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REVIEW: The Legend of Zelda: Skyward Sword HD

O retorno triunfante de um tesouro desprezado
19:06 | Set. 08, 2021
Autor Davi Rocha
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Davi Rocha Jornal
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Tipo Notícia

Originalmente lançado para o Nintendo Wii em 2011, The Legend of Zelda: Skyward agradou há poucos. O jogo que focou nas origens do mito da princesa Zelda e seu fiel guerreiro, Link, foi por anos considerado um dos maiores tropeços recentes da franquia, especialmente após o lançamento e sucesso inquestionável de seu sucessor, The Legend of Zelda: Breath of The Wild. Ainda sim, após 10 anos a Nintendo decidiu dar uma segunda chance ao game e por meio de uma remasterização atenciosa (mas imperfeita) trouxe-o ao Nintendo Switch.

Skyward Sword HD traz o mesmo enredo da versão original, focado em como Link e Zelda se tornaram figuras lendárias. Ambientado em tempos muito antigos, apresenta o jogador a Skyloft, uma ilha voadora que separa seus habitantes de uma superfície terrestre envolta de uma densa névoa. É somente após o rapto da garota Zelda, filha do chefe da aldeia situada na ilha, que Link, um aprendiz de cavaleiro, se lança ao desconhecido para resgatar a donzela e desvendar os mistérios que envolvem seu paradeiro.

Para fãs antigos de The Legend of Zelda, este é um retorno a um sistema de jogo e ritmo narrativo bastante familiar, mas que esteve ausente em Breath of the Wild. A exploração em mundo aberto dá lugar a uma série de masmorras e objetivos lineares que precisam ser resolvidos para avançar a história. Ademais, missões secundárias e atividades complementares de coleta e troca de itens por versões evoluídas de acessórios e armas expandem a quantidade de atividades a serem realizadas. Apesar de linear, o enredo em Skyward Sword impressiona, principalmente ao dar maior ênfase ao personagem que tem seu nome no título do jogo. Zelda é mais do que apenas uma donzela em perigo e sua relação com Link e com a lenda mítica que a envolve é muito bem explorada. A parte que deixa bastante a desejar em relação à história do game são seus vilões. O mago Ghirahim e a besta Demise estão longe de terem a mesma presença e peso do famoso Ganodorf e fazem com que o vilão dos outros títulos da série tenha sua ausência bastante sentida. Para aqueles que entrarão na série a partir de Skyward Sword, talvez não seja um problema. Para os demais, porém, com certeza será.

Àqueles que experimentaram o jogo original, é bem sabido que um de seus maiores problemas se dava pelos controles de combate e movimento. Isto porque, no Wii, o controle era feito exclusivamente através do conjunto Wii Remote e Nunchuck, uma combinação que buscava deixar tudo mais natural e intuitivo, mas que muitos na época repudiaram. Nesta remasterização em HD, há diferentes opções de controle. É possível imitar o sistema original, usando os controles Joy Cons assim, bem como há também a opção de jogar de modo mais tradicional, utilizando o Pro Controller ou os próprios Joy Cons em um configuração semelhante às dos demais jogos da franquia. Tal mudança pode parecer pequena, mas traz consigo um aumento significativo da qualidade de vida do jogador, além de tornar o título mais acessível pelo simples fato de oferecer opções de jogo, algo infelizmente ainda pouco comum em jogos da Nintendo.

Ainda sim, o novo sistema de controle tem seus problemas. O mapeamento dos botões é imperfeito e exige uma boa dose de adaptação no início da jogatina. Ações como mover a câmera e lidar com certos inimigos que exigem um manejo mais tátil da espada e do escudo são notavelmente mais difíceis com o uso da configuração alternativa. Contudo, para muitos, esta ainda será a melhor forma de controle, ao invés de depender do sistema de sensores e da combinação de botões e movimentos com o uso dos Joy Cons.

Com controles e gráficos atualizados para a geração atual dos consoles da Nintendo e em um ano sem outros lançamentos da série, The Legend of Zelda: Skyward Sword HD se destaca como um ótima escolha para aqueles que desejam retornar ao universo fantástico de Link e cia. ou conhecer uma aventura que, infelizmente, poucos tiraram proveito em seu lançamento original. Mais linear que Breath of The Wild, mas trazendo muitos elementos que certamente o inspiraram, o remaster de Skyward Sword mantém o que faz a franquia ser tão especial e corrige erros do passado que, felizmente, quase desapareceram por completo nesta edição.

The Legend of Zelda: Skyward Sword HD está disponível exclusivamente para o Nintendo Switch.

 

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Review: Mass Effect Legendary Edition

GAMES
16:32 | Ago. 15, 2021
Autor Davi Rocha
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Davi Rocha Autor
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Tipo Opinião

Músicas antigas tornam-se hinos, filmes, tornam-se clássicos. Infelizmente, quando o assunto é videogame, um jogo dificilmente consegue resistir ao teste do tempo. O que é a melhor experiência interativa da atualidade pode parecer totalmente ultrapassado e “cringe” em poucos anos. Os três primeiros jogos da franquia Mass Effect — tidos por muitos como uma das melhores trilogias gamers de todos os tempos — não são exceção a essa regra e há tempos pediam por uma merecida recauchutada. Mass Effect Legendary Edition é mais do que uma nova demão de tinta, contudo. É um conjunto de atualizações e melhorias que traz a série original da BioWare ao presente e ilumina o seu futuro também.

