Vida & Arte
ESTRÉIA
Só?
Marcelo Camelo libera 10 das 14 músicas do primeiro disco solo, Sou, na internet. No álbum, participações de Dominguinhos, Mallu Magalhães e o grupo instrumental Hurtmold
Alinne Rodrigues
Especial para O POVO
08 Set 2008 - 01h10min
Liberdade. Essa parece ser a palavra de ordem da estréia solo de Marcelo Camelo, guitarrista e vocalista do grupo mais influente na música brasileira dos últimos 10 anos, o Los Hermanos. O caso de amor com o samba e o violão de cordas de nylon é antigo, mas nem toda a produção de Camelo era passível de virar um rock abrasileirado acompanhado por um naipe de metais. Ele, então, compunha e descartava e cedia a outros artistas. Maria Rita foi uma das agraciadas, regravando canções do grupo e lançando outras inéditas do compositor carioca.
Desde 4, último disco do quarteto Los Hermanos, lançado em 2005, as composições de Camelo apontavam para um caminho onde a guitarra perderia espaço para o violão, e o rock para o samba. Depois de o grupo ter as atividades suspensas pelos integrantes em junho do ano passado, Marcelo cuidou de produzir o disco do músico Bebeto Castilho, seu tio. Quem, então, esperava por uma estréia nessa vertente pode se surpreender: Sou tem a energia de quem faz o que tem vontade, a alegria de um artista que se vê completo na solidão.
Tocando sozinho, não há formato pré-determinado nem amarras. O artista dá lugar ao que bem entende. É a liberdade em Sou que faz dele um disco que deve ser ouvido. Nas lojas - quando ele sair, uma vez que a fábrica atrasou a entrega da primeira tiragem em cerca de dez dias -, o álbum provavelmente estará na prateleira de MPB. E, de fato, é desse gênero que ele mais se aproxima.
Há pouco mais de uma semana, Marcelo disponibilizou no Sonora, canal de música do portal Terra, 10 das 14 faixas do álbum para download gratuito. Independente, o músico inaugura, junto à carreira solo, o selo Zé Pereira, que, anteriormente, editava suas músicas no Los Hermanos. O lançamento já foi abraçado pelos fãs, mas divide opiniões entre a crítica.
Como todos os discos do grupo do qual fazia parte, é preciso ouvir Sou repetidas vezes até que surja um hit involuntário, grudento só a partir da terceira ou quarta audição. A candidata é Doce solidão, primeira música a ser liberada na Internet. Com apenas uma estrofe, o refrão foi substituído por um assovio. Tremendo bom gosto. As letras curtas, aliás, estão por todo o álbum. Passeando, terceira faixa, tem dois minutos, quase todos instrumentais, com violão.
Outra faixa de voz e violão é Janta, uma das preferidas dos hermanomaníacos. Os vocais são dividos por Marcelo e Mallu Magalhães, a estrela teen do folk no País. Marcelo não precisava convidar Mallu para ter o disco comentado, mas a participação da moça tornou tudo mais divertido. Quem também aparece em Sou é Dominguinhos, acompanhando na sanfona a música Liberdade - curiosamente apresentada ao público ainda na época do Los Hermanos.
Téo e a gaivota abre o disco e é responsável por antecipar todo o conteúdo restate. Introdução longa, cheia dos barulhinhos e experimentações do grupo Hurtmold - companheiro de Marcelo em várias das faixas -, letra curtinha, mistura de sons e mudanças de andamento em cinco minutos de música. Mas nem por isso esse é um disco difícil. As boas melodias continuam, os arranjos são bem pensados, e o Hurtmold cumpre bem o trabalho, imprimindo novas texturas sonoras e batidas diferenciadas.
Mais tarde é a mais parecida com o trabalho do Los Hermanos. As guitarras lembram o rock do quarteto, tanto pelos timbres quanto pelo vibrato nas notas que soa de vez em quando. No universo de ritmos de Sou, constam ainda um carimbó carioca, Menina bordada, e a marchinha de carnaval Copacabana, retomando o Pierrot de 1999, do primeiro disco da banda. Vida doce, a décima faixa, tem um balanço digno de Clara Nunes. O refrão é todo cantado em falsete, emulando uma voz feminina. Divertidíssimo.
Marcelo e Hurtmold optaram por gravar instrumentos e vozes ao vivo. Talvez por isso o disco tenha uma sinceridade inquietante, com a voz pequena de Camelo arriscando-se aonde não deveria ir - ousadia boa de quem sabe bem o que faz, colocando na praça um disco tecnicamente imperfeito, mas esteticamente admirável.
