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DESVENDANDO O MICRO
Conte com o personal trainer
A dificuldade que algumas pessoas leigas têm para lidar com o universo da informática vem mantendo uma atividade que é, muitas vezes, a salvação para gente que não tem sequer a coragem de ligar o micro. São os instrutores pessoais, profissionais que vão até a casa dos alunos para mostrar como usar os equipamentos digitais

26/11/2006 22:08

Até um ano atrás, o bancário aposentado Wellington Vasconcelos, de 72 anos, tinha o computador de casa mais como entulho que utensílio doméstico. Ele lembra que o equipamento ficou tanto tempo parado que, quando tentou "ressuscitá-lo", foi preciso levar para a assistência técnica e mudar alguns componentes que já tinham ficado ultrapassados. A sua relação com a informática, no entanto, mudou quando descobriu através de um anúncio no jornal a instrutora Mônica Gadelha, que viria se tornar uma espécie de "personal trainer" do mundo digital para ele.

Hoje, Wellington usa o micro diariamente, perdeu completamente o medo e diz se valer até da experiência com máquinas de escrever dos tempos de banco para demonstrar agilidade no teclado do computador. Mas continua tendo uma aula por semana, para se manter em dia. "Aparecem muitas novidades nessa área e ela está sempre a par", explica.

Apesar de a informática estar cada vez mais acessível e os programas amigáveis, não faltam leigos em busca de ajuda para usar o computador. E as tarefas vão desde procedimentos básicos, como ensinar a ligar a máquina, a tarefas um pouco mais elaboradas como configurar e-mail ou baixar arquivos da Internet. "Já encontrei clientes que tinham medo de chegar perto do computador e queimar alguma coisa", diz Ivoneide Silva, que há três anos trabalha como instrutora.

Entre os contratantes das aulas em domicílio, segundo ela, estão principalmente pessoas da terceira idade, aposentados que têm até conexão de banda larga em casa e um micro - muitas vezes moderno e cheio de recursos - ocioso. Ivoneide tem uma escola de informática e lembra que os primeiros a receberem as aulas personalizadas foram os pais dos alunos regulares da sua empresa.

De acordo com as instrutoras, aulas sobre programas mais populares do mercado, como Windows, Internet Explorer, Messenger e Office, são as mais procuradas. Mas Mônica ressalta que a ajuda para instalação de equipamentos, como webcams e scanners, também estão entre suas atribuições. Ela afirma que só não auxilia os alunos em caso de defeito no hardware. Nessas situações, a solução é indicar um profissional especializado em manutenção.

Além do conhecimento técnico, Ivoneide ressalta que os instrutores pessoais também precisam, por causa da pouca familiaridade que os alunos mais idosos têm com o universo da informática, de sensibilidade para acompanhar o ritmo de cada um, que é muito diferente do usual dos cursos regulares. "É necessário ter paciência para ensinar", afirma ela, que revela ter um aluno de 85 anos que só a partir das suas aulas começou a ter contato com computadores.

Apesar de ter havido dificuldades iniciais, a evolução dos alunos é prova de que não há idade limite para se familiarizar com as facilidades do mundo digital. Wellington lembra que quando começou a ter aulas para usar o micro, elas eram bem mais freqüentes e a visita da instrutora acontecia mais de uma vez por semana. Agora, cerca de um ano depois, uma hora e meia a cada sete dias já é suficiente. "Eu era totalmente analfabeto em computação. Hoje, estou mais tranqüilo", garante.



 
 
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