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Amanda Queirós
da Redação

O festival nacional de dança de Fortaleza (Fendafor) chega hoje a sua oitava edição buscando afinar sua programação e investir em debates e conversas com bailarinos e coreógrafos


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24/06/2008 00:08

Sopro Companhia de Dança, de São Paulo, é um dos espetáculos convidados pelo Fendafor (Divulgação)
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Sopro Companhia de Dança, de São Paulo, é um dos espetáculos convidados pelo Fendafor (Divulgação)

Nem só de movimento se faz dança, mas também de pesquisa, crítica e debate. A lição foi introjetada no Festival Nacional de Dança de Fortaleza (Fendafor), que chega hoje a sua oitava edição. A partir deste ano, o evento anual promete investir mais nos momentos de troca de informação entre os bailarinos. Além disso, caminha também para apresentar uma programação mais afinada e de melhor qualidade, enfatizando a participação de grupos locais profissionais e trazendo companhias de fora com trabalhos ainda inéditos no Ceará. Escolas e academias de dança continuam dominando a grade. No entanto, segundo as organizadoras, este ano há uma maior atenção na escalação de quem divide o palco principal do Theatro José de Alencar e do Centro Dragão do Mar durante os seis dias de evento.

"Não existe nenhuma possibilidade de o Fendafor mudar e deixar de receber escolas. Agora, a gente faz uma seleção por meio de vídeos. Não exigimos que sejam todos maravilhosos, mas que estejam aptos a dançar ao lado de grandes convidados. Algumas escolas não vão dançar no horário principal e até se chatearam com isso, mas esperamos que, a partir do que a gente escreveu, elas possam melhorar e passar a levar trabalhos mais apurados. O objetivo do festival em popularizar a dança continua igual ao início. Ele só é mais responsável", afirma Janne Ruth, coordenadora do evento e diretora do BCAD, grupo participante do festival.

Uma das novidades iniciadas ano passado e reforçada agora é a valorização de artistas cearenses. Cia Etra, Cia Vatá e Grupo Vera Passos foram convidados a participar do Fendafor assim como a Cia Dança Masculina Jair Morais (PR), a Cia Ballet Sopro (SP) e bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ). Com isso, grupos locais de trajetória sólida são reconhecidos em seu próprio Estado e recebem cachês da mesma forma que grupos de fora. "As pessoas cobravam muito isso de nós. Acho justíssimo, porque é impensável não pagar quando um grupo se esforça e está chegando lá", coloca Goretti Quintela, também organizadora do evento.

Outro momento que promete ganhar corpo é o espaço para o debate. Esse ano ele acontece no encerramento do festival, na tarde de domingo, no Sesc Senac Iracema. O bailarino Cícero Gomes (RJ) foi convidado a compartilhar a sua trajetória no balé clássico e a expor os passos de um profissional que vive dessa técnica. Já Roberto Amorim e Sarubbi (SP), oriundos do Balé da Cidade de São Paulo, abrem uma roda de conversa sobre pesquisa e composição de trabalho coreográfico.

"Já tivemos palestras esvaziadas. Então nós provocamos uma mostra de solos, duos e trios para acontecer logo após a palestra porque, impreterivelmente, as pessoas vão estar lá. É uma forma de 'forçar' o público. Só se achando muito bom para não participar desses momentos", diz Janne Ruth. Esse ano, a competição de dança abandonou a mostra principal e se enquadrou como uma atividade paralela. Ela acontece na tarde de quinta-feira com foco exclusivo em trabalhos de solo, duo e trios. Haverá ainda a presença de olheiros prontos para apontar melhor grupo, melhores bailarinos e grupo revelação sem caráter competitivo.

Os palcos abertos continuam funcionando, dessa vez situados em shoppings e escolas públicas com apresentações gratuitas. Os grupos que desejarem participar podem se inscrever na hora. O festival também ruma ao interior e tem programação amanhã, a partir das 18 horas, em Guaiúba, na Região Metropolitana de Fortaleza. Em agosto, haverá ainda uma edição do festival em Guaramiranga e Sobral.


SERVIÇO

VIII FENDAFOR - O festival abre hoje, às 19 horas, com a apresentação de grupos convidados e a entrega de troféu para homenageados no Theatro José de Alencar (praça José de Alencar, s/n - Centro). Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7 (meia). Na quinta-feira (26), os espetáculos acontecem no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (R. Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema). Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Nos dias 26 e 27, tem apresentações gratuitas no Shopping Benfica a partir das 16 horas. No mesmo horário, no Center Um, ocorrem apresentações somente no dia 26. Informações: 3101 2583 ou 3488.8600

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