Vida & Arte
X MADA
Novos nomes e bandas consagradas em Natal
Raquel Gonçalves
Enviada a Natal
16 Ago 2008 - 01h51min
Entre o mar e a Via Costeira, beirando as dunas, está localizado toda a estrutura cercada por tablados metálicos. Na parte de dentro, a Arena do Imirá tem dois palcos, três telões, uma feira de artesanato, uma tenda eletrônica, inúmeras barraquinhas e muita gente pisando em areia atrás de curtir a música que foge do circuito forró-axé, tão recorrente na capital potiguar. A décima edição do Mada - Música Alimento da Alma começou debaixo de chuva, mas logo a água se foi, deixando somente o vento forte e frio na espinha de quem acompanhava o som das sete bandas que precediam o show esperado da noite, O Rappa.
Com uma pontualidade precisa, os shows se sucederam, um a um, no horário previsto, iniciados às 21h30. "Nós nos deitamos e fumamos; e agora, sem palavras, nos entendemos perfeitamente, na eloqüência de um silêncio (...)". A frase do escritor Nick Tosches dá as boas vindas no site da banda de rock que abriu o festival. Incisiva e com presença de palco, Poetas Elétricos tocaram para meia dúzia de pessoas. O público da quinta-feira ainda estaria por chegar na Arena do Imirá.
A banda Amps e Lina, de Pernambuco, e a carioca NV deram seqüência ao rock, enquanto as pessoas iam chegando. Alguns tentavam burlar o sistema, pulando a grade de proteção, mas logo a segurança dava conta dos intrusos. Para Bruno Varela, freqüentador do Mada há nove edições, apreciador do rock e do reggae, hoje veio assistir o show do Motosierra, banda de rock uruguaia, que andava bem apagada do cenário latino-americano. "Eu só ouvia em CD na minha adolescência que eu gostava mais de rock. Hoje, eu vim ver pela primeira vez a banda. Estou muito feliz." De fato, Bruno foi um privilegiado. "Havia nove meses que não tocávamos em lugar nenhum. Achávamos que íamos acabar antes do convite do Mada", afirmou Marcos Motosierra, vocalista da banda.
Bruno fala com orgulho do evento em sua cidade. "Como meu gosto não coincide nada com o da cidade, sempre que tem essas oportunidades eu vou, além de conhecer as bandas novas de toda América Latina. Por exemplo, eu assisti Pitty, Detonautas tocando meia-horinha aqui, nesse palco (aponta para o palco alternativo) em outras edições do Mada. Isso é maravilhoso do festival." Alguns com uma vasta experiência de Mada, outros nem tanto. Félix Valentim, bailarino do teatro de Nuremberg, na Alemanha, mostra empatia nos primeiros contatos com o festival. Natalense, porém distante da cidade natal há 10 anos, desabafa: "Tem bandas como Cordel e O Rappa que eu nunca fui a nenhum show e vou assistir aqui em Natal. Essa atmosfera aqui me encanta. É ela que me faz sentir bem. Desde o primeiro momento que eu entrei aqui eu já curti."
Às 23h30, seguido do heavy metal da banda Sweet Fanny Adams, a banda local de reggae Rastafeeling acalmou os presentes com um ritmo mais lento. "Depois de Motosierra, essa era a segunda banda que eu queria ver", frisa Bruno Varela que atualmente, está mais afim do reggae em relação ao rock.
Nova Turnê
Em tempos de despedidas da turnê que traz as músicas do álbum O Silêncio Q Precede o Esporro, Lobato, baterista d´O Rappa, garante antes de entrar no palco: "Por mais que a gente tenha um plano de vôo, a gente pode ter uma turbulência ou um céu azul aqui do lado. A gente não é ortodoxo, a gente nunca faz um show igual ao outro".
Com o show na mesma data do lançamento nacional do novo CD chamado 7 vezes, Lobato fala da intimidade com o palco e do prazer de tocar no festival potiguar. "A gente se dá o luxo de mudar os arranjos, Falcão cita coisas no meio do show de coisas que a gente gosta, cita outros músicos - Bob Marley, Bezerra da Silva. O nome do festival pra mim explica tudo, explica até o novo disco que a gente tá fazendo agora. Alimento da Alma. Tocar é isso, é a vontade de estar no palco."
Lobato não esquece os momentos em que dividiu palco com outros companheiros como Nação Zumbi, Seu Jorge, D2, Otto, Chorão (Charlie Brown Jr.). "A gente tem uma liberdade enorme aqui em Natal, eu gosto de tocar aqui."
A repórter viajou a convite da organização do Mada.
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