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Green Day e Offspring lançam novos discos

Marco Aurélio Canônico
Da Folhapress

11 Ago 2008 - 00h36min

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Green Day é Foxboro Hot Tubs(Foto: DIVULGAÇÃO)

O ano era 1994, e duas bandas punk californianas pouco conhecidas, o Green Day e o Offspring, lançavam cada uma seu terceiro disco de estúdio. Foi um grande passo para o punk rock e um gigantesco salto para as duas bandas: Dookie, do Green Day, e Smash, do Offspring, venderam muitos milhões de cópias e tornaram o punk acessível e popular.

O ano é 2008, e as mesmas bandas, agora veteranas já distantes de seus ápices (o Offspring ainda mais do que o Green Day), lançam novamente discos simultâneos, mas com ambições bem distintas. Quem se sai melhor, até por ser mais ambicioso, é o Green Day, que mudou de visual, de som e até de nome: agora, a banda é Foxboro Hot Tubs, e lançou Stop Drop and Roll!!!.

Apesar de o som ainda ser facilmente identificável como sendo do Green Day (até pela voz característica de Billie Joe Armstrong, agora Reverend Strychnine Twitch), ele também tem diferenças nítidas: o punk bubblegum de sempre deu lugar a influências dos anos 60, ao garage rock, aos teclados.

O projeto se completa visualmente tanto nas roupas retrô que a banda tem usado ao vivo quanto no próprio formato do CD: ele vem numa capa idêntica a de LPs antigos (incluindo lados A e B), só que em miniatura. E o disquinho também imita os bolachões pretos.

Tudo isso seria mera presepada, no entanto, se o disco não fosse bom, até porque não é a primeira vez que a banda cria um projeto paralelo (lançaram The Network, de new wave, em 2003). Mas o álbum é bom e, por isso, é relevante.

Já na faixa-título, que abre o disco, nota-se que a banda está fazendo música com vontade. Mother Mary, She's a Saint not a Celebrity e The Pedestrian são pontos altos, e mesmo músicas menores, como Broadway (que é apenas o velho Green Day) e Alligator (que é uma cópia de You Really Got Me, do Kinks) não estragam o resultado final.

Mais do mesmo
Já o Offspring, que nos anos 90 tinha mais respeito que o Green Day, por ter uma temática menos abobalhada e uma sonoridade um pouco menos pop (além de gravar na cult Epitaph), está de volta com Rise and Fall, Rage and Grace.

É o primeiro CD da banda desde o largamente ignorado Splinter, de 2003 (no ano seguinte, o Green Day lançaria seu celebrado e bem-sucedido American Idiot), e é apenas mais do mesmo, um documento da estagnação de uma banda.

Não que essa repetição não funcione, ocasionalmente -o punk, afinal, não é exatamente conhecido como um estilo de grandes variações.
Quando a banda emula seus melhores momentos, como nas ótimas Takes me Nowhere e Rise and Fall, o resultado é animador, dá vontade de pular e de cantar junto.

Mas quando tentam reproduzir o sucesso fácil com babas como Kristy, Are You Doing Okay? e A Lot Like Me, lembram ao ouvinte por que caíram no ostracismo. Na média, fizeram um disco apenas regular.

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