Amanhã, 5,, O POVO traz o segundo fascículo da coleção Artistas Plásticos Cearenses. Desta vez, o foco é a vida e a obra do artista plástico Aldemir Martins, conhecido pela pintura de bichos, figuras humanas e paisagens nordestinas
04/10/2008 01:50

Meninos descalços, cangaceiros, frutos e flores. Aves, galos, galinhas, passarinhos, pavões e gatos. Em cores inebriantes, como se estivessem iluminadas pelo sol escaldante do Nordeste, as figuras parecem vindas das memórias da infância. A pintura de Aldemir Martins (1922-2006), nascido em Ingazeiras, distrito de Aurora, no Cariri, é imaginação de menino. Ora em telas pintadas com tinta a óleo, ora em desenhos feitos de nanquim. Com o traço singular do multipremiado artista, radicado em São Paulo, as criaturas e paisagens nordestinas ganharam dimensão universal. Um dos criadores da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (Scap), na década de 1940, Aldemir Martins é o tema neste domingo (5) do segundo fascículo da coleção Artistas Plásticos Cearenses, projeto que faz parte das comemorações dos 80 anos do O POVO.
A coletânea, organizada pelo pesquisador e ex-diretor do Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar (MAC), Ricardo Resende, foi lançada no último dia 28 com edição sobre Raimundo Cela (1890-1954). O projeto contempla ainda, pelos próximos domingos, Antônio Bandeira, Chico da Silva, Estrigas, Sérvulo Esmeraldo, Heloísa Juaçaba, Zé Tarcísio, Leonilson e Luiz Hermano. Ao todo, são 10 nomes representativos da arte do Ceará no século XX, que tiveram ou têm diálogo com obras nacionais e internacionais. Cada encarte contém biografia, fatos curiosos, imagens de obras e lista das principais exposições, além da reprodução de duas obras impressas em papel couchê fosco. No material deste domingo (5), estarão encartadas a reprodução das obras de Aldemir Martins Gato (2001) e Sem Título (1975). Esta última - um óleo sobre tela - traz um menino representado por tinta preta e estrutura desproporcional. O terceiro fascículo, do próximo dia 12, trará homenagem a Antonio Bandeira (1922-1967).
Desenhista desde a infância, Aldemir Martins foi viver em São Paulo em 1946. Foi lá onde montou a primeira exposição individual, no Instituto de Arquitetos do Brasil. Também cursou Hirtória da Arte, tornou-se monitor do recém fundado Museu de Arte de São Paulo (Masp) e conheceu Cora Pabst, que seria sua companheira por toda a vida. Ainda nos anos 1950, Aldemir fez viagens pelo sertão nordestino, que renderiam as primeiras séries de desenhos de rendeiras, cangaceiros, "paus-de-arara" e cavaleiros. Ilustrou poemas, contos e romances. Criou aberturas de telenovelas produzidas pela Rede Globo baseadas em obras homônimas de Jorge Amado. Inseriu sua obra em diversos suportes, desde a cerâmica, as embalagens de tinta, a lataria de carros, capas de livro e murais da cidade. "O Aldemir (Martins) é um dos nossos exemplos maiores do modernismo cearense, da geração de 40. É louvável essa permanência dele no imaginário da terra, sem perder os vínculos com a linguagem que ele escolheu para se expressar. Exatamente uma linguagem moderna, onde o expressionismo gráfico fala mais. O Aldemir no fundo é um desenhista. Ele tem no grafismo a sua maior expressão", explica o diretor do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc), Pedro Eymar. A instituição abriga, desde 1977, uma sala dedicada ao acervo do artista.
O ápice da carreira de Aldemir Martins foi em 1956, quando recebeu o prêmio de melhor desenhista internacional na 28° Bienal de Veneza. Em Fortaleza suas obras estão presentes em museus públicos e em coleções particulares, além do mural de pastilhas na passarela externa do Centro Dragão do Mar. Aldemir Martins morreu em 2006, em São Paulo, aos 84 anos de idade.
SERVIÇO
Artistas Plásticos Cearenses - Durante 10 domingos, desde o último dia 28, na compra do O POVO + R$ 6,90, adquiri-se um fascículo da coleção. Os fascículos seguem o formato 28 X 42,7 cm, impressos em papel Duo Designe Bob 350g/m2. Preço especial para assinantes da coleção completa: R$ 59,90 - sem taxa de entrega. Informações: 3254 1010.
OS FASCÍCULOS
Raimundo Cela (1890-1954) - O primeiro fascículo trouxe duas obras do cearense conhecido por representar o mar, o povo e o universo em volta dele. Já publicado: 28/9 (domingo passado)
Aldemir Martins (1922-2006) - Desta vez, o artista plástico nascido em Ingazeiras, no Vale do Cariri. A sua vasta obra, importante para o panorama das artes plásticas no Brasil, carrega a marca da paisagem e do homem do Nordeste. Publicação: 5/10 (amanhã)
Antônio Bandeira (1922-1967) - O renomado mestre da pintura abstrata brasileira - e também mestre das aquarelas - é o terceiro homenageado da coleção. Publicação: 12/10
Chico da Silva (1923-1985) - Seu estilo é considerado é incomparável. Seus desenhos surgiam de forma espontânea, como involuntários impulsos de sua imaginação. Chico não teve nenhuma influência de outros estilos nem muito menos de escolas de pintura. Publicação: 19/10
Estrigas (1919) - O artista Nilo Firmeza é morador do bairro Mondubim, em Fortaleza. Sua arte é versátil, no emprego e utilização de uma técnica apurada, onde o traço leve, a delicadeza da composição cromática que revelam o artista maduro, capaz de renovar-se. Publicação: 26/10
Sérvulo Esmeraldo (1929) - É um dos artistas brasileiros de maior projeção internacional. Seu rigor geométrico-construtivo e sua disciplina criativa colocaram seu nome em destaque a partir da década de 50. O artista luta continuamente pela divulgação da arte nordestina. Publicação: 2/11
Heloísa Juaçaba (1926) - A pintora, escultora, tapeceira, desenhista, gravadora nascida em Guaramiranga é a sétima homenageada pela coleção. Publicação: 9/11
Zé Tarcísio (1941) - Pintor, gravador, escultor, cenógrafo, figurinista e colecionador cearense. Sua obra mais famosa é Regando pedras, escultura que conquistou o Prêmio XXIII Salão Nacional de Arte Moderna, em 1974. Publicação: 16/11
Leonilson (1957-1993) - Nascido em Fortaleza, Leonilson mudou-se para São Paulo ainda pequeno, seguindo os rumos de sua família. Entrou no curso de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado e saiu sem terminá-lo para se tornar um dos expoentes da arte brasileira no final de século passado. Publicação: 23/11
Luiz Hermano (1954) - Natural de Preaoca, Luiz Hermano Façanha Farias faz desenhos, gravuras, pinturas, esculturas e, especialmente desde os anos 1990, trabalha com instalações. Radicado em Sïo Paulo, traz para sua obra fios metálicos, tramas aramadas, figuras mitológicas e reminiscências da infância. Publicação: 30/11