do que o necessário, mas são inteiramente optativas.

Além do enredo, a jogabilidade do game foi refeita e talvez tenha trazido ao público a solução para um problema que há tempos os desenvolvedores de jogos da franquia Final Fantasy não conseguiam resolver: a dinâmica de combate.

Atendendo às demandas dos gamers atuais, jogos de RPG vêm enfrentando o desafio de saírem do sistema de combate por turnos em direção a algo mais orientado à ação em tempo real. O resultado até então eram jogos que a cada nova edição, tentavam algo diferente, jamais satisfazendo inteiramente os novos jogadores, tampouco os fãs antigos do gênero. Final Fantasy 7 Remake, contudo, pode ter encontrado a solução deste impasse.

Seu sistema de batalha é dinâmico, mas traz também a possibilidade de atrasar o curso do tempo de uma luta enquanto escolhas mais táticas, como magias ou habilidades específicas, são feitas. É algo similar ao estilo bullet-time de ação, trazido nos cinemas pelo filme Matrix, de 1999.

O jogador controla um personagem por vez em cada batalha, sendo acompanhado de outros dois membros, controlados pelo computador. A qualquer momento, ele pode tomar controle dos outros avatares, para escolher ataques específicos, que podem combinar com outros lançados pelos outros lutadores durante o embate. É um sistema rápido e caótico, mas que pode, ao toque de um botão, tornar-se mais maleável e acessível. O que não significa dizer que esse é um game fácil. A curva de dificuldade dele cresce bastante perto do fim. Felizmente, a dificuldade do game pode ser ajustada a qualquer momento no menu de opções.

O sistema de progressão dos personagens é robusto. Seu pilar principal são as orbes de energia, chamadas de matéria. Cada matéria traz um atributo específico que pode ser equipado em qualquer arma ou acessório que um membro do time esteja usando. Dessa maneira, há várias opções para deixar cada personagem refletindo o estilo de jogo do player ou para melhor se adequar a uma luta contra inimigos com fraquezas específicas, que podem ser exploradas com o uso correto das diferentes matérias existentes no game.

Final Fantasy 7 Remake é a melhor versão do sétimo título da franquia e atualmente é um dos melhores Final Fantasy de todos os tempos. Apesar de algumas escolhas duvidosas, a maioria do que está presente nesse pacote tanto honra quanto enaltece o que é, ainda hoje, um dos maiores RPGs dos videogames. Sua maior qualidade é conseguir dar um esplendoroso pontapé inicial a um projeto que a Square Enix irá concluir depois de vários outros lançamentos.

Davi Rocha