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Consumo reduz depois que o motor "amacia". Será?

01:30 | 30/04/2020

Dedo - Em estradas com tráfego intenso de caminhões, é comum os automóveis terem o parabrisa trincado por pedras arremetidas por veículos à frente. Dica (que não procede): colocar o dedo no centro do parabrisa, criando resistência ao impacto da pedra...

Consumo - Dono de carro novinho vai reclamar o consumo exagerado de combustível na oficina da concessionária, a explicação (falsa) é sempre a mesma: seu motor ainda não "amaciou". E explicam do alto de sua sabedoria (...) que, depois de uns dois ou três mil km o consumo se reduz pois as peças internas já se ajustaram. Pode até ser que, de 7, o carro passe a rodar uns 7,5 km/litro. E olhe lá... Mas jamais os 9 ou 10 anunciados pela fábrica.

Desempenho - É falsa a ideia de que dois carros com motores de mesma potência tenham desempenho semelhante. Influem também, e muito, o peso, o câmbio, a aerodinâmica, o torque e outros fatores. Alias, um carro com menor potência pode até oferecer melhor desempenho.

Máxima - A grande maioria dos motoristas pensa que a velocidade máxima do automóvel é obtida pisando fundo no acelerador com a marcha mais alta engatada. Ledo engano: as últimas ou a última delas é projetada para redução de consumo, para deixar o motor em baixas rotações. Ou seja, não é marcha para conferir força, apenas velocidade. Num carro de cinco marchas, a máxima velocidade é obtida, geralmente, com a quarta engatada. Claro que se está referindo a uma estrada plana. Numa descida, onde não se exige potência, a última marcha pode levar o carro a velocidades mais elevadas.

"Banguela" - Outro engano frequente é deixar o câmbio em ponto morto numa longa descida, a chamada "banguela". Ao contrário do que se imagina, não há redução de consumo: com a marcha engatada, as rodas acionam o motor e não é necessário combustível para mantê-lo em movimento. Em ponto morto, há um pequeno consumo para a central manter seu funcionamento.

Automatizado - Criou-se no Brasil uma péssima reputação do câmbio automatizado por culpa de alguns deles que atormentaram donos dos carros, concessionários e fábricas. Quase todos dotados de apenas um disco de embreagem (Dualogic, I-Motion, Easytronic, Easy-R) e que já desapareceram do mercado pois a passagem de marchas se fazia literalmente aos trancos e barrancos. E com inúmeros problemas de operação. Mas existe também um câmbio automatizado com dupla embreagem que é quase um estado-da-arte e várias marcas o adotam. Entretanto, um deles, o Power Shift da Ford (que também já sumiu...) tinha um erro de projeto e foi tão amaldiçoado quanto os de embreagem única.

Fim-de-linha - Há dois enganos no mercado a respeito de modelos em fim-de-linha. O primeiro é de que imediatamente se desvaloriza, assim que sua morte é anunciada. Nem sempre é verdade: alguns chegaram a ter suas últimas unidades disputadas nas concessionárias. O segundo é quanto à obrigação legal de se manter peças de reposição até oito anos depois que deixa de ser fabricado ou importado. Não existe esta legislação.

Esquentar - A recomendação de se "esquentar" o motor de manhã deixou de existir há muitos anos, desde que o carburador foi substituído pela injeção eletrônica.

Acelerar - Nem ao ligar, nem ao desligar. É prática prejudicial nos dois casos. Se o motorista dá uma acelerada e desliga o motor, injeta-se combustível que não é queimado pois a ignição foi cortada. Esse combustível escorre pelas paredes do cilindro e vai contaminar o óleo lubrificante no cárter. Também de manhã, ao se ligar o motor, nada de pisar no acelerador: deve-se deixá-lo funcionando uns 30 segundos em marcha-lenta até que o óleo do cárter chegue às suas partes superiores para lubrificá-las. O maior desgaste sofrido pelo motor é exatamente ao ser acionado depois de algumas horas desligado.