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Vida & Arte

SHOW

Dois filhos de Dorival

Amanda Queirós
da Redação

Dori e Danilo Caymmi fazem show amanhã na barraca Atlantdz, na Praia do Futuro, com o show mano a mano


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14/09/2007 01:46

Dori e Danilo: com flauta e violão os filhos de Caymmi apresentam show Mano a Mano com músicas do próprio repertório, da família, de Tom Jobim e Ari Barroso 
(Divulgação)
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Dori e Danilo: com flauta e violão os filhos de Caymmi apresentam show Mano a Mano com músicas do próprio repertório, da família, de Tom Jobim e Ari Barroso (Divulgação)

Primeiro foi o pai. Depois a mãe. E logo em seguida vieram os três filhos, um atrás do outro. Tal como a Família Dó-Ré-Mi, nenhum Caymmi escapou de se entregar à música. No entanto, ao contrário do que acontecia no seriado norte-americano, o clã gerado pelo compositor Dorival Caymmi e pela cantora Stella Maris não reduziu os talentos em uma só carreira. Nana, Dori e Danilo seguiram caminhos próprios. No entanto, vez por outra eles resolvem se encontrar.

Quem bolou o último plano de convergência foi o caçula Danilo. Por telefone, ele convocou o irmão, que mora nos Estados Unidos há mais de dez anos. Das conversas, surgiu o projeto dos dois tocarem juntos. Os problemas de saúde impediram Nana de participar. Mesmo assim, a idéia foi adiante e se traduziu na turnê Mano a Mano, show que os irmãos apresentam amanhã, a partir das 22h, na Barraca Atlantdz. Ao lado do mar cantado aos montes pelo pai, os dois interpretam um repertório livre das amarras de um setlist. Com o violino e a flauta em punhos, a dupla chega ao palco disposta a tocar e cantar tanto as composições próprias de cada um quanto os sucessos paternos e os de outros grandes da MPB como Tom Jobim e Ari Barroso.

"A gente não toca há muito tempo um trabalho nosso. Eu e o Danilo começamos muito juntos, com o violão e a flauta, quando éramos bem meninos. É muito bom trabalhar com ele porque tudo funciona bem. As vozes são parecidas e a gente mantém esse lado brasileiro por excelência", afirma Dori, por telefone, do Rio de Janeiro. O músico empunha mesmo o discurso de defesa da brasilidade da música feita aqui. Influências das sonoridades estrangeiras, tudo bem. Querer imitar o que se faz lá fora já não lhe é tão bem-vindo.

Dori ficou "preso" nos EUA quando foi participar de um projeto em Los Angeles e, ao ligar pra casa, viu que o presidente Collor tinha congelado as poupanças. Abusado da situação política do País, resolveu ficar por lá mesmo. "Fui tendo uma visão do Brasil do lado de fora. É uma visão esquisita. Você começa a olhar palhaçadas tipo essa do Renan Calheiros (durante a entrevista, estava em curso a sessão de votação pela cassação do senador, que foi absolvido por um voto) e se incomoda muito com isso", diz. Mesmo longe de casa, o músico continua se inspirando e cantando um Brasil bucólico e bonito. "Sabe o que é isso? Saudade do bom tempo", suspira. Nem quando ponteia suas críticas em forma de música, Dori perde isso de vista. Como em Saudades do Rio, com letra de Paulo César Pinheiro, na qual "Toda vez que o Rio é maltratado / Chora o Corcovado, chora a Guanabara".

Apesar de ser um compositor e instrumentista tarimbado e premiadíssimo, o segundo filho de Dorival rechaça o sucesso. Modesto, ele minimiza o seu próprio trabalho diante do dos irmãos e diz-se o menos famoso dos três. "Eu sou mais conhecido como arranjador. Certamente, foi a falta de espaço que me levou para aí. Mesmo com o nome do meu pai, acabei me recolhendo à essa posição. Só fui gravar depois que meus contemporâneos já tinham três ou quatro discos. Mas não sou muito fã dos meus discos, não", diz.

É exatamente nesse viés da carreira que entra a influência de Tom Jobim. "A influência do Tom Jobim é harmônica, de construção de harmonias mais modernas. Ele era apaixonado pelo meu velho como eu sou apaixonado por Tom Jobim e como eu espero, no futuro, que alguém se apaixone por mim (risos)". A outra influência, inevitável, é a do próprio Dorival, que, aos 93 anos, continua cantando baixinho para as bandas de Minas Gerais. "Meu pai é um compositor único. A música dele tem uma pureza que quase não se ouve mais. Sou fanático pelas canções dele, mas elas não são populares. O povo gosta é de levantar poeira, né? A isso, eu sou alérgico", ri.


SERVIÇO

Mano a Mano. Show com os irmãos Dori Caymmi e Danilo Caymmi. Amanhã (15), às 22h, na Barraca Atlantdz (Av. Zezé Diogo, 5581 - Praia do Futuro). Ingressos: R$ 35 (meia) e R$ 50 (inteira). Mesas: R$ 200 para quatro pessoas. Informações: 3249.4606


SAIBA MAIS

Os irmãos Dori e Danilo Caymmi são a atração dessa semana do programa Ensaio, da TV Cultura. Sob o comando do apresentador Fernando Faro, eles tocam, cantam e conversam sobre a carreira. O programa tem exibição hoje, às 0h10, na TV O POVO (canais 48 UHF, 23 na NET e 11 na TV Show).


E-MAIS
- Em 2004, os irmãos Nana, Dori e Danilo prestaram uma homenagem pelo aniversário de 90 anos do pai Dorival Caymmi com o álbum Para Caymmi - 90 anos. A gravação recebeu o prêmio de Melhor Disco de Samba na edição do Grammy Latino daquele ano.

- Danilo esteve recentemente em Fortaleza. Em meados de julho, ele fez um show ao lado do músico Muri Costa como parte do projeto Jazz ao Pôr-do-Sol, no Iate Clube. Veja um trecho da apresentação em http://www.youtube.com/watch?v=7XMgd5d8AXU.

- Após despontar com sucessos como Andanças, o caçula da família Caymmi tem músicas constantemente no ar como parte de trilhas sonoras de novelas da Rede Globo. A mais recente, é Vatapá, composição de Dorival interpretada por ele próprio.

- Os trabalhos dos dois irmãos somam mais de 60 discos. É comum a participação de um nos álbuns do outro. No site pessoal de Dori, é possível encontrar trechos e partituras de composições dele. O link é www.doricaymmi.com.br.


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