PUBLICIDADE

Éverton Cebolinha: Como foi a trajetória do jogador cearense até o sucesso na Copa América

01:30 | 11/07/2019

- PRESTES a ser negociado com um dos quatro grandes clubes do futebol inglês, Éverton, o Cebolinha, ninguém desconhece, foi descoberto nas escolinhas do Fortaleza. Mas quem o descobriu? Jorge Veras, o maior farejador de jovens talentos, recordista em títulos nas equipes de bases por onde passou. Só no Fortaleza foram 17 ao todo.

- MEU Trem das 5, na rádio OPOVO CBN, ao lado de Renílson Souza e Brenno Rebouças, foi atrás de saber como aconteceu este começo do Cebolinha. Ninguém melhor para narrá-lo do que o próprio Jorge Veras, em entrevista que demandou 22 minutos.

- TANTAS curiosidades sem fim, até vale a pena reproduzir os principais trechos do que falou Veras, deixando transparecer ponta de mágoas, pois a ingratidão vem desde os tempos da Bíblia. Uma delas? Quando tentou falar com Éverton, parabenizá-lo pelo seu sucesso recente na seleção. Duas, três vezes, não houve resposta.

COMEÇO, MEIO E FIM

- LEIAM e recortem as principais inconfidências de Jorge Veras, no meu Trem das 5.

- "O ÉVERTON foi negociado na gestão do Ribamar Bezerra, por R$ 150 mil. Lembrou-se o Ribamar de colocar os 10% a que o Fortaleza teria direito um dia que Éverton fosse negociado..."

- "QUANDO ele chegou ao Fortaleza foi levado pelo seu pai, que me pediu uma chance já que o garoto não tinha vez no Maracanã, seu clube de origem. Na época treinava o sub-15. Botei logo ele pra jogar sem antes perguntar onde gostaria de atuar. Ele me disse - ponta-esquerda, entrando pelo meio. Perguntei - mas você chuta com pé esquerdo? Resposta -"Não, mas aprendo"..."

- AINDA Jorge Veras -"Enxerguei logo o talento dele. Era veloz, driblava pra dentro, até tentei fazê-lo jogar como atacante, mas ele retrucou dizendo que não gostava de jogar de costas pros zagueiros. Preferia a ponta-esquerda..."

DITO & FEITO

- "JÁ no segundo treino o escalei no sub-17, embora só tivesse 15 anos. Abafou no mesmo jeito. Na Copa São Paulo do ano seguinte o levei na delegação. O garoto foi um sucesso. Quando retornei, um diretor do Grêmio me ligou perguntando se assinava embaixo a ida do Éverton pro Grêmio. Respondi-lhe — mande um olheiro pra Copa Carpino e ele verá. Dito e feito".

- "Quando o Grêmio veio buscá-lo, Éverton não queria ir por causa da namorada. Então lhe disse — se ela lhe amar vai esperar por você a vida toda. Esta oportunidade que o Grêmio está lhe dando pode ser o seu futuro".

- ENXERGANDO mais longe, Veras deixou a modéstia de lado -"Tinha certeza que o Éverton emplacaria. O outro que o clube gaúcho queria era o Wesley, que se tivesse levado a carreira a sério teria brilhado em qualquer clube do Brasil. O Wesley não levou, acabou nem emplacando no Fortaleza. Já com o Éverton foi diferente. O pai dele chegava junto e não deixava o garoto sair da linha..."

CÓPIA FIEL

- MAIS outra inconfidência - "O Éverton sempre teve essa característica de entrar em diagonal driblando e chutando para o gol. Na escolinha do Grêmio aprendeu a chutar com o pé esquerdo, embora seu forte fosse o pé direito. Aqueles gols que fez na seleção eram cópia fiel dos que fazia na escolinhas do Fortaleza..."

- PONTA de mágoa -"Revelei muitos jogadores. Entregava-os prontos aos profissionais. A maioria dos técnicos de fora sequer queriam saber de jogador da terra. Não posso reclamar do Fortaleza, embora o Ceará tenha me chamado na época do Evandro (Leitão) duas vezes. Não me deixaram sair. Presidente como o Ribamar Bezerra dificilmente passará pelo Fortaleza. Uma pena que só tenha ficado um mandato. Tinha o dom de enxergar anos à frente, tanto que construiu aquele CT e deu de presente ao clube. Mas o terreno foi doado pelo prefeito de Maracanaú Roberto Pessoa. Fez o mesmo com o Ceará, que rejeitou porque não queria ficar perto do rival. Essas bobagens do futebol cearense..."

- ARREMATE - "Quanto liguei por Éverton foi pra parabenizá-lo pelo sucesso na seleção. Com o pai dele foi a mesma coisa. Mas estou calejado com essas ingratidões do futebol. No Grêmio meu nome é sempre lembrado. Quando jogava no Criciúma fui contratado pois tinha fama de artilheiro. Aquele gol no Tafarel, do Internacional, sem ângulo, após três anos sem o Grêmio vencer, ficou para a história."