Raquel Gonçalves
Enviada a Natal
Madame Mim mandou ver seu electro desbocado na tenda, Curumim tocou bateria e cantou revelando novidades, Pato Fu e Lobão foram as atrações principais da segunda noite do Festival Mada, em Natal, sexta-feira passada. Já na madrugada, Falcão (O Rappa) deu uma de DJ
18/08/2008 00:41

Bem antes da banda mineira Pato Fu entrar no palco principal do Mada - Música Alimento da Alma, a sexta-feira (15) da meninada teen, que ocupava boa parte das primeiras horas da noite, foi agitada pela argentina radicada em São Paulo, Madame Mim. A sensação da garotada, literalmente. "Mim Chika Muy Caliente", dizia o cartaz em letras garrafais num papel espelhado brilhoso. O menino não tinha 18 anos, pulava e assediava a jovem que cantava, em espanhol, acompanhada de uma pick-up ritmada com um octapad, espécie bateria eletrônica.
Sobre a mesa de som, usava uma calça de lycra roxa, camiseta vazada amarela, pulseiras largas de plástico, unhas laranjas e batom rosa choque. Mariana Eva, aos 28 anos, já habita o mundo da música há 10 anos. Já passou por bandas de rock eletrônico, punk e agora segue no projeto atual: Madame Mim, há um ano e meio, já lhe rendeu apresentações na Europa e na Argentina. Pela primeira vez em Natal, fez jus aos mirins fãs internautas que já acompanhavam os trabalhos on line.
Enquanto isso, do outro lado da Arena, Curumin atrasava a seqüência de shows. "Esses caras só podem ser bons mesmo pra estarem demorando assim", fala alguém atrás de mim. "Já me falaram que Curumin é um D2 com talento", cochicha um jornalista. As primeiras batidas da percussão anunciam o início do show. Uma bateria, um baixo e dois sintetizadores. Ainda que o áudio estivesse bom, as caixas de som por trás da bateria do vocalista mostravam-se bem calejadas. A habilidade com que cantava e tocava bateria, simultaneamente, não decepcionou aqueles que curtiam o grupo, mesmo que há pouco tempo. "Desde quarta-feira, quando ouvi Curumin pela primeira vez, não parei mais de escutar um minuto. Fui atrás de conhecer o trabalho dos grupos que vinham pro Mada e adorei Curumin. Esta, por exemplo, (refere-se a música introduzida pela banda) é Caixa-Preta. É ótima, estou esperando Magrela Fever", mostra intimidade com o repertório, Allen Talma.
Quando a banda de rock carioca Autoramas dava continuidade à noite e mexia os pés e os cabelos dos roqueiros da noite, Fernanda Takai cedia entrevista nos bastidores. Falou da importância de festivais que dão oportunidade a bandas menores e lembrou que anos atrás, o Pato Fu abriu shows do Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso no Mineirinho, lotado, em Belo Horizonte (MG). Início de carreira que passou por um longo trabalho de conquista de público e, hoje, já permite um trabalho solo. "Foi tão legal ver meu trabalho solo fluir sem comprometer minha banda. Eu queria que fosse realmente dessa forma, eu estando bem com a minha banda, e foi."
Takai não perdeu a oportunidade de acariciar o ego dos potiguares: "Como não deu certo tocar lá em Recife nesta turnê, deve ter muita gente hoje aqui em Natal que veio pro show. É a revanche da cidade de vocês". Antes de se despedir para subir ao palco, prometeu: "Creio que em janeiro estamos agendando um show em Fortaleza".
Depois do show de Pato Fu, Lobão entrou no palco às 2h45. Afinal, sábado já é fim de semana. E quem agüentou, ainda curtiu Falcão, d´O Rappa, como DJ na tenda eletrônica até amanhecer.
A repórter viajou a convite da produção do festival Mada