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FACA DE DOIS GUMES

08:32 | 15/04/2019

- QUEM precisava tentar diminuir a vantagem do Ceará era o Fortaleza. O regulamento beneficiava ao Alvinegro com dois resultados iguais. O rival que corresse atrás do prejuízo. O Tricolor correu e venceu de 2 a 0. Vitória líquida, inconteste, insofismável.

- CEARÁ se fiou demasiadamente na vantagem do regulamento. É sempre numa perigosa faca de dois gumes. Confiou demais, esqueceu de atacar quando devia. Esperou que o adversário tomasse a iniciativa, naquela de explorar os contra-ataques. Deu-se muito mal. Perdeu o primeiro clássico da decisão. Perdeu também a vantagem que era toda sua.

- QUEM conhece o time Alvinegro sabe melhor do que ninguém que seu forte não é explorar contra-ataque. Com quem, se só tem o Leandro Carvalho pela direita irregular e imprevisível? Na esquerda não tem ninguém. É um deserto no qual o lateral se serve à vontade.

- PRECISAMENTE aí a clareira encontrada por Rogério Ceni no duelo travado com Lisca. Ceni não mudou sua forma de jogar com três ou quatro atacantes. Sim, porque o Wellington Paulista é menos um. Ademais, leva a vantagem de ter dois pontas autênticos e velozes. Edinho e Osvaldo estão extrapolando. Edinho, com especialidade, autor dos dois gols da vitória do Fortaleza.

- SE Lisca imaginou que o Fortaleza viesse diferente taticamente, mudando seu modelo, de novo caiu do cavalo. Esqueceu de que era o Tricolor quem correria atrás do prejuízo. Logo, m tomaria a iniciativa de atacar, aliás, como sempre o fez. Ceni nunca foi precavido. Quem tem dois pontas agudos e endiabrados, leva dupla vantagem. Era ali o mapa da mina.

TEMPOS DA CAVERNA

- PELAS pontas o Fortaleza venceu o primeiro clássico da decisão. Esta pedra vinha sendo cantada faz tempo porque sempre jogou assim. Jamais mudaria mesmo em se tratando de decisão. Futebol ensina desde os tempos da caverna. Quem ousa, tem mais chance de vencer. Elementar cara-pálida.

- QUEM se precave na tentativa de segurar o empate, ou uma vantagem, acaba por facilitar as coisas pro adversário. E olhe que o Fortaleza não tem um atacante especialista flutuando dentro da área, tipo Gustagol. Se tivesse a coisa seria muito mais feia.

- ATENTEM para o detalhe. Onde estava Edinho quando marcou o primeiro gol? Na posição de centroavante, onde deveriam estar socados o Wellington Paulista ou Junior Santos. Edinho acompanhou a jogada do Osvaldo que passou como quis por Tiago Alves, que cobria Samuel Xavier, perdido nas matas do além. Cruzou a meia altura. Edinho entrou feito um bólido antecipando-se ao goleiro Richard e ao zagueiro Luiz Otávio mandando as redes. Osvaldo e Edinho jogam por telepatia.

EMENDA & SONETO

- ESPERAVA-SE no segundo tempo um Ceará diferente. Mais ousado, pra tentar buscar o empate. Lisca até tentou, fazendo entrar o Baxola. Visivelmente fora de forma, ainda curando uma contusão. A emenda saiu pior que soneto. Baxola voltou a sentir, nada produziu, substituído pelo fraquíssimo João Paulo.

- LOGO aos 5 minutos do segundo tempo, Fortaleza liquidou a fatura. Outra vez pela esquerda, uma avenida escancarada. Edinho se revesando com Osvaldo, entrou livre, enveredou pelo meio, mandou um petardo. Talvez a bola não entrasse se não tivesse trajetória mudada ao bater na cabeça do Tiago Alves. Coitado do Richard. Ficou órfão de pai e mãe, caindo para um lado e a bola entrando no outro. Gol contra, sim. Mas a regra determina que o gol seja contabilizado pra quem desferiu o chute. Edinho achou ótimo. Premiou mais ainda sua bela atuação.

- NEM mesmo a expulsão do Júnior Santos soube ser explorada pelo Lisca. Menos um, tornou-se um campo fértil pra uma reação. Mas cadê peças a altura que o Ceará não tem? É carente, além de visível. Os que entram são piores dos que estão em campo. Parece bater miopia total no Lisca. Tentar virar um placar adverso de 2 a 0 com João Paulo e outros menos votados, brincadeira tem hora. Resumo da ópera. Ganhou o melhor. Perdeu o pior. E estamos conversados.

RASTILHOS

ROMBO que deixou no rosto do Juninho, Júnior Santos ainda queria ficar em campo? /// ATÉ que o Bueno é esforçado, a bola que atrapalha/// SAMUEL Xavier sobe com facilidade. Voltar, cadê? /// COMO está jogando um bolão o Felipe. O outro Felipe, o Alves, no gol, ninguém sentiu falta do Boeck /// CHEGA a ser intrigante. Por qual razão nunca o Osvaldo aguenta dois tempos?

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