Vida & Arte
teatro
Temas de bar
Num ambiente de bar se desenrolam paixões, sonhos e devaneios. Esse é o mote para o espetáculo de conclusão de curso de artes cênicas do Cefet-CE, Majetic Bar
Angélica Feitosa
da Redação
10 Set 2008 - 01h03min
Amores, prazeres e sonhos. Frustração, dor e fuga. Na mistura desses sentimentos, saborosos e de dissabores, são encadeadas cenas de um ambiente que respira o ser humano. Um lugar converge meticulosamente o vigor de cadpara a sensação. Os atos começam com força e coragem trôpegas. Depois a mesma força e coragem, desta vez regadas a álcool, revelam um vigor talvez espantoso e de estranhamento, mesmo para os personagem presente no Majestic Bar. O lugar é fictício e dá nome ao espetáculo de conclusão de curso de Artes Cênicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará (Cefet-CE), em cartaz no teatro do Dragão do Mar. No palco, histórias curtas e independentes. O ponto em comum não está somente no lugar onde ocorrem. Mas, principalmente, no bar como um local de encontro e fuga de cada sentimento.
Como é comum em espetáculos de conclusão de escolas no Ceará, o diretor Sidney Souto teve de dirigir um batalhão. São 19 atores e dois músicos convidados para dar vida a um texto picotado, recortado de vários outros. Ficou ao cargo dos alunos identificarem, através de uma pesquisa, os textos e os aspectos que gostariam de trabalhar. Eles vão do teatro de Fernando Lira (professor do Cefet-CE) e André Amaro à literatura de Ignácio Loyola Brandão, Manuel Bandeira e Manuel de Barros, passando por uma fala do filme Estamira (de Marcos Prado).
O resultado é um texto por onde navegam três tipos de personagens: os reais, os representativos das ilusões e um coro de bufões - estes últimos convivem com o lado mais avesso da existência e se rebolam nos meios para reinventar a vida. "A idéia é trabalhar a noção do que se procura num bar, e não mostrar ou fazer apologia à bebida. As histórias conduzem ao delírio, à liberdade, aos jogos. As cenas se multiplicam sem lógica muito clara", explica o diretor.
O bar é incrustado de personagens como uma bailarina que busca a morte, uma cantora desacreditada, um homem sedutor e as mulheres que enganou. Para regar bem esse universo, o espetáculo usa músicas de teatro, como canções compostas pelo dramaturgo alemão Bertold Brecht. As canções não são coreogragadas e, sim, marcadas ritmicamente - com exceção de uma cena muito bem construída da briga entre duas mulheres por um homem aos passos de um tango tocado à sanfona e à guitarra. "Quando elas estão cantando, existe um movimento de tornar aquilo um pouco mais natural", aponta Sidney Souto. As próprias atrizes cantam ao vivo e não fazem feio - sem nenhuma bondade ou brecha por não serem cantoras. Apesar do grande elenco, o espetáculo raras vezes perde-se no direcionamento dos atores. Na maioria das cenas, o diretor soube encadear as histórias. Desse modo, as cenas seguem-se, embora soltas, compondo muito bem aquele ambiente e cada personagem se justifica em cena na maior parte do tempo.
O figurino e a iluminação são atrações à parte. O primeiro foi comporto pela estilista Ruth Aragão, professora do Cefet-CE. Predominante preto e vermelho, os trajes retratam a ambivalência do local, compondo-o com a força que as cenas merecem. A iluminação multiplica o cenário, feito basicamente por cadeiras, umas mesas dependuradas por fios, um palco e um caixote. A luz de Walter Façanha dá pompa à aparente simplicidade. O espetáculo ganha ares boêmios desde o princípio, com a produção muito bem elaborada.
O diretor Sidney Souto diz que é importante salientar o caráter pedagógico, do ensino e aprendizagem do espetáculo. Para além disso, encontramos a cada semestre espetáculos cada vez mais profissionais apresentados pelo curso de Artes Cênicas. A trajetória dos atores começa agora e, embora ninguém esteja pronto - se é que existe uma perfeita prontidão - os espetáculos apresentam-se cada vez mais bem cuidados, embora aqui e ali escorreguem principalmente por se tratar de tanta gente em cena. Ainda assim, um ponto é percebido em toda a montagem: respeito pelo público.
