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ESTRÉIA

As primeiras divas

Um novo Cineclube surge prestigiando os clássicos. O Politheama inicia as atividades hoje, no antigo Cine São Luiz, com uma programação que apresenta as principais divas da era do cinema mudo


10 Mar 2008 - 00h58min

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Greta Garbo
Elas não falavam, mas colocavam o público a seus pés. Mulheres como Mary Pickford e Greta Garbo fizeram-se estrelas muito antes do cinematógrafo emitir algum som. Décadas após os tempos áureos do glamour hollywoodiano, elas aportam no antigo Cine São Luiz. De hoje a sexta-feira, elas se tornam protagonistas do Cineclube Politheama, que inicia suas primeiras exibições justamente homenageando as divas do cinema mudo.

"A escolha dessas divas norte-americanas não foi por acaso. Elas servem para que a gente possa conversar sobre como se deu a construção de Hollywood e do star system. Antes delas, a relação dos filmes com os atores era muito amadora. Os nomes deles nem eram creditados. Quando um diretor resolveu apostar no nome de uma atriz, ele percebeu que isso conferia glamour e mais aceitação comercial para o filme", explica Carolinne Vieira, curadora do Cineclube.

A cada dia, uma musa diferente ajudará a puxar a discussão. Ao contrário do que acontece na maioria dos cineclubes, o "debate" é feito antes da exibição. Essa foi a forma encontrada para contextualizar o espectador e prepará-lo para assistir ao filme com olhos mais atentos. "A experiência que tenho de cineclubes mostra que, após as exibições, há um esvaziamento. Não podemos deixar de comentar os filmes, senão isso vira uma simples sessão de cinema. Se alguém quiser debater depois, queremos que seja de forma espontânea, sem uma institucionalização", afirma ela, que já coordenou o Cineclube da Casa Amarela.

Além disso, outra novidade é que, ao invés de fazer uma exibição semanal, o Politheama vai funcionar durante uma semana de cada mês sempre com um tema específico e, ao invés de operar à noite, vai começar todos os dias a partir das 11h30, priorizando o público já cativo da Praça do Ferreira. Antes da conversa, curtas-metragens vão ajudar a agregar público e satisfazer quem tem pouco tempo para ficar por lá. A idéia é abrir espaço, principalmente, para os clássicos e filmes de domínio público. A projeção pretende atrair não só jovens cinéfilos dispostos a aprender um pouco mais, mas também os cinéfilos antigos que nunca tiveram a oportunidade de conferir obras desse porte em uma tela majestosa como a do Cine São Luiz.

O próprio nome do cineclube revela essa vontade de olhar para o passado. Politheama era uma das salas de exibição que existiam na Praça do Ferreira. Hoje, somente o São Luiz resiste. "Esse nome já traz uma memória afetiva de quem prestigiava o cinema antigo. Queremos voltar para esse cenário de antigamente e ativar o centro como um espaço cultural, o que já vem acontecendo com o Centro Cultural Banco do Nordeste. O momento é de dinamizar e movimentar", diz Carolinne. A abertura do cineclube inicia a série de comemorações aos 50 anos do Cine São Luiz e pega o embalo das homenagens pelo Dia Internacional da Mulher. Toda a programação é gratuita. (Amanda Queirós)


SERVIÇO

Cineclube Politheama - Inauguração do novo cineclube de Fortaleza com a mostra Divas do Cinema Mudo. De hoje (10) até sexta-feira (14), a partir das 11h30, no Centro Cultural Sesc Cine São Luiz (Praça do Ferreira, s/n - Centro). Grátis. Informações: 3226.2737.


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

HOJE (10/3)
Little Annie Rooney (EUA, 1925)
De William Beaudine. Com Mary Pickford, William Haines, Walter James.
Mary Pickford, a primeira namoradinha da América, surpreendeu a crítica e o público por interpretar uma garota de 12 anos que tenta inocentar o garoto por quem é apaixonada da acusação de ter assassinado o pai dela. Duração: 94min.

TERÇA (11/3)
Male and Female (EUA, 1919)
De Cecil B. Demille. Com Gloria Swanson, Thomas Meighan, Theodore Roberts.
Gloria Swanson, que ficou conhecida por suas personagens extravagantes e segura, interpreta aqui uma menina namoradeira da alta sociedade, que naufraga numa ilha deserta com a família e o mordomo Crichton toma as decisões para sobreviver. Duração: 116min.

QUARTA (12/3)
The Unchastened Woman (EUA, 1925)
De James Young. Com Theda Bara, Wyndham Standing, Dale Fuller.
Theda Bara ficou famosa por suas personagens sensuais com os olhos pintados de negro e seios cobertos por peças reduzidas. No filme, faz o papel de uma mulher que descobre um caso do marido justamente quando vai revelar que está grávida. Daí, ela foge para a Europa. Duração: 52min

QUINTA (13/3)
A Saga de Gösta Berling (Suécia, 1924)
De Mauritz Stiller. Com Greta Garbo, Lars Hanson e Sven Scholander.
Padre desiste do sacerdócio e começa uma procura sobre os valores da moral fora da religião. Conhece então a personagem de Greta Garbo, que lhe oferecerá o reencontro com a fé. Sueca, Garbo encantou os EUA e manteve-se uma estrela mesmo após a transição para o cinema falado. Este é o seu primeiro filme. Duração: 185min.

SEXTA (14/3)
A Caixa de Pandora (Alemanha, 1929)
De G.W. Pabst. Com Louise Brooks, Fritz Kortner e Francis Lederer.
Aqui, Louise Brooks é Lulu, que vê uma série de tragédias acontecer em sua vida após o casamento com o amante, um editor de jornal. É o maior sucesso da atriz, que iniciou a carreira em grupos de dança norte-americano e apostou, posteriormente, na carreira européia. Duração: 181min.

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