Vida & Arte
INSTRUMENTAL
Um sax a tiracolo
O saxofonista Ellis Mário encerra, hoje, ao meio-dia e também às 18 horas, a série Sopristas, dentro do programa Quinta Instrumental do CCBN
24 Abr 2008 - 01h26min
Elismário dos Santos Pereira é da turma de 1986 do curso de música da Universidade Estadual do Ceará. Do campus do Itaperi, às margens da avenida Paranjana, porém, o músico erudito (ao longo da graduação, Elismário se tornaria um íntimo conhecedor das obras dos alemães Bach e Beethoven e do austríaco Mozart) resolveu seguir um caminho que, anos depois, o levaria a misturar sons e ritmos altamente combustíveis: samba, rock, chorinho e, elemento catalisador, o jazz. O cenário da transformação do Elismário em Ellis Mário - nome mais sonoro e, portanto, mais afeito ao seu gosto musical - foi o circuito noturno de bares e restaurantes de Fortaleza. Hoje, o saxofonista e flautista Ellis Mário encerra a programação jazzística da Quinta Instrumental do Centro Cultural do Banco do Nordeste (CCBN), ao meio-dia e também às 18 horas.
Antônio Carlos Jobim, Baden Powell, João Gilberto, João Donato, Abel Silveira e Vinícius de Moraes são alguns dos nomes que Ellis Mário promete soprar no palco do cineteatro do CCBN, que, ao longo do mês de abril, viu tocarem, sempre às quintas-feiras, a Dunas Jazz Band e os saxofonistas Márcio Resende e Bob Mesquita. Tudo isso dentro da série Sopristas. É também lá que o cancioneiro nacional deve preencher quase todos os espaços e reverberar um som tipicamente local, com as suas gradações de complexidade expostas. Todavia, o fio que alinhava choro, samba e o repertório bossanovista vem de longe. "É o jazz, sim", explica o músico. De acordo com Ellis Mário, "a Bossa Nova permite fazer esse link com a música americana". Para ele, porém, a sonoridade do Brasil desempenha o papel de protagonista. "A música brasileira é uma das mais difíceis. Tocar chorinho e samba é bem difícil.
Depois que descobrimos é que vemos a beleza dessa música."
Esse aprendizado foi conquistado a custo de muito acorde arrancado da noite fortalezense. Nela, Ellis Mário forjou uma carteira musical arrojada, que lhe serviu de barro para as gravações de seus dois CDs: You are the one, ganhador de um prêmio concedido, ainda em 2000, pela Rádio Universitária FM; e Quitandas do Brasil, trabalho mais recente. "Eu considero os dois discos como se fosse um trabalho só. Ambos são feitos unicamente de composições próprias. São tecnicamente parecidos." Para o terceiro disco, o saxofonista vem pesquisando ritmos e sonoridades que possam ajudá-lo a compor uma nova identidade musical. Algo mais próximo, ele adianta, de uma cor brasileira. "Vou fazer um disco mais Brasil. Os outros não são tão assim. Os dois anteriores têm uma linguagem mais universal." Nesse processo alquímico em que sons são fundidos e os clássicos da MPB ressurgem sob uma roupagem mais contemporânea, o músico erudito não abre mão das noitadas (sempre trabalhando) na metrópole. "A escola da noite é muito boa. Você aprende muito com os músicos", garante.
SERVIÇO:
O saxofonista e flautista Ellis Mário encerra hoje a série Sopristas, na Quinta Instrumental do Centro Cultural do Banco do Nordeste, ao meio-dia e às 18 horas. O CCBN fica na rua Floriano Peixoto, 941, Centro. Outras informações no telefone 3464 3108. Entrada gratuita.
EMAIS
Além de apresentar-se em eventos, bares e restaurantes da cidade e participar de festivais de jazz como o de Guaramiranga, Ellis Mário rege a Orquestra de Música Nordestina do Instituto Pão de Açúcar. Dela participam duas centenas de jovens que têm, diariamente, aulas de teoria e prática musical.
Antônio Carlos Jobim, Baden Powell, João Gilberto, João Donato, Abel Silveira e Vinícius de Moraes são alguns dos nomes que Ellis Mário promete soprar no palco do cineteatro do CCBN, que, ao longo do mês de abril, viu tocarem, sempre às quintas-feiras, a Dunas Jazz Band e os saxofonistas Márcio Resende e Bob Mesquita. Tudo isso dentro da série Sopristas. É também lá que o cancioneiro nacional deve preencher quase todos os espaços e reverberar um som tipicamente local, com as suas gradações de complexidade expostas. Todavia, o fio que alinhava choro, samba e o repertório bossanovista vem de longe. "É o jazz, sim", explica o músico. De acordo com Ellis Mário, "a Bossa Nova permite fazer esse link com a música americana". Para ele, porém, a sonoridade do Brasil desempenha o papel de protagonista. "A música brasileira é uma das mais difíceis. Tocar chorinho e samba é bem difícil.
Depois que descobrimos é que vemos a beleza dessa música."
Esse aprendizado foi conquistado a custo de muito acorde arrancado da noite fortalezense. Nela, Ellis Mário forjou uma carteira musical arrojada, que lhe serviu de barro para as gravações de seus dois CDs: You are the one, ganhador de um prêmio concedido, ainda em 2000, pela Rádio Universitária FM; e Quitandas do Brasil, trabalho mais recente. "Eu considero os dois discos como se fosse um trabalho só. Ambos são feitos unicamente de composições próprias. São tecnicamente parecidos." Para o terceiro disco, o saxofonista vem pesquisando ritmos e sonoridades que possam ajudá-lo a compor uma nova identidade musical. Algo mais próximo, ele adianta, de uma cor brasileira. "Vou fazer um disco mais Brasil. Os outros não são tão assim. Os dois anteriores têm uma linguagem mais universal." Nesse processo alquímico em que sons são fundidos e os clássicos da MPB ressurgem sob uma roupagem mais contemporânea, o músico erudito não abre mão das noitadas (sempre trabalhando) na metrópole. "A escola da noite é muito boa. Você aprende muito com os músicos", garante.
SERVIÇO:
O saxofonista e flautista Ellis Mário encerra hoje a série Sopristas, na Quinta Instrumental do Centro Cultural do Banco do Nordeste, ao meio-dia e às 18 horas. O CCBN fica na rua Floriano Peixoto, 941, Centro. Outras informações no telefone 3464 3108. Entrada gratuita.
EMAIS
Além de apresentar-se em eventos, bares e restaurantes da cidade e participar de festivais de jazz como o de Guaramiranga, Ellis Mário rege a Orquestra de Música Nordestina do Instituto Pão de Açúcar. Dela participam duas centenas de jovens que têm, diariamente, aulas de teoria e prática musical.
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