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Moda & Beleza
DEBATE

Na contramão da "moda descartável"

20:22 | 26/05/2017

Fernanda Yamamoto participou nesta sexta-feira, 26, de um talk show dentro da programação do Dragão Pensando Moda (Mateus Dantas / O POVO)
 

A moda, mesmo quando o assunto é mercado, deve ser pensada para além de automatismos. É o que defende Fernanda Yamamoto, estilista paulista que participou nesta sexta-feira, 26, de talk show dentro da programação do Dragão Pensando Moda.

“Nesse tempo acelerado que a gente vive, a gente quer sempre resultado imediato, tudo é automático, a moda hoje é essa moda descartável e rasa”, criticou a designer, que busca alternativas para tornar a produção de indumentária um processo “mais humano”. Ela é idealizadora do projeto Histórias Rendadas, que reúne artesãs do Cariri paraibano que trabalham com a técnica da renda nascença. Fernanda desfila no São Paulo Fashion Week desde 2010.

Para a estilista, porém, o contato com essas profissionais do artesanato precisa ser pautado na valorização e não na exploração. “Muitas artesãs eram desconfiadas. E com propriedade, porque já aconteceram muitos casos de estilistas que as pressionam por um prazo que não é o delas e efetivamente não havia troca com elas”, apontou, destacando que as artesãs “ganham muito pouco” e levantando a discussão sobre precificação dessas profissionais. “É importante pensar: o que fica para as artesãs?”, questionou.

Fernanda completou: “O artesanato é um patrimônio imaterial e tem que ser tratado como tal. Precisa existir uma política pública para manutenção e valorização disso”. Além do bate-papo com a paulistana, houve ainda palestra com o tema "A matéria-prima da moda", mediada por Eduardo Motta, consultor do Senac, e com participação de Mariana Marques, da marca Catarina Mina, e Flavia Vanelli, do Estúdio Rato Rói.

RENATO ABê