Ir para a página sobre a Publicidade

O POVO Online

Vida & Arte

VIDA & ARTE VIU

Mocinho x bandido

Cinturão Vermelho é um filme sobre a dificuldade em se manter ético num mundo torto. O longa, que tem Rodrigo Santoro e Alice Braga no elenco, se perde ao apostar no mito do herói sem falhas

Amanda Queirós
da Redação

29 Jul 2008 - 00h10min

A+ A- Mudar tamanho

O longa Cinturão Vermelho está em cartaz no Arcoíris Aldeota (Divulgação)
O filme Cinturão Vermelho vem sendo aguardado com ansiedade pelo público brasileiro desde a estréia em abril, nos Estados Unidos. Todos querem ver a dobradinha de atuações de Rodrigo Santoro e Alice Braga no longa de trânsito internacional do norte-americano David Mamet. O resultado, no entanto, decepciona. É como se pronunciar corretamente as falas em inglês fosse mais importante que dar vida ao personagem. Quem já viu interpretações poderosas dos dois sente uma certa castração aqui. O roteiro e a mão do diretor também não ajudam, produzindo um filme que, mesmo irregular, foi capaz de cativar críticos de todo o mundo.

Um dos motivos para essa atração, talvez, seja a reabilitação irrestrita de uma espécie de ética do samurai como há muito não se via nas tramas hollywoodianas. Cinturão Vermelho centra o roteiro em Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), um veterano da Guerra do Golfo que tenta ganhar a vida como professor de jiu-jitsu em uma academia pouco freqüentada. Para ele, a beleza da arte marcial não está na força ou na maquinação para a derrota do outro, mas na filosofia contida nela. Os princípios determinam que até o mais fraco pode vencer desde que ele treine concentração, paciência e conhecimento para cansar o adversário até conseguir se desvencilhar da situação de perigo.

Com essa chave, repetida como um mantra ao longo da trama, Mamet já anuncia o desfecho de seu filme desde o início. Não há surpresas mesmo diante da cascata de tragédias pelas quais Terry passa. O lutador é desenhado praticamente como o último homem justo e bom do mundo. Ele é exatamente aquele que, de tão ético, está desconectado de uma realidade na qual os conceitos de justiça e bondade são relativizados e questionados. O norte ético dele é rígido ao ponto de fazer com que o público não o condene mesmo quando o lutador é impelido a trair a si próprio. É o encantamento pelo utópico, crível apenas naquele universo de ficção.

Na trama, Terry precisa de dinheiro para ajudar a viúva de um de seus ex-alunos, o que o leva a participar de campeonatos de luta organizados pelos irmãos de sua esposa Sondra (Alice Braga). No caminho, se depara com uma série de irregularidades que vão empurrá-lo a uma decisão mais drástica quanto à sua postura naquele universo. Nesse momento, se põe um verdadeiro duelo de mocinho e bandido, onde um lado é unicamente bom e outro é unicamente mau. Aqui, a briga suplanta o dilema moral que permeia todo o longa. Afinal, para quê se luta? Para se ter o reconhecimento da integridade? Para se reafirmar a ética e valores? Toda essa pretensão se perde diante do enorme e iluminado ringue montado ao fim do filme para o combate final. Meio sem querer querendo, David Mamet se deslumbra com a luta por si própria, misturando focos e perdendo o ponto. O que renderia uma grande reflexão entre o torto e o direito acaba conquistando um final que beira o piegas. Uma pena. ***

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique essa notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados