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A história foi outra

02:00 | 18/03/2019

- DIFERENÇA do clássico entre Ceará e Fortaleza de semana passada para o de ontem é que neste saiu gol (1 a 1), confusão em campo, com empurra-empurra entre os atletas. Menos mal que o tempo não fechasse. Se dependesse do Derley e do Leandro Carvalho, expulsos de campo, sim. Mas a turma do "deixa disso" evitou o que seria muito pior. Se acontecesse, e esteve para, a apregoada paz papocaria com linha e tudo.

- NÃO foi por falta de aviso de quem está careca de ver tantos clássicos entre tricolores e alvinegros. Perdi as contas. A história foi outra do domingo anterior. Ela nunca se repete, nem na vida, quanto mais numa partida de futebol. Mudou também o rótulo. Ontem foi pela Copa do Nordeste. Na semana passada, pelo Estadual. Não mudaram as caras, quase as mesmas.

LIMITE DA AUDÁCIA

- ENTRETANTO, mudou o modelo tático. Do lado do Fortaleza, Rogério Ceni queria a vitória de qualquer maneira. Foi ao limite do risco, lançando seu time num 4-2-4. Isso mesmo. Quatro atacantes (Edinho, Éderson, Júnior Santos e Osvaldo), enquanto Lisca preferiu não sair do seu lugar comum. Arrisca sim, porém com cautela e pé no freio.

- TORNOU-SE praxe Ceni mudar a formação do seu time. Ele jamais, se a memória não me trair uma vez mais, repetiu a mesma equipe de uma partida pra outra. Ontem foi além do limite da audácia, com quatro atacantes buscando o gol. Até que tentaram. O que sobrou em ousadia, faltou em competência. Houve ocasião em que eles se chocavam uns com os outros na busca de uma espaço em campo.

- CLARO que a defesa do Ceará teve que se desdobrar pra conter o pseudo-ímpeto. O que fez Lisca? Que a dupla de volantes, Fabinho e Juninho, ficasse mais na proteção da zaga do que sair pro jogo até que as coisas voltassem ao normal. Treinador que se preza tem sempre uma, ou várias, cartas na manga. A dupla - Baxola e Ricardinho - que tratasse de armar as jogadas. O poder de fogo resumiu-se a Leandro Carvalho e Roger. Duas lástimas.

- FORTALEZA com quatro, evidente, atacava mais. Só que de forma desordenada. Sabia-se apenas que os dois pontas, Osvaldo e Edinho - este mais perigoso e impetuoso do que aquele - buscaram sempre as jogadas pela linha de fundo. Júnior Santos perdeu gol feito, só ele e a trave. Mas o baixnho Éderson acabou fazendo o gol que decretou o empate (1 a 1) além do mais de cabeça.

- MAS foi o Ceará quem abriu o placar, através de Baxola. Toda jogada construída pelo muito bom Samuel Xavier, que sobe bem, porém, marca péssimo. O lançamento saiu da extrema, atravessou toda área, encontrando o Baxola livre do outro lado. Ele ainda teve tempo de matar no peito e chutar certeiramente. Por perto, ninguém pra acossa-lo. Boeck não teve culpa, assim como Richard não teve parcela de culpa no gol de cabeça de Éderson. Culpa maior dos zagueiros, que não cortaram o lançamento.

- NÃO se pode dizer que não foi um clássico bem disputado, porque foi. Também intenso, nunca, jamais, melhor do que o da semana passada malgrado o 0 a 0. No de ontem pelo menos houve gol pra fazer a torcida vibrar. Pior seria a repetição do mesmo placar.

NERVOS À FLOR DA PELE

- A CONFUSÃO criada por Derley e Leandro Carvalho faz parte do tradicional figurino dos nervos à flor da pele. Edinho caído em campo, vítima de falta violenta, demorou mais do que o necessário pra se levantar, fato gerador da confusão. Em ocasiões assim, impossível saber quem provocou, embora o Derley, pelo seu estilo exagerado, parece ter um chamariz. Jogo retardado em sete minutos, embora parecesse mais, o árbitro deve ter dado graças a Deus escoar-se o tempo, o empate ser mantido pra terminar o clássico.

MORTOS & FERIDOS

- JÁ imaginaram se, depois de toda confusão, saísse gol pra qualquer um dos lados. O tempo fecharia pra valer, pois ninguém admitia perder. Clássico tem dessas coisas. Enfim, entre mortos e feridos, todos saíram salvos e, como de praxe, festival de abraços, daquele tipo tamanduá. Empate acabou sendo o melhor resultado pros dois rivais no Nordestão. Dentro de seus respectivos grupos. Que fique bem claro.

CONTRA-ATAQUE

MELHOR em campo, difícil escolher, mas os dois goleiros (Boeck e Richard) se saíram muito bem.../// O QUE foi fazer o Wellington Paulista em campo, entrando no fogo? Nada.../// REGULARES as estreias de Carleto, pelo Ceará e Araruna, pelo Fortaleza. Não decepcionaram.../// MAIS uma vez Roger passou em branco. Correndo a esmo, pode até se esforçar. Mas ele foi ou não contratado pra balançar as redes? Passou batido...

 

ALAN NETO