SERVIÇO
Sou (Zé Pereira/ Sony BMG, 2008) - Estréia solo do cantor e compositor carioca Marcelo Camelo, fundador do Los Hermanos. Participações: Hurtmold, Mallu Magalhães, Dominguinhos e Clara Sverner. 14 faixas. Com letras. Preço sugerido: R4 32. Dez faixas disponíveis para download grátis em http://callback.terra.com.br/marcelocamelo.
EMAIS
- Saiba o que andam fazendo os outros integrantes do Los Hermanos: www.loshermanos.com.br
- Outras informações sobre Marcelo Camelo: www.myspace.com/marcelocamelo
- Datas da primeira turnê solo de Marcelo Camelo:
19/9 - Recife, festival No Ar: Coquetel Molotov
28/9 - Salvador, Concha Acústica
4/10 - Juiz de Fora, Cine-Theatro Central
16/10 - Porto Alegre, Teatro do Bourbon Country
17/10 - Curitiba, Teatro Positivo
23/10 - São Paulo, Tim Festival
25/10 - Rio de Janeiro, Tim Festival
14/11 - São Paulo, Citibank Hall
15/11 - São Paulo, Citibank Hall
21/11 - Goiânia, Goiânia Noise Festival
13/12 - Rio de Janeiro, Canecão
14/12 - Rio de Janeiro, Canecão
CONTEÚDO EXTRA
Ouça trechos de músicas de Marcelo Camelo no www.opovo.com.br/conteudoextra
O QUE DIZ A CRÍTICA
- "A sensação que domina o álbum é a de indecisão. As melodias e a própria voz do compositor são a expressão acabada da hesitação de um artista em um claro momento de transição - sobre cujos ombros estão depositadas expectativas talvez grandes demais", Marco Antonio Barbosa, Jornal do Brasil, 31/8/08
- "É legítima a liberdade que o cantor e compositor desfrutou para aventurar-se ainda mais pela MPB, inclusive levando ao disco arranjos e dissonâncias que dificilmente poderiam ser incorporados pelo grupo", Nelson Gobbi, Jornal do Brasil, 31/8/08
- "Marcelo Camelo consegue avançar num trajeto que, de certa forma, Los Hermanos tinham empacado. O da transição do rock - o melhor feito no Brasil na última década - rumo a uma música livre para passear por diferentes ritmos e sotaques. E Sou (...) é admirável nesse sentido. Ele atira para diversos lados e quase sempre acerta", Antônio Carlos Miguel, O Globo, 5/9/08
Desde 4, último disco do quarteto Los Hermanos, lançado em 2005, as composições de Camelo apontavam para um caminho onde a guitarra perderia espaço para o violão, e o rock para o samba. Depois de o grupo ter as atividades suspensas pelos integrantes em junho do ano passado, Marcelo cuidou de produzir o disco do músico Bebeto Castilho, seu tio. Quem, então, esperava por uma estréia nessa vertente pode se surpreender: Sou tem a energia de quem faz o que tem vontade, a alegria de um artista que se vê completo na solidão.
Tocando sozinho, não há formato pré-determinado nem amarras. O artista dá lugar ao que bem entende. É a liberdade em Sou que faz dele um disco que deve ser ouvido. Nas lojas - quando ele sair, uma vez que a fábrica atrasou a entrega da primeira tiragem em cerca de dez dias -, o álbum provavelmente estará na prateleira de MPB. E, de fato, é desse gênero que ele mais se aproxima.
Há pouco mais de uma semana, Marcelo disponibilizou no Sonora, canal de música do portal Terra, 10 das 14 faixas do álbum para download gratuito. Independente, o músico inaugura, junto à carreira solo, o selo Zé Pereira, que, anteriormente, editava suas músicas no Los Hermanos. O lançamento já foi abraçado pelos fãs, mas divide opiniões entre a crítica.
Como todos os discos do grupo do qual fazia parte, é preciso ouvir Sou repetidas vezes até que surja um hit involuntário, grudento só a partir da terceira ou quarta audição. A candidata é Doce solidão, primeira música a ser liberada na Internet. Com apenas uma estrofe, o refrão foi substituído por um assovio. Tremendo bom gosto. As letras curtas, aliás, estão por todo o álbum. Passeando, terceira faixa, tem dois minutos, quase todos instrumentais, com violão.
