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Vida & Arte

EXPOSIÇÃO

Brasil em transe

Camila Vieira
da Redação

Em homenagem aos 40 anos do tropicalismo, o Centro Cultural Banco do Nordeste preparou programação especial, com exposição, mostra de filmes, seminários e debates. Amanhã, às 20h, acontece a abertura da exposição Tropicália: O Brasil em Transe


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08/11/2007 00:22

Parangolé, foto de Hélio Oiticica, um dos pais do Movimento Topicalista (Divulgação)
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Parangolé, foto de Hélio Oiticica, um dos pais do Movimento Topicalista (Divulgação)

Em abril de 1967, o artista carioca Hélio Oiticica testemunhou a concretização do que ele chamava de "arte ambiental" ou "antiarte", dentro do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A obra Tropicália era fruto de sua intensa experiência com as imagens, com o intuito de instituir uma arte brasileira em confronto com a hegemonia de grandes movimentos artísticos internacionais, como o Pop Art. Designada pelo próprio Hélio como "penetrável" (que a arte contemporânea agora chama de instalação), a Tropicália consistia em cenário labiríntico, montado dentro do espaço branco do museu, com plantas, araras, caminhos de areia, pequenas pedras ou cascalho, ao lado de vasos, poemas-objetos, capas de Parangolé e, ao fundo, um aparelho de televisão ligado. A partir de amanhã, às 20h, no Centro Cultural Banco do Nordeste, o público de Fortaleza pode entrar neste ambiente imersivo e ser "devorado" por múltiplas experiências sensoriais - como queria Oiticica.

Carro-chefe da exposição Tropicália: O Brasil em Transe do CCBN, a obra acabou dando nome ao movimento cultural brasileiro do fim dos anos 1960, que incluiu nomes da música (entre os principais, Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes, Tom Zé), do cinema (Glauber Rocha), do teatro (José Celso Martinez Corrêa). A vinculação do nome de sua obra à iniciativa foi desaprovada por Oiticica. "E agora o que se vê? Burgueses, subintelectuais, cretinos de toda espécie, a pregar tropicalismo, tropicália (virou moda!) - enfim, a transformar em consumo algo que não sabem direito o que é", vociferou em texto escrito em março de 1968. Para o artista plástico, sua idéia de Tropicália era bem mais ampla que "araras e bananeiras". Era a "consciência de um não-condicionamento às estruturas estabelecidas, portanto altamente revolucionário na sua totalidade".

Em diálogo com a dinâmica das favelas, a descoberta dos morros, do samba e da arte das ruas, tal idéia de Oiticica sintetizada no penetrável já tinha começado com a criação do Parangolé, em 1964. A exposição apresenta cinco Parangolés do artista, que o público também poderá vestir. De acordo com um dos curadores, Maurício Coutinho, a exposição contempla também a famosa bandeira Seja Marginal, Seja Herói (1968), na qual era utilizada a foto de um bandido morto como base para uma estampa. O artista pernambucano Paulo Bruscky também trouxe matérias de seu acervo pessoal, como correspondências e fotografias inéditas de Oiticica feitas em Recife, quando ele apresentou os parangolés.

Apesar da predominância de trabalhos do Hélio, a exposição também abrange outros artistas do movimento tropicalista, como quatro desenhos do cenário feito por Hélio Eichbauer para o espetáculo O Rei da Vela, com texto de Oswald de Andrade e direção de José Celso Martinez, além da coleção de fotografias feitas por Ivan Cardoso das principais personalidades da época. "Como homenagem à tropicália, procuramos fazer um pequeno recorte de alguns trabalhos pontuais, já que o mais importante será o debate em torno do que foi o movimento". A exposição faz parte de projeto mais amplo do CCBN, que acontece durante o mês de novembro (veja coordenada). "É a primeira vez que as obras de Hélio Oiticica chegam ao Nordeste. Ele representou a passagem da arte moderna para a contemporânea no Brasil. É o momento em que o Brasil descobre uma arte para si mesmo", pontua Solon Ribeiro, também curador da exposição.


SERVIÇO

Tropicália: o Brasil em Transe - Programação especial em homenagem aos 40 anos de tropicalismo, no Centro Cultural Banco do Nordeste (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro). Amanhã, às 20h, abertura da exposição. Às 18h30, Jorge Mautner participa do seminário avançado de arte O Movimento Tropicalista. Grátis. Info.: 3464.3108.

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