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Pontos futuros

01:30 | 13/06/2019

(1) - ROGÉRIO Ceni completou, ontem à noite contra o Cruzeiro, seu jogo de número 90. Ainda não é recordista. Mas poderá sê-lo num ponto futuro. À sua frente estão Moésio Gomes, César (Guri) Morais, Caiçara, por último Ferdinando Teixeira. De todos, porém, o rótulo de mais midiático ninguém vai tirar dele. Também pudera.

(2) - MANO Menezes atravessa seu terceiro ano no comando do Cruzeiro, que não tem por costume mudar de treinador. Atualmente está às voltas com sérias crises, não provocadas por ele, sim pela administração, após o Fantástico ter rasgado a fantasia. Porém houve reflexo dentro do próprio elenco.

(3) - QUEREM exemplos? Jogador com salários atrasados em dois meses, logo surgem com contusões que tanto podem ser reais ou fictícias. A dor é subjetiva. Fred, artilheiro do time, apareceu contundido. Rodriguinho, outro que ganha os tubos, também. A crise maior e mais séria do que se imagina.

(4) - POR qual razão clube mineiro não é chamariz de bilheteria? Por não terem grandes valores? Nem tanto. Motivo simples. Fora do foco principal, torcedor pouco tem acesso ao que Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG fazem, então pouco se liga. A mídia mineira, neste tocante, perde de goleada para Rio e São Paulo.

(5) - HOJE Fortaleza carece de um centroavante. Ceará segue o mesmo rumo. Artilheiros brasileiros, como por encanto, sumiram. Os que aparecem o futebol europeu logo carrega. O jeito então é apelar pros veteranos, tipo Fred, Ricardo Oliveira, Vágner Love, outros menos votados. Aqui, o Cariús, artilheiro do Brasil, começa a dobrar a casa dos trintões. Nem assim consegue convencer Ceará e Fortaleza ser muito melhor do que os lá estão. Preconceito mandou lembrança a alvinegros e tricolores.

OLHO NO OLHO

- CONSTA Robinson de Castro teve a primeira conversa olho no olho com o técnico Enderson Moreira, chamando-lhe atenção pra não insistir com jogador que já deu o que tinha de dar.

- NÃO ficou aí. Mandou olhar com "bons olhos" para o futebol de Romário, cria de casa, totalmente recuperado após tanta trombada extracampo que tomou no inicio da carreira.

- NÃO por acaso, Romário deverá ser o titular hoje contra o Vasco. Vale também o velho, porém sábio, ditado — manda quem pode e paga. Obedece quem tem juízo e recebe em dia.

CAI-CAI RESISTENTE

- QUEM reparou? Cai-cai de técnico neste Brasileirão, pelo menos até a rodada de ontem, diminuiu a onda.

- CONTADO nos dedos, em torno de cinco deles. Até resolveram ressuscitar quem não estava mais na mídia.

- CASO de Luxemburgo, que agarrou-se com unhas e dentes ao aceno do Vasco, ganhando menos daquilo que achava que merecia. Ao cair na real, enfim, entendeu que seu tempo tinha passado, qual a história da Carolina, do Chico Buarque.

ELOGIO VALIOSO

- LER o Tostão é um deleite. Foi grande craque, ídolo do Cruzeiro, formou-se em Medicina, exerceu por algum tempo, fez Jornalismo, foi escrever artigos na Folha, já escreveu dois livros.

- FAZ o estilo crítico ferino, porém com classe e categoria. Em sua coluna abriu hiato pra falar sobre Ceni como treinador. Recortei, passo adiante.

- "ROGÉRIO Ceni foi perfeccionista como jogador e levou essa qualidade agora que virou treinador. Tem grande chance de tornar um grande técnico. Ele que foi um goleiro revolucionário por jogar muito bem com os pés, o que agora passou a ser uma exigência. Quem sabe não se tornará também um treinador revolucionário?".

PASSAGEM INESQUECÍVEL

- AINDA imberbe, Sérgio Ponte me acompanhava nas grandes entrevistas, sempre de enorme gravador em punho. Depois do furo com Pelé, minha primeira página no jornal com foto e tudo, semanas depois fomos enfrentar Tostão, ídolo do Cruzeiro, no San Pedro. Esperamos que os atletas almoçassem e nada do Tostão. De repente, deparamos com ele tocando piano do hotel. De olhos fechados dedilhava a famosa Für Elise. Sérgio, atento a tudo, tratou de gravar. Quase uma hora depois tentei entrevistá-lo. Ele levantou-se, não deu uma palavra, foi para o quarto. Sem furo, sem nada, me contentei ficar ouvindo o Für Elise no gravador do Sérgio...