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TELINHA
Uma novela diferente
Com as mudanças que estão ocorrendo na forma de divulgação das informações que a Internet e a tecnologia digital estão proporcionando, um grupo de profissionais resolveu criar uma novela divulgada através de um blog. Os capítulos, além de vídeo, poderão ser veiculados em qualquer uma das mídias disponíveis na rede

Sílvio Mauro
da Redação

16/10/2006 00:36

Um jovem fotógrafo de classe média alta é seqüestrado em alguma cidade brasileira. Os bandidos, ao pressionar a família para receber o dinheiro do resgate, acabam revelando uma relação fria entre a vítima e o pai, a ponto de haver dúvidas se o pagamento vai ser feito, um dia. A história não tem nada de inovador: seqüestros, no Brasil, acontecem diariamente. E conflitos filiais existem desde que o mundo é mundo.

O que há de novo na novela "A casa caiu", na qual se passa a história do seqüestro, é que ela foi concebida para ser vista na Internet, mais precisamente a partir de um blog. Além disso, ela não vai ser exibida apenas através de vídeo: os capítulos podem vir em áudio, seqüência de fotos ou texto. "A gente quer aproveitar o fato da Internet oferecer várias possibilidades", explica Hélcio Brasileiro, publicitário que teve a idéia, classificada por ele como "blogovela".

O profissional afirma que a inspiração surgiu a partir do seu trabalho com "marketing viral" (ou "marketing de guerrilha"), que consiste em fazer publicidade através da imensa capacidade de propagação de informações proporcionada pelos meios de comunicação. Por isso, a intenção é fazer com a dramaturgia o que ele já faz com a publicidade. Hélio admite, no entanto, que ainda não existe fórmula definida sobre como será possível ganhar dinheiro com a blogovela.

"O que nós queremos é nos adiantar, nos preparar para o futuro que vem com a TV digital", esclarece Paulo Maranfon, diretor da novela. Ele lembra ainda que a tecnologia usada atualmente permite façanhas como a filmagem dos primeiros capítulos a um custo baixíssimo - em torno de R$ 600,00 -, já que ele mesmo está fazendo os trabalhos de editar e sonorizar tudo no computador de casa.

A equipe, formada por 20 pessoas, trabalhou quase de forma totalmente voluntária. E as locações se resumiram a poucos lugares e algumas cenas externas. Essa forma de produção, meio improvisada, lembra muito o mais famoso site de vídeos caseiros do mundo, o Youtube. E isto está longe de ser coincidência: ele é uma das principais referências de Hélcio e Paulo.

A forma de divulgação de imagens do site ainda não se mostrou viável economicamente, entretanto os mais de 600 milhões de acessos que o Youtube acumula desde a criação têm chamado cada vez mais a atenção das empresas. Tanto que o endereço foi comprado recentemente pelo Google por mais de US$ 1 bilhão. Segundo os criadores da blogovela, esse é um nicho de mercado ainda pouco explorado, até porque ainda não foram definidas formas concretas de ganhar dinheiro com ele.

"O modelo japonês de TV digital, que foi escolhido para o Brasil, prevê transmissão de vídeo pelo celular. Nós poderíamos vender conteúdo para as operadoras, por exemplo", acredita Hélcio. Outra forma de obter ganho com a tecnologia é através da inserção de pequenos anúncios antes da exibição dos vídeos, recurso que já existe em alguns exibidos pelo próprio Youtube.

Para quem quiser acompanhar a blogovela, os seus realizadores informam que o primeiro capítulo será exibido no próximo dia 30, no endereço www.acasacaiu.com.br. Atualmente, a página já está no ar, apenas com informações básicas sobre a história. Quando ela começar a ser exibida, os internautas poderão não só acompanhar os capítulos mas também obter informações sobre os personagens, o processo de produção e fazer comentários. Tudo como manda o figurino da tecnologia digital e da Internet, onde quem decide quase tudo é o espectador e não o exibidor.




 
 
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