O poeta cearense Majela Colares lança coletânea de poemas Cores do Tempo, logo mais à noite no Centro Cultural Oboé
09/11/2007 01:57

Majela Colares se define fruto do tempo e do mundo. "Do orgasmo do tempo", pontua ele em Poema do Instante Único. Filho da "matéria expelida, no refúgio da vida, sob os raios do sol, sob os raios da lua", Majela solda palavras e fala das horas, da existência humana, do sertão, da cidade, da natureza, da vida através da poesia. Aos 43 anos e prestes a completar 15 anos de carreira literária, o poeta cearense de Limoeiro do Norte resolveu fechar o ciclo e reunir escritos das suas cinco publicações Confissão de Dívida e Outros Poemas (1993/2001), Outono de Pedra (1994), O Soldador de Palavras (1997), A Linha Extrema (1999), O Silêncio no Aquário / Die Stille im Aquarium, tradução de Curt Meyer-Clason (2004) e Quadrante Lunar (2005). O resultado dessa seleção de poemas - escolhidos pelo próprio autor em ordem cronológica - está na coletânea Cores do Tempo, que será lançado nesta sexta-feira (9), no Centro Cultural Oboé.
Transitando entre o poema concreto e visual e de estrutura clássica, o poeta revela preocupação com a passagem do tempo, como no poema As Marcas do tempo (no confundível e abstrato mármore/ imagem sólida do momento único) ou em Contornos do Tempo (é que a vida passa/ feito a tela limpa/ que não foi tingida/ que não foi borrada) e ainda em Os Limites do Tempo (nos limites da sombra projetada/ nos contorno da noite aproximada/ percebo o tempo farejando as cores). Em contraponto à angústia das horas que se passam, a observação dos fenômenos da natureza, suas cores, seus brilhos, seus encantos, como em Soneto Para uma Estação, ou os devaneios de um poeta, como em Chão de Sonhos.
Segundo o autor, o livro reflete um momento de uma profunda "auto-crítica". "É hora de pensar e repensar. De estudar mais, ler mais, por que sente-se já um peso de responsabilidade por ser representante de uma geração. Eu faço literatura com muita responsabilidade e faço o maior esforço possível para fazer da melhor forma possível. Esta coletânea, As Cores do Tempo, é um acerto literário comigo mesmo", diz, em entrevista por e-mail. Após esse acerto de contas, a próxima fase segue naturalmente. "Eu já me encontro nesse novo ciclo que é o ciclo de uma visão mais larga, profunda, abrangente e crítica. Meus novos poemas (inéditos) já vivem esse novo momento", diz. Ao final, a coletânea traz uma amostra crítica com textos de jornalistas e poetas publicados em periódicos.
Influenciado desde menino, quando se descobriu poeta, por clássicos brasileiros como Álvares de Azevedo, Castro Alves, Augusto dos Anjos, passando pala literatura de cordel e pelos poetas-repentistas, e mais tarde por João Cabral, Drummond, Jorge de Lima, Ferreira Gullar e Fernando Pessoa, Majela acredita que o papel do poeta é fazer poesia para quem gosta. "E a humanidade naturalmente gosta de poesia. Não só na sociedade de hoje, mas em todos os tempos o papel do poeta é revelar e concretizar para, para o futuro do mundo, o que melhor existe na essência do ser humano. O que lhe é mais sublime. O compromisso do poeta é com a beleza do humano, revelando-a para os tempos futuros".
QUEM É MAJELA COLARES
O poeta Majela Colares, nascido em Limoeiro do Norte, em 1964, é radicado no Recife desde 1992. Graduado em Direito, publicou os livros de poesia Confissão de Dívida e Outros Poemas (1993/2001), Outono de Pedra (1994), O Soldador de Palavras (1997), A Linha Extrema (1999), O Silêncio no Aquário / Die Stille im Aquarium, tradução de Curt Meyer-Clason (2004) e Quadrante Lunar (2005). Também publicou o livro de contos O Fantasma de Samoa (2005). É membro do conselho editorial de Calibán - uma revista de cultura.
SERVIÇO:
Lançamento do livro As Cores do Tempo (Editora Calibán, 220 p.), de Majela Colares - Nesta sexta-feira, 9, a partir das 19h30, no Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531 - Aldeota). Apresentação do poeta Soares Feitosa. Informações: 3264-7038.