Juliana Girão
da Redação
O Vida & Arte Cultura deste domingo apresenta a lista dos grandes destaques deste ano em oito categorias: Dança, Teatro, Cinema, Show, Artes Visuais, Literatura, Música e Televisão
29/12/2007 15:24
O fim do ano chega e as listas dos melhores do ano vêm à reboque. O Vida & Arte Cultura reitera a tradição - com todos os riscos que esse tipo de ranqueamento traz - e não fica de fora. Dança, Teatro, Cinema, Show, Artes Visuais, Literatura, Música e Televisão estão comtemplados nesta edição. Em cada uma das oito categorias, três repórteres ou editores do Núcleo de Cultura & Entretenimento do O POVO e um jurado convidado compuseram suas listas pessoais com os 10 melhores do ano. Entre os pré-requisitos, os produtos/espetáculos deveriam ser acessíveis ao público cearense, seja por meio da Internet ou fisicamente. Os mais citados entre essas listagens são os vencedores do ranking publicado que traz cinco selecionados. A exceção ficou por conta da categoria Literatura, na qual as listas não apresentaram nenhum título em comum, salvo Entrevistas, de Clarice Lispector, citado por dois jurados. A solução editorial foi pedir "o" melhor livro do ano para cada um dos participantes". O resultado final é a soma desse apurado.
No rol dos resultados previsíveis, é possível destacar pelo menos dois. A escolha do espetáculo Os Sertões, do diretor paulista José Celso Martinez Corrêa, que mobilizou a cidade de Quixeramobim, em setembro último, e do filme Tropa de Elite, de José Padilha, fenômeno de pirataria no Pais em 2007. Este último pela repercussão nacional em grande escala que o longa protagonizou ao abordar a violência nos morros cariocas e a repressão policial ao tráfico de drogas sob o ponto de vista de figuras como o polêmico capitão Nascimento. "Por mais problemas que o filme possa ter - principalmente pelos esquematismos fáceis -, Tropa de Elite se destaca por render debates sobre práticas violentas da polícia, drogas e violência urbana, além de pirataria", pontua a repórter Natália Paiva. "Mas, acima de tudo, o filme foi importante por jogar um imenso espelho à nossa frente. Em uma sociedade onde capitão Nascimento é aclamado como 'herói nacional', há algo de muito errado", completa. Também na categoria Cinema foi quase unânime a escolha do documentário brasileiro Santiago, de João Moreira Sales, e O Império dos Sonhos, do cineasta norte-americano David Lynch. O primeiro pela reflexão sobre o fazer documental e a crise da representação da verdade, e o segundo pela habilidade em fazer cinema-antiespetáculo bem no centro de Hollywood.
Entre as surpresas, a preferência - mesmo que involuntária - pelo nacional. Na categoria Dança, dos cinco selecionados, três são brasileiros. Em Música, o mesmo número. Em Cinema e Artes Visuais, foram quatro. Outro fato inesperado: foram as cantoras o grande destaque na categoria Música. São elas: Vanessa da Mata (Sim), Amy Whinehouse (Back to Black) e Fernanda Takai (Onde brilham os olhos seus). A primeira foi a mais votada, citada por três dos quatro jurados. Segundo o DJ Marquinhos, a moça é talentosa e supreende com o CD que traz referências que vão da Tropicália ao Dub. "É de longe o melhor CD da Vanessa. A música Quem irá nos Proteger é uma das melhores coisas que eu ouvi esse ano", comenta. Roberta Sá, Björk, Britney Spears e Madonna também foram citadas, mas não entraram para o resultado final.
Entre as manifestações mais importantes das artes visuais, mereceu destaque a mostra Tropicália: O Brasil em Transe, que esteve em cartaz em novembro, no Centro Cultual Banco do Nordeste, em homenagem aos 40 anos do movimento. A exposição trouxe, pela primeira vez à Fortaleza, a instalação homônima de Hélio Oiticica. "O espectador era convidado a passear pelo labiríntico ambiente, cercado de plantas, araras, caminhos de areia, cascalho, com um aparelho de televisão ligado ao fundo. Qualquer pessoa podia vestir um dos cinco parangolés de Oiticica", lembrou a repórter Camila Vieira. Mereceu destaque também a mostra Rembrandt e A Arte da Gravura, que esteve em cartaz no Espaço Cultural Unifor, reunindo um acervo de 90 gravuras e duas placas originais do pintor e gravurista holandês Rembrandt Harmensz.
Leia mais sobre esse assunto