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ARTES PLÁSTICAS

Propostas contemporâneas

Em artes visuais, não há uma unidade. Diversas foram as indicações dos especialistas convidados pelo Vida & Arte Cultura. O único nome em comum é do artista visual e cineasta norte-americano Andy Warhol, considerado expoente da pop art


02 Ago 2008 - 12h13min

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De revolucionário a clássico. É esse o caminho percorrido pelo artista visual e cineasta, conhecido como um dos pais da pop art, Andy Warhol. Responsável por uma verdadeira revolução dentro das artes visuais, o norte-americano foi o único a figurar em pelo menos duas das três listas enviadas ao Vida & Arte Cultura no quesito artes plásticas. Foi esse a única conformidade entre as escolhas que apontaram para as mais diferentes tendências.

Nascido em 1928, em Pittsburgh, Andy Warhol entrou para a história com o trabalho que brincava com a arte relacionando-a uma sociedade rendida ao consumo. Nos anos 1960, Warhol começou a pintar produtos americanos famosos, como latas da sopa Campbell's e Coca-Cola, ou ícones de popularidade, como a atriz Marilyn Monroe. É de sua autoria a expressão "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama". Entre as suas obras clássicas, apontadas pelos especialistas consultados, estão Gold Marilyn Monroe (1962) e Marilyn matizada de azul (1964), que colocaram em xeque a reprodutibilidade das imagens. "O artista criou uma das obras mais polêmicas do século XX ao tratar com ironia a sociedade de massas, consumista e insensível à sua própria humanidade", diz o doutorando em Crítica de Arte, na Universidade de São Paulo, e ex-diretor do Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, Ricardo Resende.

Entre as listas, também figuraram nomes importantes das artes plásticas brasileiras, como Hélio Oiticica (1937-1980), autor da arte ambiental Tropicália, além dos cearenses Leonilson (1957-1993) e José Tarcísio (1941). Entre os nomes internacionais, o artista sul-coreano, Nam June Paik (1932-2006), ícone da vídeo-arte, que ligou por meio de satélite ao vivo Nova York, Paris e Seul, em Good Morning, Mr. Orwell, em 1984. "Cada uma das dez obras é essencial numa tendência, tendo em vista, acima de tudo, que, nas últimas cinco décadas, a relação interdisciplinar entre pintura, arquitetura, desenho, escultura, vídeo e tecnologia é o sol a nortear a produção da arte contemporânea", explica o jornalista e integrante da Associação Internacional de Críticos de Arte, Oscar D'Ambrosio.

Já a jornalista especializada em artes plásticas e mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Juliana Monachesi, foi a única que, em vez de citar obras, resolveu apontar artistas. Entre eles, a pioneira da vídeo-arte no Brasil Sonia Andrade, a artista plástica paulista Jac Leiner e a jovem Alice Miceli, que se graduou na Ecole Supérieure d'Etudes Cinématographiques em Paris, em 2001, e tem tratado em seus trabalhos temas relacionados a fatos sociais e históricos, dialogando também com a ciência e a tecnologia. Entre os estrangeiros, Ai Weiwei, uma das mais importantes figuras do mundo artistico, arquitetônico e de design na China hoje. "São as minhas apostas de nomes que serão os grandes nomes em anos próximos, mas não tenho como escolher uma única obra", diz, por e-mail. (Juliana Girão)


Confira as listas

Ricardo Resende é mestre em História da Arte pela Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP). Trabalhou de 1988 a 2002, entre o Museu de Arte Contemporânea da USP e o Museu de Arte Moderna (MAM), de São Paulo. Desde 1996, coordena o Projeto Leonilson. De março de 2005 a março de 2007, foi diretor do Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza (CE). Atualmente desenvolve doutorado em Crítica de Arte, na USP.

