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Cortina de ferro

01:30 | 10/07/2019

- POR ordem expressa do técnico Rogério Ceni, o Fortaleza realizou match-treino, espécie de amistoso metido a besta, ontem em seu CT contra o Ferroviário. Venceu de 2 a 1, o que menos interessa.

- ONDE está então o cerne da questão? Proibido terminantemente peloo técnico Ceni que o jogo fosse visto por alguém, especialmente a imprensa da terra. Determinação de Ceni ai daquele que não atender. Até o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz? Até.

- APCDEC, entidade que congrega a crônica esportiva, através do presidente Alano Maia, verberou contra a atitude do treinador em oficio enviado ao presidente do Fortaleza. Valeu a boa vontade do Alano. Porém, o efeito do protesto nada vezes nada.

- MOTIVO? Simples explicar. O presidente tricolor jamais iria se insurgir contra uma determinação vinda do seu treinador, evitando melindres ou quem sabe até mesmo alguma represália. No Fortaleza é assim — cumpra-se o que Ceni mandar e fim de papo.

- NA prática funcionou. Imprensa que lá esteve, entre repórteres de rádio, jornal, canais de televisão, que ficassem numa sala reservada esperando o match-treino terminar pra só então conhecer maiores detalhes, através de entrevista que os dois treinadores dariam. Ou seria assim ou nada feito.

- TODOS balançaram a cabeça concordando, ninguém sequer protestou, diante daquela cortina de ferro imposta pelo treinador do Fortaleza. Ficaram de juquinha até que o tempo se escoasse. Já não se faz imprensa esportiva hoje, como antigamente. Simplesmente lamentável.

PULO DO GATO

- SE o Ceni esperava que o Ferroviário mandaria ao CT sua força máxima, tiro pela culatra. Leandro Campos, macaco velho na profissão, aplicou o pulo do gato. Levou o time B, turma da laranja, pessoal que não joga e vai sempre na reserva. Exceção do Cariús, que estava suspenso e não enfrentara o Santa Cruz.

- BOA chance de o Ceni ver o Cariús em ação numa partida. O artilheiro do Ferrão e do Brasil ficou acanhado, produziu muito pouco, não fez nada. Tanto que o gol do Ferrão foi marcado por James Dean, que nem ao menos se sabe de onde veio. Embora se saiba quem o descobriu - o infatigável Jurandir Júnior.

- RACIOCÍNIO correto do Leandro Campos. Se o Ferroviário iria servir de sparring, que o Fortaleza enfrentasse os reservas. Expor para quê seus titulares, brilhando na Série C? Campos pode ter o bigode grande, mas de tolo não tem nada.

- VENCER por 2 a 1 os reservas do Ferroviário, o Tricolor estava na obrigação, sob pena de passar vexame.

ORADOR DA TURMA

- AQUI pra nós. Ouvir o Leandro Campos é um deleite. Fala bem, se expressa melhor ainda, não dá um deslize na língua pátria, entona a voz como se fosse o orador da turma em final de curso. Que maravilha!

- ELE explicando razão pela qual havia levado o time reserva foi coisa de deixar qualquer um embasbacado. Fez um arrodeio tão grande como se recitasse o Navio Negreiro, do Castro Alves. Quando se referiu ao Jackson Caucaia, era como se tivesse descoberto a mirra. O Caucaia é aquele mesmo que vestiu tantas camisas, deve ter perdido as contas. Pelo visto ninguém avisou nada ao Campos.

PROTESTO ISOLADO

- SOBRE a coletiva de Ceni, recuso-me a escrever uma mísera linha. É meu protesto isolado contra o tratamento que ele dá, do alto da sua arrogância de manda-chuva, à imprensa esportiva cearense da terra.

- QUANTO ao match-treino em si, gols de um zagueiro e um volante, significa dizer que o ataque tricolor, parafraseando o grande Sérgio Ponte, continua sendo de fritar bolinho e beber a banha. Nem em treino o WP9 consegue balançar as redes.

A REVELAÇÃO

JOGO Floresta x Bragantino-PA, o jovem Paulo Vyctor fez um gol digno dos inesquecíveis tempos do Clodoaldo. Saída do goleiro, deu um leve toque encobrindo-o. Paulo Vyctor faz gols de todo jeito, além de artilheiro do Floresta. Não vai demorar muito no futebol cearense. Os clubes do sul já estão de olho no moço, tão bom que ele é.