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Review: Lost In Random

Belo e inventivo, Lost in Random é uma das jóias perdidas de 2021 e merece ser jogado.
18:16 | Dez. 23, 2021
Autor Davi Rocha
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Tipo Opinião

"Lost in Random" se assemelha a um divertido jogo de terceira pessoa da era do Nintendo 64. Isso não quer dizer que pareça desatualizado, mas sim é um game que parece ser de uma era em que os desenvolvedores corriam riscos com títulos únicos e interessantes. É um daqueles games que você encontraria por acaso em uma locadora e que, de início, chamaria atenção pela arte da embalagem antes de te conquistar por completo com seu enredo e gameplay divertidos cativantes. Anos depois, seria uma surpresa descobrir que nenhum de seus amigos jogou ou sequer conhece o título. Um clássico cult instantâneo. Tal alcunha é difícil de alcançar, mas com certeza "Lost in Random" tem qualidade e potencial para isso.

O jogo claramente tem sua principal inspiração nas obras de Tim Burton. Mesmo assim, consegue imprimir uma identidade própria, nunca parecendo apenas uma cópia interativa dos trabalhos do famoso diretor. No enredo, o jogador assume o papel de Even, uma jovem que viaja pela cidade de Random para encontrar Odd, sua irmã que foi levada pela rainha maléfica do local.

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Ao atingirem 12 anos de idade, as crianças em Random devem jogar dados para determinar qual das seis terras da região pertencerão. Infelizmente, Even e Odd tiram números diferentes e são separadas por conta disso. Dicey é outro companheiro fofo, introduzido no início da trama e que acompanhará o jogador durante toda a jornada.

A narrativa levará você e seus companheiros por todos os reinos de Random, cada um repleto de carisma e personalidade única. Na cidade de Two-town, por exemplo, todos os seus habitantes sofrem de distúrbios de personalidade dupla. Já em Threedom, uma guerra entre trigêmeos ameaça a paz do local. Adentrar a uma nova região no game é sempre uma grande surpresa, oferecendo sempre novos visuais, sons e partes da história para desvendar e experienciar. O efeito disto é uma narrativa que se mantém fresca do começo ao fim, apesar de nem toda região ser tão bem pensada e interessante que as demais.

Além de explorar cada cidade de seu mundo fantástico, o jogador gastará boa parte de seu tempo em "Lost in Random" em meio a combates inventivos e divertidos. Even, nossa heroína, tem apenas um estilingue em seu arsenal, mas nem ele serve para causar danos aos seus inimigos. Em vez disso, o jogador terá que acertar cristais presentes nos inimigos e que são absorvidos por Dicey. À medida que consome mais cristais, é possível parar o tempo e usar um conjunto de cartas aleatórias. A depender da jogada feita, você poderá escolher cartas com habilidades diferentes. É possível, por exemplo, receber uma carta de espada que será usada para atacar os inimigos ou uma carta que transforma Dicey em uma bomba-relógio ambulante. O combate em "Lost in Random" é frenético, criativo e diferente, por adicionar tais elementos táticos à batalhas em tempo-real.

Apesar de suas grandes qualidades, o combate também é um dos principais pontos fracos do jogo. Apesar de ser possível definir um baralho de até 15 cartas, a natureza aleatória da escolha delas em cada luta pode incomodar e frustrar um pouco. Em alguns casos, você correrá o risco de receber cartas inúteis e que podem ocasionar uma derrota em um combate que já estava praticamente ganho. Alguns inimigos voadores, por exemplo, são resistentes a ataques corpo-a-corpo, logo, receber cartas apenas de armamentos desse tipo pode complicar bastante a sua vida. Não é sempre que estes problemas se tornarão evidentes, mas, quando acontecem, são muito frustrantes.

É preciso apontar também que, apesar de o jogo ser belíssimo do ponto de vista visual, ele apresenta alguns bugs desconcertantes. Algumas missões secundárias, mesmo quando completadas, não apareciam como tal no mapa e, em alguns momentos o jogo simplesmente parou de funcionar e fechou repentinamente. Apesar de não terem sido erros frequentes, não deixa de ser lamentável, especialmente sendo um título distribuído pela toda poderosa Eletronic Arts.

Apesar de alguns obstáculos (facilmente solucionáveis por meio de atualizações), "Lost in Random" é um excelente título que, infelizmente, recebeu menos destaque do que merecia em 2021. Saindo junto a "Tales of Arise", "Sonic Colors: Ultimate" e o novo "Life is Strange", o jogo claramente se perdeu em uma muvuca de outros títulos. Este, com certeza, será um jogo que apenas crescerá em fama e elogios, todos estes, totalmente merecidos.

Davi Rocha é integrante do canal de Youtube Bacontástico

Serviço:

Lost in Random está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S e PC

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