Mesmo em seu lançamento, em 2007 o primeiro Mass Effect já exibia alguns defeitos e demonstrava características comuns em novas propriedades intelectuais no meio gamer. Era um diamante bruto que ganhou mais destaque pelo seu enredo e elenco diverso e interessante do que por seus gráficos ou sua jogabilidade. Em Legendary Edition, o título recebeu enorme atenção e é absolutamente superior à versão original. Mass Effect 2 e 3 também exibem melhorias nesta nova versão, e porém de modo mais singelo.

Mass Effect Legendary Edition: comparação entre antiga e atual versão
Mass Effect Legendary Edition: comparação entre antiga e atual versão (Foto: Divulgação)

A nova edição do primeiro Mass Effect elimina a restrição de armas baseadas na classe de cada personagem, além de melhorar significativamente a interface de jogo, tornando-a mais minimalista e alinhada com o design dos jogos subsequentes. A interface da mira de todas as armas também foi reformulada e agora é mais precisa e confiável.

Outro ponto de reclamação de vários jogadores em Mass Effect 1 era o quão difícil de manejar e confuso eram os controles e o comportamento do veículo Mako. Além de parecer ter gás hélio em suas rodas, a integridade física do transporte variava muito e, em momentos, parecia super resistente, enquanto em outros, era frágil como uma folha de papel. Mako agora é muito mais fácil de manejar e se comporta como um veículo espacial mais adequado para o cenário em que é usado. Ainda há uma certa complexidade em seu movimento (afinal, dirigir em baixa gravidade não deveria ser simples), mas controlá-lo tornou-se muito mais agradável do que antes.

Em relação aos 3 jogos incluídos no pacote, houve melhorias visuais em todos eles. Todos os títulos podem ser rodados em até 120 quadros por segundo nos consoles mais potentes e podem exibir texturas em até 4K de resolução. Ademais, ao primeiro Mass Effect são acrescidos um novo sistema de iluminação e novos modelos para alguns personagens, como a versão feminina do protagonista, que agora é o mesmo modelo encontrado em Mass Effect 3. Além disso, os tempos de carregamento de todos os jogos foram aprimorados, tornando as intermináveis viagens de elevador, que escondiam os “loadings” em outrora, completamente opcionais.

Mass Effect Legendary Edition: comparação entre antiga e atual versão
Mass Effect Legendary Edition: comparação entre antiga e atual versão (Foto: Divulgação)

Além da redução dos tempos de carregamento, outro fator de aumento da conveniência trazido em Legendary Edition é a presença de todas as expansões vendidas separadamente para as versões originais. Essa é uma enorme quantidade de conteúdo extra que chega a pesar quase tantos gigabytes de dados quanto os jogos base. O único DLC que ficou de fora da coletânea foi o conjunto de missões da Pinnacle Station do primeiro Mass Effect, uma vez que o código-fonte desta expansão foi perdido pela equipe original de desenvolvimento. Infelizmente, outra perda foram os modos multijogadores de Mass Effect 3. A ausência destes, contudo, não afetará o sistema que, originalmente, acumulava pontos nas partidas online que aumentava as chances de sucesso da missão final da porção single player do título.

Apesar de um coletivo muito bem vindo de melhorias, os três Mass Effect contidos em Legendary Edition ainda retém muitos elementos de seus tempos. A sincronia labial da dublagem é sofrível, quando comparada ao resultado obtido por jogos mais modernos e algumas animações ainda mantêm aquela dureza e falta de fluidez tão comum em games tridimensionais dos tempos do Playstation 3 e Xbox 360. Nestes quesitos, será difícil alguém que não jogou os títulos originais ser enganado a achar que estes são jogos desenvolvidos com base nos consoles mais avançados da atualidade.

A trilogia original de Mass Effect é um dos pontos altos da primeira geração de consoles a investir em gráficos em resolução Full HD. Milhões de jogadores ao redor do mundo retém boas lembranças de cada um dos três títulos e muitos outros poderão, a partir de agora, aproveitar com maior qualidade e comodidade a saga do Comandante Shepard e sua tripulação contra a ameaça dos Ceifadores. Mass Effect Legendary Edition é tudo que podemos esperar de uma edição definitiva. Além de resolver diversos problemas - principalmente do título original - acrescenta mudanças que melhoram a qualidade de vida e o aproveitamento do excelente enredo presente. Em um arco narrativo que envolve 3 jogos diferentes, diversos personagens e inúmeras escolhas que impactarão o destino do universo ao seu final, é excepcional poder experienciar tudo isso com toda a qualidade e valor que a franquia Mass Effect merece.

Mass Effect Legendary Edition está disponível para o Playstation 4 e 5, Xbox One, Xbox Series X|S e para o PC.

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