Apesar de o cinema ser considerado ótimo do ponto de vista de projeção, som, conforto e facilidade de acesso, ele não atrai o consumidor
04/09/2008 14:53
Mais da metade dos brasileiros das grandes cidades (52%) não têm o hábito de ir ao cinema. Porém 95% declaram que assistem a filmes com freqüência. Onde? Do total de entrevistados, 39% assistem aos filmes na TV ou no DVD; 10% vêm só na TV; e 38% assistem em TV, DVD e cinema. Apesar de o cinema ser considerado ótimo do ponto de vista de projeção, som, conforto e facilidade de acesso, ele não atrai o consumidor.
É o que revela a pesquisa de opinião qualitativa e quantitativa realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro. A pesquisa buscou conhecer os hábitos de consumo no universo do entretenimento, com foco no cinema, e identificar os perfis dos freqüentadores, potenciais e os não freqüentadores.
O DVD é a preferência de 44% dos entrevistados na hora de assistir a um filme. Cinema fica em terceiro lugar com 23% da preferência, atrás da TV com 25%. Quando o entrevistado tem TV por assinatura, os números mudam. Do total, 38% elegem a TV paga, 30% o DVD, e o cinema continua em terceiro lugar, com 29%.
Comparado com outras atividades de lazer, o cinema está em terceiro lugar no gosto dos brasileiros das grandes cidades. Assistir a DVD em casa tem 20% da preferência do público. Depois, o eleito é assistir a filmes na TV aberta (14%) e, em seguida, passear no shopping (10%). Apenas 8% dos entrevistados disseram que ir ao cinema é o que mais gostam de fazer.
A pesquisa traz ainda outros dados reveladores sobre o gosto e os hábitos de consumo dos brasileiros: 56% preferem assistir a filmes dublados no cinema, contra 37% que preferem legendados. Os demais não têm preferência, declararam que não assistem ou não sabem dizer.
Os freqüentadores de cinema são jovens (12 a 18 anos), principalmente solteiros e estudantes; e pertencem às classes A e B. Onde o cinema tem mais potencial de crescimento é entre o público feminino, mais velho e pertence à classe C.
Existe um consenso de que cinema é um programa a ser compartilhado, e raramente se vai sozinho. Além disso, a ida ao cinema está associada ao consumo de pipoca e refrigerantes. Para os pesquisados, a razão de o ingresso ser caro é o crescimento do número de pessoas que usam a meia-entrada – o que encareceu o preço da cheia – e os custos de manutenção das salas e de produção do filme.
Mesmo assim, os entrevistados indicam o cinema como um dos programas mais baratos. Comparado com o ingresso da peça de teatro, o cinema é considerado mais barato ou muito barato por 41% das pessoas. Já em comparação com shows de música, 53% consideram barato ou muito barato. Em relação às casas noturnas, esse percentual é de 43%.
Filme brasileiro ganha nota máxima de 21% dos entrevistados
Para 62% das pessoas, o filme brasileiro melhorou nos últimos cinco anos. O resultado fica patente na entrevista: 86% consideram os filmes nacionais ótimos, bons ou regulares. Em comparação com os filmes estrangeiros, a diferença é pífia: 90%.
A pesquisa pediu aos entrevistados para darem notas de grau de interesse pelos filmes nacionais, sendo a pior 1 e a melhor, 5. Vinte e um por cento dos entrevistados deram nota 5, 20% deram nota 4 e 24% deram nota 3. Ou seja, 65% dos entrevistados têm grau de interesse médio ou alto pelos filmes brasileiros.
Filmes Piratas
A tecnologia não é mais uma questão que diferencie o cinema do filme em casa a ponto de fazer com que o consumidor se decida por comprar o ingresso. Ele prefere o conforto de casa. São apontados como fatores contra o cinema e a favor da casa: o custo do programa (associado a sair para comer e beber, preço do estacionamento do shopping e outros), o serviço dos cinemas, o fato de poder reunir várias pessoas com o custo de uma só cópia pirata, a qualidade das TVs e equipamento de home theatre. Quarenta e três por cento declarou que costuma comprar DVDs piratas (10% uma vez por semana, 7% quinzenalmente e 15% mensalmente).
E como esse público - que vai ao cinema uma vez ao ano – faz sua escolha? O público leva em conta, em primeiro lugar, a história (38%), depois o elenco (20%), o gênero (12%), ter sido indicado por outras pessoas (8%), ser um filme sobre o qual estão falando (6%). O interessante é descobrir o peso real da crítica: apenas 6% indicam que escolhem filmes que tiveram boas críticas na imprensa.
O hábito de ir ao cinema vem desde criança. O público entrevistado foi dividido entre freqüentadores, potenciais e não freqüentadores. Na média, 18% dizem que costumavam ir ao cinema com os pais. Entre os freqüentadores, esse índice sobe para 26%. O interessante é que esses freqüentadores repetem o comportamento com os filhos: 68% deles dizem que levam as crianças ao cinema. Enquanto a média geral é de 34%.