Tecnologia
JAVA X .NET
A outra batalha
A rivalidade entre o Windows e o Linux já é famosa. Mas existe outra luta silenciosa sendo travada, dessa vez entre a plataforma Java e a chamada .NET, esta última também da Microsoft
Sílvio Mauro
da Redação
23 Abr 2007 - 00h30min
Para muitos usuários domésticos de computadores, os programas que rodam em suas máquinas precisam apenas exercer bem suas funções, não importando de onde eles tenham vindo ou quem os fabricou. Nos bastidores do mundo da computação, no entanto, uma guerra de desenvolvedores é travada há vários anos, com batalhas diárias pela preferência dos consumidores. Um exemplo disso é a disputa entre os sistemas operacionais Linux e Windows. Entre os profissionais de computação, existe outra rivalidade, desta vez envolvendo a linguagem Java, criada em 1995 pela empresa Sun Microsystems e "adotada" por várias outras corporações, e a plataforma .NET, de propriedade da Microsoft.
Da mesma forma que o Linux, também o Java chega a despertar paixões entre alguns usuários. Mas, nesse caso, os argumentos são bem mais racionais e práticos, principalmente para os programadores e analistas da área de Tecnologia da Informação (TI): um ambiente em Java significa, na maior parte das vezes, mais portabilidade (capacidade de migrar) entre diferentes tipos de componentes de hardware - como computadores, impressoras e dispositivos móveis, o que facilita muito a vida dos profissionais.
"O único ambiente em que você encontra algo parecido com o Java em termos de quantidade de pessoas envolvidas em uma comunidade é o Linux. Nesse ponto eles são parecidos com o Java, não estão ligados a um único produto de um único fornecedor", afirma Fernando Lozano, bacharel em Informática pela UFRJ e arquiteto de soluções na Neki Technologies, empresa especializada em soluções para a plataforma Java.
A explicação para a preferência está no modo como a linguagem foi desenvolvida. Criado para rodar não apenas em computadores mas em vários outros dispositivos, o Java é diferente por causa de um aplicativo chamado Máquina Virtual. Enquanto outras linguagens são traduzidas de vocábulos inteligíveis para os programadores em um código chamado Assembler (também conhecido como linguagem de máquina), formado por instruções que dão ordens diretamente aos componentes eletrônicos, o Java é lido pela Máquina Virtual. É esta, por sua vez, que irá se comunicar com cada equipamento.
Com a entrada do Java no mercado, cada fabricante tratou de desenvolver a sua própria Máquina Virtual. Com isso, o mesmo programa criado para rodar em um micro pode ser executado em celulares, caixas eletrônicos e robôs, por exemplo. A única coisa que muda são as aplicações - não se pode mandar um caixa eletrônico andar nem é possível sacar dinheiro de um celular, por exemplo. Mas a linguagem é exatamente a mesma. Impossível não ganhar a simpatia dos desenvolvedores, que não precisam gastar horas em manuais aprendendo comandos de novas linguagens a cada mudança de máquina ou ambiente de trabalho.
Já para os usuários finais, as vantagens do Java podem não ser tão aparentes, mas os aficionados garantem que elas existem. Clavius Tales, coordenador do Java Users Group do Ceará (Cejug), afirma que um exemplo recente foi o programa de declaração de Imposto de Renda desse ano. Criado em Java, ele foi feito para ser executado em qualquer sistema operacional, sem restrições. Fernando Lozano aponta outra aplicação prática, dessa vez nos celulares. Muitos jogos que rodam nesses aparelhos são desenvolvidos em Java. E como a linguagem é independente do equipamento onde é executada, é possível baixar qualquer jogo em qualquer celular sem se preocupar se ele vai funcionar bem ou não. "Se você faz um jogo, ele vai rodar em qualquer celular que tenha (Máquina Virtual) de Java", diz.
Outra aplicação em que o Java tem sido o preferido e que vai chegar diretamente nos consumidores é um aparelhinho que daqui a algum tempo estará em boa parte dos lares de consumidores do País: o set top box, conversor que irá receber o sinal da TV digital e adaptá-lo para os televisores analógicos. Carlo Giovano Pires, gerente técnico do Instituto Atlântico, informa que muitos devem vir rodando Java.
Ele ressalta ainda que cerca de 90% dos chips GSM dos celulares adotaram a linguagem como padrão - um dos motivos que explicam a facilidade com que eles se adaptam a qualquer aparelho, independentemente do fabricante.
O desafio dos aficionados do Java, que em todo mundo se reúnem em grupos de usuários, é difundir cada vez mais a plataforma Java, que além da portabilidade tem ainda como ponto positivo a adesão de fabricantes e desenvolvedores da comunidade de software livre. Isso faz com que não só as máquinas mas também as aplicações, domésticas ou de empresas, se comuniquem bem com a linguagem - enquanto na .NET, da Microsoft, isso seria limitado ao conjunto de programas, aplicações e equipamentos da empresa de Bill Gates ou os autorizados por ela.