SERVIÇO
Majestic Bar. Espetáculo de conclusão do curso de Artes Cênicas do Cefet-CE. Às quartas e sextas de setembro, com exceção do dia 17, às 20 horas, no teatro do Centro Dragão do Mar. Gratuito. Informações: 3488 8600.
Como é comum em espetáculos de conclusão de escolas no Ceará, o diretor Sidney Souto teve de dirigir um batalhão. São 19 atores e dois músicos convidados para dar vida a um texto picotado, recortado de vários outros. Ficou ao cargo dos alunos identificarem, através de uma pesquisa, os textos e os aspectos que gostariam de trabalhar. Eles vão do teatro de Fernando Lira (professor do Cefet-CE) e André Amaro à literatura de Ignácio Loyola Brandão, Manuel Bandeira e Manuel de Barros, passando por uma fala do filme Estamira (de Marcos Prado).
O resultado é um texto por onde navegam três tipos de personagens: os reais, os representativos das ilusões e um coro de bufões - estes últimos convivem com o lado mais avesso da existência e se rebolam nos meios para reinventar a vida. "A idéia é trabalhar a noção do que se procura num bar, e não mostrar ou fazer apologia à bebida. As histórias conduzem ao delírio, à liberdade, aos jogos. As cenas se multiplicam sem lógica muito clara", explica o diretor.
O bar é incrustado de personagens como uma bailarina que busca a morte, uma cantora desacreditada, um homem sedutor e as mulheres que enganou. Para regar bem esse universo, o espetáculo usa músicas de teatro, como canções compostas pelo dramaturgo alemão Bertold Brecht. As canções não são coreogragadas e, sim, marcadas ritmicamente - com exceção de uma cena muito bem construída da briga entre duas mulheres por um homem aos passos de um tango tocado à sanfona e à guitarra. "Quando elas estão cantando, existe um movimento de tornar aquilo um pouco mais natural", aponta Sidney Souto. As próprias atrizes cantam ao vivo e não fazem feio - sem nenhuma bondade ou brecha por não serem cantoras. Apesar do grande elenco, o espetáculo raras vezes perde-se no direcionamento dos atores. Na maioria das cenas, o diretor soube encadear as histórias. Desse modo, as cenas seguem-se, embora soltas, compondo muito bem aquele ambiente e cada personagem se justifica em cena na maior parte do tempo.
O figurino e a iluminação são atrações à parte. O primeiro foi comporto pela estilista Ruth Aragão, professora do Cefet-CE. Predominante preto e vermelho, os trajes retratam a ambivalência do local, compondo-o com a força que as cenas merecem. A iluminação multiplica o cenário, feito basicamente por cadeiras, umas mesas dependuradas por fios, um palco e um caixote. A luz de Walter Façanha dá pompa à aparente simplicidade. O espetáculo ganha ares boêmios desde o princípio, com a produção muito bem elaborada.
O diretor Sidney Souto diz que é importante salientar o caráter pedagógico, do ensino e aprendizagem do espetáculo. Para além disso, encontramos a cada semestre espetáculos cada vez mais profissionais apresentados pelo curso de Artes Cênicas. A trajetória dos atores começa agora e, embora ninguém esteja pronto - se é que existe uma perfeita prontidão - os espetáculos apresentam-se cada vez mais bem cuidados, embora aqui e ali escorreguem principalmente por se tratar de tanta gente em cena. Ainda assim, um ponto é percebido em toda a montagem: respeito pelo público.
SERVIÇO
Majestic Bar. Espetáculo de conclusão do curso de Artes Cênicas do Cefet-CE. Às quartas e sextas de setembro, com exceção do dia 17, às 20 horas, no teatro do Centro Dragão do Mar. Gratuito. Informações: 3488 8600.
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