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No cinema, o som angustiante do opala


12 Abr 2008 - 00h25min

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Antigo Cine São Luiz: acústica causa desconforto a diretor (Foto: Marcus Campos)

Na primeira exibição oficial no país de Nossa Vida não Cabe num Opala, o diretor paulista Reinaldo Ribeiro sentiu angústia. Não só aquela prevista em qualquer estréia, mas outra, de ordem técnica. Logo no início da exibição, na abertura anteontem da Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-metragem do 18º Cine Ceará, ele percebeu que as imagens projetadas no Cine São Luiz e o som que reverberava na sala não eram fiéis ao seu filme.

"Aqui vai uma crítica construtiva ao festival", introduziu na coletiva e debate realizada na manhã de ontem no Hotel Gran Marquise, na Beira-Mar. E seguiu: "Várias vezes a trilha sonora batia muito com a fala e você não entendia, eu mesmo que sei os diálogos de cor, certas vezes recorri a legenda em espanhol pra entender. Eu acho o cinema muito bacana, só que não dá pra passar nosso filme com aquela qualidade", ponderou.

O filme é o primeiro longa de Reinaldo depois de sete curtas-metragens. O roteiro é uma adaptação de Di Moretti da peça Nossa Vida não Vale um Chevrolet, do paranaense Mário Bortolotto. O filme seria homônimo, não fosse a General Motors ter negado a autorização para utilização da marca no título da película. Reinaldo, acompanhado do advogado, chegou a participar de uma série de reuniões com executivos da multinacional. "Aquela mesa parece a santa seia, um monte de gente da América Latina. E não teve jeito, lá pelas tantas um diretor da Colômbia que estava no Brasil falou assim: 'Escuta, você chegou a pensar que a gente gasta milhões e milhões de dólares por ano pra manter o nome Chevrolet limpo, e você vem aqui com o roteiro dessa coisa que fala sobre uma família sem esperança'". Reinaldo respondeu: "Bem, não é bem isso, mas se você tá entendendo assim, o que eu posso fazer?", e depois explicou como a GM aceitou a nova proposta: "Opala não é marca e sim produto, e ainda está fora de linha". (Pedro Rocha, da Redação)

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