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REVIEW: Monster Hunter que não é Hunter? Calma, não é golpe.

Com uma mudança significativa no gênero do jogo, o spin-off dá uma outra perspectiva na série

21:11 | 07/07/2021
Monster Hunter Stories 2 estreia no Nintendo Switch e no PC (Windows) (Foto: Capcom/Reprodução)
Monster Hunter Stories 2 estreia no Nintendo Switch e no PC (Windows) (Foto: Capcom/Reprodução)

Todo novo lançamento de Monster Hunter gera um frenesi entre os fãs da franquia. Novos monstros, um novo cenário, mecânicas novas, atualização do arsenal de armas com novos movimentos e muito, muito conteúdo para horas e horas de diversão.

A franquia se tornou uma das mais populares da Capcom e praticamente criou um subgênero conhecido em alguns lugares como monster hunting game, onde o foco do gameplay é a caçada de monstros. Entram aí jogos como God Eater, Soul Sacrifice, Freedom Wars e mais recentemente Dauntless.

Veteranos sabem que o foco da série não é em exploração, roteiro e diálogos, mas sim em momentos épicos de batalha e a repetição exaustiva de caçadas para fabricar novas armas e armaduras. Talvez seja este um dos maiores debates que sempre rondam a série: Trata-se de um RPG de ação ou de um jogo de ação com elementos de RPG? Mas isso pouco importa.

Monster Hunter Stories bota essa discussão totalmente de lado: a subsérie que já vai em sua segunda iteração é um RPG com todas as letras, e um belo exemplar de RPG de turno japonês. E mais: você não é exatamente um “Hunter”, um caçador, você um “Rider”, um montador. Isso é só o começo das liberdades que só poderiam existir em um spin-off de Monster Hunter.

O primeiro Stories sofreu um pouco com as limitações técnicas do 3DS, em especial resolução, apesar de ter recebido uma versão para mobile com mais potência, já que alguns smartphones são bem robustos. Mesmo assim, era um jogo bonito, com arte marcante, misturando elementos tribais tradicionais da franquia com um estilo de anime, muito bem-produzida para as plataformas que foi lançado.

Monster Hunter Stories 2 estreia agora no Nintendo Switch e no PC (Windows) com mais poder à disposição e eleva o nível desta subfranquia, tanto com desempenho gráfico maior e mais bonito, como também áreas maiores e mais abertas.

Stories se aproxima muito de jogos como Shin Megami Tensei e Pokémon. Na pele de um personagem principal, você deve encontrar novos monstros companheiros que irão lutar ao seu lado. É bom ter essas duas franquias em mente, porque se o gameplay se assemelha mais a Shin Megami Tensei, a direção de arte é bem mais Pokémon, ou outros RPGs similares modernos, como a série Yokai Watch.

Em seus primeiros momentos a apresentação da história introduz o jogador à cultura da ilha de Hakolo, cujo protetor, o Ratha Guardião, desapareceu durante a noite do festival. Eventos estranhos têm acontecido e o Chefe Gara precisa que os montadores investiguem o quanto antes. E assim, um novo montador ou montadora irá partir nesta grande aventura que envolve as “Asas da Ruína”, como já diz o subtítulo de Stories 2.

É assim de forma muito parecida com muitos animes “shounen” que começa a jornada do jogador pela ilha de Hakolo.

Como é já tradicional na franquia de Monster Hunter, o centro das atenções são os monstros. Se na franquia principal eles são os grandes desafios e chefes a serem derrotados, aqui em Stories eles também passam a ser valiosos e estimados aliados, pois coletar ovos, chocá-los e treinar seus monsties (como são chamados os monstros domesticados) faz parte da experiência principal do jogo.

Fora de batalha, muita coisa se assemelha à franquia principal. Você irá coletar recursos como ossos, minérios, cogumelos e plantas, dentre tantos outros já conhecidos do público, como também irá pegar missões com pessoas e no quadro de missões das vilas. Mas diferente do Monster Hunter clássico em que você somente vai para o local da missão e volta para a vila ao concluí-la, em Stories há um mundo aberto para você explorar, com cavernas, florestas e demais áreas a serem descobertas e vasculhadas, com baús de tesouro, monstros selvagens e ovos de monstro a serem coletados.

Dentro da batalha, que segue o padrão de jogos de turno de RPG, a fórmula clássica de escolher ações e vê-las acontecer é sacudida com ideias bem dinâmicas. Um sistema de “pedra-papel-tesoura” aproveita o tema para criar confrontos diretos envolvendo atacantes simultâneos. O vencedor da disputa recebe menos dano, cancela efeitos especiais e causa mais dano ao oponente.

Outros elementos dão mais profundidade e dinamismo às batalhas, tudo perfeitamente harmonioso em matéria de mecânicas e temática. Inspirados na franquia principal, os combates possuem quebra de partes de monstros grandes, danos elementais que intensificam a estratégia, e tipos de arma que são mais ou menos eficazes contra monstros específicos, ou partes deles.

A progressão do jogo usa em parte conceitos clássicos de RPG como níveis do montador e dos monstros, mas também possui inúmeros outros elementos novos e “velhos”. Genes e raridade dão mais complexidade aos ovos e monstros, mudando suas habilidades inatas e adquiridas com níveis. Já os itens coletados tanto nos combates como na exploração são utilizados para fabricar e aprimorar armas e armaduras, tal qual ocorre no Monster Hunter original. Esse sistema híbrido e adaptado traz sensação de familiaridade, mas também de novidade aos fãs da série de longa data.

E como já está virando padrão na série, a Capcom investiu na localização do jogo para o idioma nacional. Os diálogos estão muito bem localizados, com boas adaptações de trocadilhos, piadas e a própria personalidade do elenco coadjuvante. A nomenclatura de armas, monstros, itens e demais convenções da série mantém o padrão estabelecido no Monster Hunter World lançado em 2018. Ainda há alguns termos que soam incorretos ou esquisitos no português, mas a compreensão do sistema e da história está mais do que garantida.

Com um roteiro infantil e leve, gameplay acessível e simples sem perder profundidade, e localização em PT-BR, Monster Hunter Stories 2 adiciona uma imensa dose de fofura aos icónicos monstros da série, resultando em um título recomendável para todas as idades. É uma entrada na série perfeita para cativar crianças que, futuramente, podem vir a se tornar grandes caçadores na franquia principal. E se você já experimentou Monster Hunter mas não curtiu a fórmula tradicional, experimenta o que a Capcom fez em Stories, pois o foco na aventura é algo que muita gente vai valorizar. Boa caçad-digo, boa jornada!

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruins está disponível para Nintendo Switch e para PC (Windows/Steam).