> Tropicália (1967), do artista plástico brasileiro Hélio Oiticica (1937-1980). Apresentada pela primeira vez na exposição Nova Objetividade Brasileira, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, em 1967. Mudanças radicais na nossa noção de arte depois deste trabalho. Arte ambiental.
> Uma e três cadeiras (1965), do artista norte-americano Joseph Kosuth (1945). Um trabalho que lida com a representação das coisas e que mudou os rumos da nossa maneira de pensar a arte. Arte conteitual pura, objetiva e que exige pensar.
> Cruzeiro do Sul (1969/1970), do artista plástico brasileiro Cildo Meireles (1948). Como um minúsculo cubo de madeira, com pouco menos de 1 centimeto de lado, preenche com sua força salas imensas de exposição apenas com sua presença repousada no chão. Nos fala do vazio e da nossa diminuta escala no mundo ao problematizar assassinatos de uma comunidade indígena brasileira naquela época. Um dos trabalhos mais simples e mais impressionantes da arte e muito atual.
> Babel (2003/2006), de Cildo Meireles. Trata-se de uma instalação composta de cerca de 900 aparelhos de rádio fusão, empilhados e formando uma torre de cerca de cinco metros de altura. Cria um ambiente multisensorial com os sons e luzes que chegam dos aparelhos. Traduz o caos das cidades e do mundo contemporâneo.
> José (1993), do artista plástico José Leonilson (1957-1993). Uma das obras mais contundentes do artista na sua mensagem poética. Neste singelo bordado sobre voil onde se lê apenas a palavra José traz junto um turbilhão de significados estéticos, conceituais e políticos. O trabalho trata do anonimato, da insignificância, de transcendência por meio deste nome que é o de muitos brasileiros. Reduz a arte a um quase nada.
> Lute (1967), do artista Carlos Zilio (1944). É um multiplo feito a partir de uma marmita, que contém um molde de um rosto, tudo embalado em plástico onde se lê a palavra Lute. Realizado durante a ditadura militar, entre muita repressão às idéias, o trabalho convoca as pessoas a saírem de sua passividade para uma luta por seus ideais.
> Gold Marilyn Monroe (1962), do artista norte-americano Andy Warhol (1928-1987). O artista que deu os famosos "15 minutos de fama" para todo mundo, criou uma das obras mais polêmicas do Século XX ao tratar com ironia a sociedade de massas, consumista e insensível à sua própria humanidade (na sua essência). Nos anos 60 produz uma série de trabalhos relacionados as celebridades internacionais, entre elas a atriz Marilyn Monroe, um símbolo e o fim de uma era, embora faça tanto sentido hoje diante do vazio que se tornou o ato de viver.
> Regando Pedras (1976), de José Tarcísio (1941). Foi o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no XXIII Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, em 1976. Como a de Carlos Zilio, Lute (1967), esta escultura/objeto é uma obra eminentemente política com uma crítica forte contra a ditadura militar e os tempos de "chumbo" das perseguisões, das prisões, de gente desaparecida, de pessoas mortas. Tudo em nome de uma "ordem" que ainda não foi esclarecida.
> Qualquer imagem do 11 de Setembro (que mostre a tragédia da derrubada das torres do World Trade Center, em Nova Iorque, em 2001). Autores: artistas anônimos. Ciente de ser politicamente incorreto ao citar este evento trágico mas que, sem dúvida, é uma das imagens mais fortes já geradas no mundo e que podem ser vistas em vídeos ou fotografias na era da imagem digital. São imagens onde se evidência a insanidade humana. Apesar de seu significado horroroso, é uma visão sublime da capacidade humana de se auto-destruir. A grande performance destrutiva do homem (do homem mesmo, e não das mulheres que neste caso foram apenas vítimas).
> Um trabalho de arte fundamental que ainda está por ser realizado.

Oscar D'Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (Aica - Seção Brasil).

> Monograma (1955-1959), de Robert Rauschenberg (1925-2008). Combina bode empalhado com bola de tênis. Pioneiro em associar arte e tecnologia de ponta.
> Sem título (1959), de Yves Klein (1928-1962). A pesquisa monocromática com o azul levou o artista a patentear, em 1960, o Azul Klein Internacional (IKB 82).
> Três estudos para uma crucificação (1962), de Francis Bacon (1909-1992). Suas imagens grotescas e densas são verdadeiras aulas de pintura.
> Marilyn matizada de azul (1964), de Andy Warhol (1928-1987). Coloca em xeque a reprodutibilidade das imagens e os ícones mundiais do universo pop.
> Pal-Ket (1973/74), de Victor Vasarely (1908-1997). Referência obrigatória para a Op Art (Arte óptica).
> The Hundertwasser House Vienna (1983-1986), de Fritz Hundertwasser (1928-2000). Bloco de apartamentos com pisos ondulados e árvores crescendo nos quartos.
> Good Morning, Mr. Orwell (1º/1/1984), de Nam June Paik (1932-2006). Ícone da vídeo-arte, ligou, por meio de satélite ao vivo, Nova York, Paris e Seul.
> Eu Amo a América e a América me Ama (1974), de Joseph Beuys (1921-1986). O artista ficou envolvido em feltro em uma sala com um coiote durante cinco dias.
> Lilith (1987-1989), de Anselm Kiefer (1945). É uma visão horrível do mundo urbano inspirada pela visita do artista a São Paulo.
> Supervisora de Benefícios dormindo (1995), de Lucien Freud (1922). É uma das pinturas mais caras já vendidas de artista vivo e revela amplo conhecimento técnico.

Juliana Monachesi é jornalista especializada em artes visuais e mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

> Sônia Andrade (1935)
> Richard Prince (1949)
> Ai Weiwei (1957)
> Odires Mlászho (1959)
> Jac Leirner (1961)
> Rosângela Rennó (1962)
> Douglas Gordon (1966)
> Jedediah Caesar (1973)
> Phoebe Washburn (1973)
> Alice Miceli (1980)

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