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REVIEW: The House of the Dead: Remake

O retorno dos mortos-vivos se mantém divertido, mas deixa a desejar
11:19 | Abr. 08, 2022
Autor Davi Rocha
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Tipo Opinião

Houve um tempo em que os jogos de arcade eram tão relevantes quantos aqueles encontrados em consoles de no PC. Nesta época, a Sega era referência no mercado, com arcades de sucesso como "Virtua Fighter", "Virtua Cop", "Space Harrier" e, é claro, "The House of the Dead". Quase 30 anos desde o seu lançamento, em 1996, a casa dos mortos é aberta novamente em uma localidade, o Nintendo Switch.

O mesmo estúdio que trabalhou no remake de "Panzer Dragoon", o MegaPixel Studio, agora traz de volta à vida um dos maiores clássicos dos jogos de tiro sobre trilhos. Em "The House of the Dead: Remake", os protagonistas - Thomas Rogan e Agente G - são enviados para investigar um estranho pedido de socorro da namorada de Rogan, que estava em uma mansão estranha e misteriosa onde experimentos proibidos estavam sendo realizados. Por trás do mistério encontra-se o Dr. Curien, um médico inescrupuloso que perdeu sua sanidade e desencadeou uma onda de morte e caos na mansão ao liberar suas cobaias mais perigosas e um vírus que transforma a todos em zumbis.

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Assim como os jogos de tiro da época, o enredo do remake se mantém formulaico e óbvio, mas é mero pano de fundo para a real atração do jogo, que é a diversão envolvida na matança de zumbis e criaturas perversas.

A jogabilidade aqui se mantém intacta. Estamos ainda falando de um shooter em primeira pessoa sobre trilhos, em que os personagens seguem um caminho pré-definido e uma sequência de inimigos quase idêntica a cada nova investida. Cada tiro dado e cada inimigo abatido pode alterar alguns momentos da experiência da fase e contam para o alcance de uma pontuação ao final de cada percurso. Ao final de cada capítulo, há sempre um confronto com um chefão que apresenta padrões de movimento que precisam ser aprendidos e um ponto fraco que pode ser explorado para um abate mais rápido.

Em cada fase, é possível salvar personagens não-controláveis que estão presos ou que estão prestes a serem comidos pelos monstros ali presentes. Nestes momentos, o jogo testa os reflexos dos jogadores e seus graus de perspicácia, já que algumas vítimas aparecem por poucos segundos antes de serem devoradas. Ademais, há também alguns caminhos secretos que podem ser acessados, alterando um pouco a experiência da fase e revelando segredos, como novas armas, inimigos e reféns ocultos.

Apesar de trazer a alcunha de "remake", o jogo pouco alterou a fórmula do título original. Um ou outro segredo foi adicionado e os gráficos do game estão mais atuais, apesar de ainda pouco atraentes, por rodarem no hardware já cansado do Nintendo Switch. Não há novos atalhos, nem novos modelos de inimigos que não foram extraídos daqueles já existentes. Até os chefes são os mesmos em quantidade, padrões de movimento e pontos fracos. As reais alterações perante o game original se encontram nos modos de jogo e no padrão de controle dos personagens.

O jogo permite o uso dos controles do Nintendo Switch de diferentes maneiras. É possível mirar com o analógico ou utilizar o sensor de movimento dos joy-cons para o ajuste preciso dos tiros disparados. O Pro Controler, apesar de não vir na caixa junto do Nintendo Switch, foi a melhor opção de controle dentre as testadas. Tanto seus analógicos quanto seu sensor de movimento providenciaram uma experiência de tiro melhor que a dos controles incluídos com cada Switch. Dito isso, é notória a ausência de um sistema de mira similar ao encontrado no Nintendo Wii ou na versão de arcade do "The House of the Dead" original. O sistema de mira, quando atribuído ao sensor dos controles, é pouco preciso e necessita de constante recalibragem. Mirar no analógico é mais preciso, porém menos imersivo.

Outra novidade é a adição do modo "Horda" ao tradicional modo "Original" de jogo. O trajeto de cada fase é o mesmo nos dois modos, porém, no "Horda" a quantidade de inimigos na tela é maior e eles são mais difíceis de derrubar também. O jogo permite jogar os dois modos sozinho, de maneira cooperativa ou competitiva. Há também um modo "Galeria" que traz todos os inimigos e modelos em 3D do jogo junto a algumas informações sobre cada um deles. Infelizmente, pelo fato de o jogo ser curto, em pouco tempo a galeria é preenchida por inteiro e não mais instiga o jogador a continuar jogando para desbloquear acesso a novos modelos visuais. Ainda enquanto novidade, o game também dispõe de um modo de fotografia, que pode ser ativado a qualquer momento durante o gameplay, mas que, pela qualidade gráfica do jogo, pouco anima.

Sobre o visual e o áudio, o remake roda no motor da Unity e traz modelos mais detalhados para todos os personagens e inimigos, além de um novo sistema de movimentação que garante uma física mais realista de objetos e corpos. Infelizmente, mesmo rodando em um console lançado há menos de cinco anos, a aparência do game é a de uma título de Playstation 3 ou Xbox 360. Sua trilha sonora foi refeita e é um dos melhores avanços em comparação com a versão original do jogo. A dublagem em inglês também está melhor que a original e o jogo vem com todos os textos traduzidos para o português do Brasil.

"The House of the Dead: Remake" é pura nostalgia, mas deixa muito a desejar no quesito inovação. É divertido como sempre abater zumbis e acompanhar um enredo exagerado e meio nonsense… especialmente acompanhado de um amigo. Porém, a pouca quantidade de novidades e os gráficos ainda muito aquém do que se espera de um game em 2022 (mesmo lançado no Switch), fazem com que o jogo se pareça um pouco demais com os mortos-vivos que traz em sua arte de capa.

"The House of the Dead: Remake" está atualmente disponível com exclusividade no Nintendo Switch.

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