Outra faixa de voz e violão é Janta, uma das preferidas dos hermanomaníacos. Os vocais são dividos por Marcelo e Mallu Magalhães, a estrela teen do folk no País. Marcelo não precisava convidar Mallu para ter o disco comentado, mas a participação da moça tornou tudo mais divertido. Quem também aparece em Sou é Dominguinhos, acompanhando na sanfona a música Liberdade - curiosamente apresentada ao público ainda na época do Los Hermanos.
Téo e a gaivota abre o disco e é responsável por antecipar todo o conteúdo restate. Introdução longa, cheia dos barulhinhos e experimentações do grupo Hurtmold - companheiro de Marcelo em várias das faixas -, letra curtinha, mistura de sons e mudanças de andamento em cinco minutos de música. Mas nem por isso esse é um disco difícil. As boas melodias continuam, os arranjos são bem pensados, e o Hurtmold cumpre bem o trabalho, imprimindo novas texturas sonoras e batidas diferenciadas.
Mais tarde é a mais parecida com o trabalho do Los Hermanos. As guitarras lembram o rock do quarteto, tanto pelos timbres quanto pelo vibrato nas notas que soa de vez em quando. No universo de ritmos de Sou, constam ainda um carimbó carioca, Menina bordada, e a marchinha de carnaval Copacabana, retomando o Pierrot de 1999, do primeiro disco da banda. Vida doce, a décima faixa, tem um balanço digno de Clara Nunes. O refrão é todo cantado em falsete, emulando uma voz feminina. Divertidíssimo.
Marcelo e Hurtmold optaram por gravar instrumentos e vozes ao vivo. Talvez por isso o disco tenha uma sinceridade inquietante, com a voz pequena de Camelo arriscando-se aonde não deveria ir - ousadia boa de quem sabe bem o que faz, colocando na praça um disco tecnicamente imperfeito, mas esteticamente admirável.
SERVIÇO
Sou (Zé Pereira/ Sony BMG, 2008) - Estréia solo do cantor e compositor carioca Marcelo Camelo, fundador do Los Hermanos. Participações: Hurtmold, Mallu Magalhães, Dominguinhos e Clara Sverner. 14 faixas. Com letras. Preço sugerido: R4 32. Dez faixas disponíveis para download grátis em http://callback.terra.com.br/marcelocamelo.
EMAIS
- Saiba o que andam fazendo os outros integrantes do Los Hermanos: www.loshermanos.com.br
- Outras informações sobre Marcelo Camelo: www.myspace.com/marcelocamelo
- Datas da primeira turnê solo de Marcelo Camelo:
19/9 - Recife, festival No Ar: Coquetel Molotov
28/9 - Salvador, Concha Acústica
4/10 - Juiz de Fora, Cine-Theatro Central
16/10 - Porto Alegre, Teatro do Bourbon Country
17/10 - Curitiba, Teatro Positivo
23/10 - São Paulo, Tim Festival
25/10 - Rio de Janeiro, Tim Festival
14/11 - São Paulo, Citibank Hall
15/11 - São Paulo, Citibank Hall
21/11 - Goiânia, Goiânia Noise Festival
13/12 - Rio de Janeiro, Canecão
14/12 - Rio de Janeiro, Canecão
CONTEÚDO EXTRA
Ouça trechos de músicas de Marcelo Camelo no www.opovo.com.br/conteudoextra
O QUE DIZ A CRÍTICA
- "A sensação que domina o álbum é a de indecisão. As melodias e a própria voz do compositor são a expressão acabada da hesitação de um artista em um claro momento de transição - sobre cujos ombros estão depositadas expectativas talvez grandes demais", Marco Antonio Barbosa, Jornal do Brasil, 31/8/08
- "É legítima a liberdade que o cantor e compositor desfrutou para aventurar-se ainda mais pela MPB, inclusive levando ao disco arranjos e dissonâncias que dificilmente poderiam ser incorporados pelo grupo", Nelson Gobbi, Jornal do Brasil, 31/8/08
- "Marcelo Camelo consegue avançar num trajeto que, de certa forma, Los Hermanos tinham empacado. O da transição do rock - o melhor feito no Brasil na última década - rumo a uma música livre para passear por diferentes ritmos e sotaques. E Sou (...) é admirável nesse sentido. Ele atira para diversos lados e quase sempre acerta", Antônio Carlos Miguel, O Globo, 5/9/08
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar essa notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Mais Notícias
Últimas
Indique essa notícia









