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Barulhinho bom

Alinne Rodrigues
Especial para O POVO

Cativantes, as talentosas Chicas cantam e tocam de tudo: MPB, samba, rock e forró, as vozes poderosas das cariocas se confundem com seus arranjos delicados. Do Rio de Janeiro para Fortaleza, fazem show único, hoje, no BNB Clube


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31/05/2008 00:40

(Foto: Rodrigo Carvalho/especial para O POVO)
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(Foto: Rodrigo Carvalho/especial para O POVO)

Violão, xilofone, pandeiro e zabumba. A mistura, gostosa de ver e ouvir, é das Chicas, grupo carioca formado por Isadora Medella, Paula Leal, Fernanda Gonzaga e Amora Pêra, que se apresenta hoje em Fortaleza. Vozes poderosas que se harmonizam e completam os delicados rearranjos de músicas de Gonzaguinha (pai de Amora e Fernanda), O Rappa, Lenine, Arnaldo Antunes, além das composições próprias, saídas das efervescentes mentes das meninas.

Tudo começou no Rio de Janeiro, em 1996, quando as então atrizes encenavam o espetáculo Fullanas. "A Paula compôs, de bobeira, umas músicas pro espetáculo e começou a trajetória dela como compositora. Foi um sucesso, as pessoas amaram. Eu, inclusive, as conheci depois. Elas me mandaram a fita pra eu escutar as músicas e dizer se eu queria participar do espetáculo, fazer o teste. Eu ouvi aquilo e achei preciosíssimo, umas meninas muito novas fazendo músicas lindas. Eu achei aquilo incrível e, lógico, falei que estava dentro", lembra Isadora.

A peça acabou, e elas continuaram. Numa brincadeira, fizeram o primeiro show - e não conseguiram mais deixar a música. "Aliás, desde pequenas que nós temos muita música em casa. Eu tive, a família da Amora e da Fernanda não precisa nem falar, né? Gonzaguinha, Gonzagão... A Amora, além de ter Gonzaguinha e Gonzagão, teve Frenéticas em casa. A mãe dela é a Sandra Pêra. A Paula começou a formação dela já fazendo música", conta.

Crescidas, depois de idas e vindas, elas se estabeleceram em 2003 e, desde então, dominam os palcos onde tocam. Paula, de cabelos claros, cacheados e longos, tem voz mais grave e toca de tudo. Isadora, a única de cabelos curtos, tem uma voz versátil, ora grave, ora aguda, com notável alcance. Amora assume a zabumba com a força que se deve aplicar ao tambor e, junto com a irmã Fernanda, faz as vozes mais agudas. São algo como um Quarteto em Cy nascido quatro décadas depois.

Além do charme e das belas vozes, os instrumentos inusitados que elas usam chamam a atenção do público. "Todas nós nos revezamos tocando. A brincadeira começou por falta de grana. Logo no início, a gente não tinha dinheiro pra pagar músico, e a gente tinha alguns instrumentos, depois fomos arrecadando mais outros e começamos a brincar de sair tocando", revela Isadora, interrompida por Paula: "é, e hoje em dia a gente paga excesso de bagagem", brinca.

Hoje elas têm uma banda de apoio, formada por Bruno Aguilar no baixo, e Pitito na bateria. "Temos ainda duas moçoilas que tocam com a gente cello e violino, mas elas não puderam vir", informa Isadora. "Mas mesmo assim a tralha vai", completa Amora. Para o show desta noite, o repertório é variado: "basicamente o do disco que a gente lançou em 2006, Quem vai comprar nosso barulho?, e mais algumas coisas que a gente foi tocando pelo caminho", adianta Paula. Geraldinos e Arquibaldos, de Gonzaguinha e Espumas ao vento, imortalizada na voz de Fagner, são presenças garantidas no repertório.

Do lançamento do primeiro álbum para cá, elas participaram do programa global Som Brasil, foram eleitas o melhor grupo de 2007 pelo Prêmio Tim, mas só agora chegaram a Fortaleza. "Hoje, com as dificuldades do mercado, a gente tá criando novos meios, e a meta é a mesma de sempre, de chegar nas pessoas. Quando a gente chega num lugar que alguém conhece a tua música, já é muito forte", acredita Amora.

E para o futuro? "Agora é ficar trabalhando pra chegar mais nos lugares. Vir pra cá já tá sendo muito legal", diz a zabumbeira. "Eu até pensei isso um dia: deve ser muito maneiro você tocar pra milhões de pessoas, e todas elas cantarem a sua música. Mas foi muito legal chegar em Campinas, pra gente que é do Rio de Janeiro, e ter uma pessoa sentadinha ali no meio cantando a nossa música. É uma emoção indescritível, impagável. Então, enquanto o futuro estiver reservando coisinhas assim pra gente, vai ser muito bacana", finaliza Paula.

Serviço
Quem vai comprar nosso barulho?, show das Chicas no Projeto BNB Clube de Cultura. Abertura com apresentação da cantora cearense Simone Sousa. Hoje, 31, a partir das 21 horas, no BNB Clube sede Aldeota (avenida Santos Dumont, 3646). Ingressos: R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia ou sócio). Outras informações: 4006 7200 e 4006 7203.


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