Assim como acontece na briga entre o Linux e o Windows, as diferenças entre Java e .NET também despertam opiniões apaixonadas. Principalmente entre os que defendem o fim dos softwares proprietários e o acesso livre a todas as informações contidas no código fonte das aplicações - vertente que ganhou ainda mais força com a popularização da Internet. Quem vai vencer essa batalha, só o futuro dirá.
Da mesma forma que o Linux, também o Java chega a despertar paixões entre alguns usuários. Mas, nesse caso, os argumentos são bem mais racionais e práticos, principalmente para os programadores e analistas da área de Tecnologia da Informação (TI): um ambiente em Java significa, na maior parte das vezes, mais portabilidade (capacidade de migrar) entre diferentes tipos de componentes de hardware - como computadores, impressoras e dispositivos móveis, o que facilita muito a vida dos profissionais.
"O único ambiente em que você encontra algo parecido com o Java em termos de quantidade de pessoas envolvidas em uma comunidade é o Linux. Nesse ponto eles são parecidos com o Java, não estão ligados a um único produto de um único fornecedor", afirma Fernando Lozano, bacharel em Informática pela UFRJ e arquiteto de soluções na Neki Technologies, empresa especializada em soluções para a plataforma Java.
A explicação para a preferência está no modo como a linguagem foi desenvolvida. Criado para rodar não apenas em computadores mas em vários outros dispositivos, o Java é diferente por causa de um aplicativo chamado Máquina Virtual. Enquanto outras linguagens são traduzidas de vocábulos inteligíveis para os programadores em um código chamado Assembler (também conhecido como linguagem de máquina), formado por instruções que dão ordens diretamente aos componentes eletrônicos, o Java é lido pela Máquina Virtual. É esta, por sua vez, que irá se comunicar com cada equipamento.
Com a entrada do Java no mercado, cada fabricante tratou de desenvolver a sua própria Máquina Virtual. Com isso, o mesmo programa criado para rodar em um micro pode ser executado em celulares, caixas eletrônicos e robôs, por exemplo. A única coisa que muda são as aplicações - não se pode mandar um caixa eletrônico andar nem é possível sacar dinheiro de um celular, por exemplo. Mas a linguagem é exatamente a mesma. Impossível não ganhar a simpatia dos desenvolvedores, que não precisam gastar horas em manuais aprendendo comandos de novas linguagens a cada mudança de máquina ou ambiente de trabalho.
Já para os usuários finais, as vantagens do Java podem não ser tão aparentes, mas os aficionados garantem que elas existem. Clavius Tales, coordenador do Java Users Group do Ceará (Cejug), afirma que um exemplo recente foi o programa de declaração de Imposto de Renda desse ano. Criado em Java, ele foi feito para ser executado em qualquer sistema operacional, sem restrições. Fernando Lozano aponta outra aplicação prática, dessa vez nos celulares. Muitos jogos que rodam nesses aparelhos são desenvolvidos em Java. E como a linguagem é independente do equipamento onde é executada, é possível baixar qualquer jogo em qualquer celular sem se preocupar se ele vai funcionar bem ou não. "Se você faz um jogo, ele vai rodar em qualquer celular que tenha (Máquina Virtual) de Java", diz.
Outra aplicação em que o Java tem sido o preferido e que vai chegar diretamente nos consumidores é um aparelhinho que daqui a algum tempo estará em boa parte dos lares de consumidores do País: o set top box, conversor que irá receber o sinal da TV digital e adaptá-lo para os televisores analógicos. Carlo Giovano Pires, gerente técnico do Instituto Atlântico, informa que muitos devem vir rodando Java.
Ele ressalta ainda que cerca de 90% dos chips GSM dos celulares adotaram a linguagem como padrão - um dos motivos que explicam a facilidade com que eles se adaptam a qualquer aparelho, independentemente do fabricante.
O desafio dos aficionados do Java, que em todo mundo se reúnem em grupos de usuários, é difundir cada vez mais a plataforma Java, que além da portabilidade tem ainda como ponto positivo a adesão de fabricantes e desenvolvedores da comunidade de software livre. Isso faz com que não só as máquinas mas também as aplicações, domésticas ou de empresas, se comuniquem bem com a linguagem - enquanto na .NET, da Microsoft, isso seria limitado ao conjunto de programas, aplicações e equipamentos da empresa de Bill Gates ou os autorizados por ela.
Assim como acontece na briga entre o Linux e o Windows, as diferenças entre Java e .NET também despertam opiniões apaixonadas. Principalmente entre os que defendem o fim dos softwares proprietários e o acesso livre a todas as informações contidas no código fonte das aplicações - vertente que ganhou ainda mais força com a popularização da Internet. Quem vai vencer essa batalha, só o futuro dirá.
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