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Estética e política no bagaceira

O grupo de teatro bagaceira é um dos cinco convidados nacionais da 3º Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, que acontece em São Paulo, próximo mês. Com o espetáculo O Realejo, o grupo participará do evento que pretende discutir estética e política no teatro


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15/04/2008 00:23

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Depois de rodar o Brasil com o projeto Palco Giratório, do Sesc, o espetáculo O Realejo, do Grupo Bagaceira, ganha estrada mais uma vez. No começo de maio, segue para São Paulo. O grupo cearense será um dos 11 participantes da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, evento organizado pela Cooperativa Paulista de Teatro, que discute o tema "Estética e Política na Prática Teatral", com uma programação, entre os dias 5 e 11 de maio, aberta e gratuita, composta de apresetações, debates e espaços destinados para a demonstração dos processos criativos de cada companhia.

"Os festivais, hoje em dia, estão perdendo essa coisa que é a competição. Na verdade, o mais interessante de sair do Nordeste e encontrar um grupo que vem do Chile é o intercâmbio e a troca de experiências, que vai enriquecer e propagar o trabalho do grupo", diz Rogério Mesquita, 28 anos, integrante do Bagaceira.

O grupo recebeu o convite ainda no fim do ano passado. A mostra não abre inscrições, apenas convidados participam, cada qual com um espetáculo. Entre os artistas presentes, estarão dois veteranos do teatro politizado: o brasileiro João das Neves, que trabalhou com o histórico Teatro Opinião dos anos 60 e 70; e Santiago Garcia, que dirige desde 1966 o grupo colombiano La Candelária.

O Realejo, peça mais viajada e de pesquisa estética mais madura do grupo, foi escolhida pelos curadores também pelo maior número de pessoas do elenco, que conta com sete, além de mais três na técnica. De qualquer forma, os onze integrantes do Bagaceira vão à capital paulista - um dos objetivos principais do evento é a interação entre os grupos.

"Teatro é efêmero, é aquela apresentação, momento único, e é até difícil romper barreiras. Então, cada mostra que nasce, cada festival que a gente participa, é mais uma extensão da longevidade do nosso trabalho. É uma mostra que não abre nem inscrição, convidam porque ouvem falar de referências de curadores. Então, só o convite já é uma felicidade de que o trabalho já tá começando a furar o cerco", aponta Rogério.

A viagem chega justamente no mês em que o grupo completa oito anos e programa a inauguração de sua sede, no Bairro de Fátima, espaço que será destinado ao intercâmbio entre grupos, pequenas apresentações e leituras dramáticas. As atividades, provavelmente, começarão quando o Bagaceira voltar de São Paulo, bagagem abarrotada.


QUEM É BAGACEIRA E O REALEJO
O Grupo Bagaceira começou no ano 2000, participando do Festival de Esquetes de Fortaleza com os quadros Papoula, Solange Mulher e Sabonete Cabeludo. No ano seguinte, veio o primeiro espetáculo, Papoula e o Sabonete Cabeludo, levado para o Festival de Teatro de Fortaleza. O grupo vem criando esquetes e espetáculos, obtendo repercussão. A peça Lesados já recebeu 21 prêmios regionais e nacionais. O Realejo, de 2005, já foi encenado em diversos estados, além do Festival Internacional de Teatro de Londrina. Nos últimos anos, vieram outros espetáculos, como PornoGráficos, o mais recente.

O Realejo propõe um clima de delicadeza e poesia. O cenário é o da cidade pequena, com pracinha, pôr-do-sol, amor proibido, mar e realejo. A bela Marina é prometida em casamento ao homem mais afortunado e poderoso da região. Vê, porém, crescer sua paixão por um jovem, gerando assim a aflição e a desordem. Os fatos são nostalgicamente enlaçados pelo Homem do Realejo, que presencia a história de amor. Entre outros elementos, tem-se domínio da rima, uma refinada concepção cênica, fluidez e sutileza das atuações, unindo graça, gravidade e poesia.


E-MAIS

- Do Brasil, além do Bagaceira, participam: Ícaros do Vale (Vale do Jequitinhonha, MG, com Maria Lira), Cia Senhas de Teatro (Curitiba, PR, com Antígona - Reduzida e Ampliada), Oigalê (Porto Alegre, RS, com Miséria, Servidor de Dois Estancieiros) e Atores de Laura (do Rio de Janeiro, RJ, com Ensaio de Mulheres).

- Os convidados estrangeiros são: Teatro del Bardo (da cidade de Paraná, na Argentina, com a montagem Amarillos Hijos), Teatro en el Blanco (de Santiago, Chile, com a peça Neva), Teatro la Candelária (de Bogotá, Colômbia, com El Paso), Teatro Malayerba (de Quito, Equador, com Bicicleta Lerux), Teatro la Rendija (Mérida, México, com Errores de lo Subjuntivo). Como convidado especial, o grupo A Barraca, de Lisboa, o mais importante coletivo teatral de Portugal, já com 30 anos de atividades.

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SAIBA MAIS

Mais informações sobre a Mostra podem ser encontradas no site: www.centrocultural.sp.com.br


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