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O tiro no ouvido

02:00 | 08/04/2019

- SE alguém pode ser responsabilizado pela desclassificação do Ceará da Copa do Nordeste, com presença maciça de sua torcida, quase 40 mil pagantes, jogo de uma torcida só. Pois bem - este responsável chama-se Lisca.

- ERRO dele foi fatal e imperdoável. Levou o Ceará a ser eliminado em pleno Castelão, diante de um adversário que se não amedrontava, pelo menos merecia maior respeito.

- COMO não metia medo um Náutico que estava há 17 partidas sem perder pra ninguém? Pelo fato de que jogaria aqui, longe dos seus domínios, como se o Castelão não fosse um campo neutro? São argumentos débeis e fúteis. Se Lisca pensou assim, caiu na esparrela de um erro simplesmente imperdoável.

- PERDEU de 2 a 0 num jogo que, pelo menos pra ele, estava antecipadamente ganho porque o Ceará era superior em tudo por tudo. Qual Ceará, cara-pálida? O time titular ou o time B, reserva? Pela cabeça do treinador alvinegro, com um dos dois o Ceará venceria o Náutico. Outro tiro fatal.

PERGUNTAS INFANTIS

- INCONTÁVEIS perguntas ainda zanzando na cabeça do torcedor alvinegro, dignas de jardim de infância.

- PRIMEIRA delas - o que deu na cabeça do Lisca, optar pelo time B pra decidir com o Náutico em jogo único, valendo tudo, inclusive morrer dentro de casa?

- DESRESPEITO ao adversário? Se foi por aí, foi duramente castigado e entrou solenemente pelo cano.

- MAIS importante que a decisão com o Náutico seria a partida de quarta contra o Floresta, valendo a decisão do tricampeonato? Se pensou assim, brincadeira tem hora.

- SE foi porque o time vinha de uma decisão com o Corinthians, estava desgastado fisicamente, logo precisava descansar? Isso é lorota e falácia. Jogador profissional é regiamente pago pra jogar todas as partidas. E estamos conversados.

- SE a intenção era mostrar que o time B do Ceará é tão bom quanto o titular, portanto estaria bem representado, nem o torcedor mais leigo acreditaria, é querer fazê-lo de imbecil e idiota.

- SE querem saber, não escondo. Torcedor paga ingresso pra uma decisão como aquela de sábado não pra ver seu time ir a campo esnobando o adversário, com um bando de reservas rotulados de time B, mistão, turma da laranja, seja lá o que for.

- QUER saber mais? Torcedor que é torcedor abomina time reserva. Pra ele, titular é titular, reserva é pra esfriar banco, entrar numa emergência e estamos conversados.

PRESSÃO FICTÍCIA

- ELEMENTAR em futebol. Quem decide dentro de casa está na obrigação de mostrar as cartas nos primeiros 20 minutos, quando a pressão em busca do gol é normal, é praxe. O Ceará fez isso. Perdeu chance, botou bola na trave, deixou o torcedor com o grito de gol preso na garganta, gastou todo seu repertório. E ficou nisso.

- SEGUNDO tempo, respirando aliviado, o Náutico ganhou moral. Deve ter dito lá com seus botões - se o Ceará não tem capacidade de nos vencer, vamos lá, resolver a parada. Em dois lances fez seus dois gols e fechou o caixão alvinegro no Nordestão. Bem feito.

AINDA FOI POUCO

- VAIAS e palavrões após a partida, endereçadas principalmente ao técnico, de roldão aos seus comandados, foram procedentes. Ainda foi pouco. Na coletiva, Lisca tentou, com argumento fúteis e infantis, tapar o sol com a peneira. Inútil. Àquela altura torcedor não queria ouvir mais nada. Entrou num ouvido, saiu no outro. Ceará estava fora e o Náutico dentro do Nordestão, em pleno Castelão. Que vergonha!

BARBAS DE MOLHO

- HOJE será a vez do Fortaleza decidir com o Vitória, nas mesmas condições do Ceará, dentro do Castelão com tudo a seu favor. Ceni não é o Lisca pra esnobar o adversário. Mesmo com o Vitória caindo pelas tabelas, ter entrado na reta final do Nordestão como quem entra no céu à força. Náutico vinha de 17 partidas invictas. Vitória não venceu ninguém pela Copa do Nordeste. Eis a diferença abissal. Não esquecer - quando a bola rolar hoje à noite, quem for podre que se quebre...