Publicidade

Jornal O POVO Leia o Jornal de Hoje


Vida & Arte

LITERATURA

Machado em linguagens

No dia 29, se fechará um centenário de despedida. Há exatos 100 anos, Machado de Assis morria em sua casa, no bairro carioca Cosme Velho


Diminuir a fonte do texto Aumentar a fonte do texto Indique esta notícia  Imprima esta notícia

09/09/2008 02:10

Machado de Assis será tema de várias atividades do CCBN (Banco de dados)
Clique para ampliar foto
Machado de Assis será tema de várias atividades do CCBN (Banco de dados)

Machado de Assis teve duas mortes. Na primeira, o corpo preservou-se. "Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo", escreveu ele ao amigo Joaquim Nabuco em 1904, aos 65 anos, quando sua esposa, Carolina Xavier Novaes, morreu. "Aqui me fico, por ora, na mesma casa, no mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. (...) Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará", finda o manuscrito. A espera de Carolina não tardou: quatro anos depois, morria novamente Machado de Assis e dessa vez, sim, seu corpo serviu de alimento aos vermes.

A efeméride é pretexto de rememorações em todo o país daquele que carrega a titulação de maior escritor brasileiro de todos os tempos. No Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), o mês é conduzido por uma programação gratuita, baseada em diversas linguagens que revisitam a literatura do fundador da Academia Brasileira de Letras. Desde ontem e até o dia 29, a obra machadiana é presença não somente em debates literários, mas em leituras dramáticas, discussões sobre artes cênicas e literatura, exibição de filmes, exposição e até uma gincana digital, em que internautas poderão concorrer a prêmios e testar seus conhecimentos sobre o escritor.

"O grande objetivo é para além da homenagem. A tentativa é de trazer ao público a obra de Machado através das diversas outras linguagens", define Carmen Paula, gerente-executiva do CCBNB- Fortaleza. Com base nisso, a programação começou ontem com uma gincana cibernética organizada pelo jornalista Augusto César Costa. Serão 130 perguntas no total, sendo seis disponibilizadas por dia e, ao final, os três primeiros colocados receberão prêmios. "O estímulo é para a pesquisa. Toda a obra de Machado de Assis já caiu em domínio público, pode ser localizada na rede. Nas perguntas, haverá dicas de livros ou contos e, através deles, as respostas poderão ser encontradas", aponta Augusto César.

Os contos de Machado de Assis transitam pela programação em dois momentos principais. No primeiro, o ator, diretor e dramaturgo Ricardo Guilherme encabeça com sua performance peculiar o programa Ouvir Dizer, de leitura dramática de contos machadianos. Num segundo momento, o professor de comunicação social das Faculdades Cearenses, Carlinhos Perdigão, lidera o programa Literatura em Revista, com o tema Machado de Assis: uma (re)visão a partir de seus contos.

"O conto em Machado é muito forte. Ele foi um grande contista, escreveu em torno de 200 contos que ainda têm um discurso válido e vigente e reflete um Brasil ainda atual", afirma Carlinhos Perdigão. Em discussão, as relações humanas como o adultério, a vaidade, o cinismo social. "Temas tão caros a Machado", como conduz Carlinhos Perdigão. Para o feito, o professor colheu três contos machadianos, A cartomante, Um apólogo, Missa do Galo e Último Capítulo. "Esse último é um conto menos conhecido, é um bilhete de um suicida, um narrador-personagem", explica o professor. Além deles, a análise se completa com uma crônica publicada por Machado na coluna Bons Dias, do jornal Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, em 19 de maio de 1988, poucos dias após a Lei Áurea. "Nessa crônica, encontramos a ironia machadiana e uma crítica ferrenha à hipocrisia que envolvia a libertação dos escravos".

O grande destaque da programação fica por conta do seminário avançado Machado de Assis - Guimarães Rosa: Travessias, que aproveita outra efeméride: o centenário de nascimento do mineiro autor de Grande Sertão: Veredas. A partir de hoje, 9, encontros de várias linguagens não se limitam à discutir as relações entre os dois escritores. A programação do seminário inclui debates entre os autores e seus contextos. Um exemplo disso será a palestra do dia 10, como tema Iracema e Capitu, construção e contemporaneidade de duas personagens do século XIX, com a professora de Letras da UFC, Ângela Gutiérrez.

O seminário avançado abre espaço para a exibição de vídeos sobre os autores, audição de contos, trechos de romances e depoimentos sobre Machado de Assis e Guimarães Rosa. Na quarta, 10, mais uma linguagem se encontra às comemorações: acontece a abertura da exposição Mire e veja, com livros de Machado de Assis e de objetos do século XIX, que contextualizam sua obra. O seminário avançado segue até sexta, 12, com oficina de leitura, debates e palestras. Os encontros contarão com a presença de da UFC, Uece, Unifor, UFMG e USP.


SERVIÇO:

>> Inscrições para a gincana nos site www.bnb.gov.br/cultura
>> Programa Ouvi dizer, leitura dramática de contos de Machado de Assis pelo teatrólogo Ricardo Guilherme, às 15h30min, no Centro Cultural Banco do Nordeste.
>> Seminário avançado de terça, 9, a partir das 10 horas, até sexta, 12.
>> Literatura em Revista, com o professor Carlinhos Perdigão apresentará o tema Machado de Assis: uma (re)visão a partir de seus contos, no dia 27 (sábado), às 18 horas.

EMAIS!
>> Na próxima semana, de 16 a 19, a professora Fernanda Coutinho ministrará o curso de apreciação de arte Por trás da máscara: o teatro na ficção de Machado de Assis. No encontro, uma melhor compreensão da obra machadiana, mediada pelos signos do universo cênico. Acontece das 14h30min às 17h30min.

>> Nos dias 25 e 26 (quinta e sexta), o premiado escritor e jornalista José Castello - biógrafo dos poetas Vinícius de Moraes e João Cabral de Melo Neto, do cronista Rubem Braga e do jogador Pelé - conduzirá a oficina Machado: a metafísica das miudezas, sempre de 13 às 19 horas. O objetivo da oficina é expandir a imaginação dos participantes através de pequenos exercícios de escrita, nos quais o importante não é "escrever bem" ou "escrever certo", mas encontrar o próprio estilo e a própria voz.

Leia mais sobre esse assunto


Compartilhe esta Notícia o que é isso?

  • Linkar esta matéria ao Delicious
  • Linkar esta matéria ao Menéame
  • Linkar esta matéria ao Technorati
  • Linkar esta matéria ao My Yahoo
  • Linkar esta matéria ao Bookmarks
  • Linkar esta matéria ao Rec6

Comentários



Adicionar O POVO como Página Inicial · Adicionar O POVO aos Favoritos · Política de privacidade · Assine · Publicidade · Contato