08/03/2008 15:19
"O feminismo conseguiu várias conquistas. Uma delas foi o reconhecimento profissional das mulheres (porque é falacioso dizer que as mulheres 'entraram' no mercado de trabalho)", explica Beth Ferreira. Hoje, segundo a presidente do FCM, a opção por seguir uma carreira profissional é razoavelmente aceita. "No entanto, um campo continua quase inalterado: o campo do poder - tanto econômico, mas, principalmente, o político."
Para Matusaíla Santiago, presidente do grupo de mulheres que se reúnem, no primeiro domingo de cada mês, na Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, em Fortaleza, a saída encontrada para romper com as condicionantes culturais do machismo foi a palavra escrita. Escrever tem, portanto, se convertido numa arma de expressão e, por conseguinte, de poder. "Essa Ala, fundada por Henriqueta Galeno, em 1936, foi criada com um propósito que até hoje norteia as nossas ações: tirar a mulher âmbito particular para o público", revela Santiago.
Na Ala, versão reduzida da Academia Brasileira de Letras e de outras tantas que pipocam no País, as cerca de sessenta membros apresentam textos de natureza literária e artigos sobre os mais variados temas para o público, que debate a qualidade das obras. Além de ser responsável por intensa produção intelectual, o grupo se encarrega de publicar o resultado desse debate. "Antigamente, só a nata da sociedade podia participar da Ala, que se chamava Falange Feminista. Hoje, nós abrimos espaço para qualquer mulher, desde que seja alfabetizada. Muitas delas já publicaram livros."
"Muitas conquistas vieram (política de saúde com integralidade e universalidade, direito ao Planejamento Familiar, são exemplos). Conquistamos também uma lei que reverte a impunidade que havia - e ainda há - sobre os casos de violência doméstica e sexual, que é a Lei Maria da Penha", relata Angela Freitas. De modo geral, os desafios de uma reflexão feminista encontram guarida até mesmo entre os homens, que, especula-se, também sofrem com o machismo atávico. Carmen Silva discorda. Em tom de brincadeira, ela evoca a imagem de uma balança e pergunta: o que pesa mais no final das contas? O sofrimento do homem ou da mulher?
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