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FESTIVAL

Lua, estrela e cinema

Juliana Girão
Da Redação

O Curta Canoa - Festival Latino-Americano de Curta-Metragem, na praia de Canoa Quebrada, em Aracati, chega à terceira edição este mês. O evento se prepara para receber 38 trabalhos em audiovisual, além de debates e oficinas


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04/09/2007 00:33


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O pescador Francisco de Assis Onorato da Rocha, 54, tem na lembrança o tempo em que assistia a filmes de "bang-bang", como ele mesmo diz, nos antigos Cine São Luiz e Cine Diogo, no centro da cidade. Não recorda dos títulos nem das histórias. Mas sabe que fazia gosto assistir àquelas aventuras de caubóis. Tempos depois, voltou para a terra natal, Aracati, para viver da pesca. E o cinema ficou para trás. O reencontro só aconteceu quase 30 anos depois na tela armada no 1° Festival Latino-Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada - Curta Canoa em 2005. "Não foi uma coisa do outro mundo para mim por que a gente faz programação de teatro aqui. Mas a gente fica viajando legal para caramba!", ri. Assis diz que "curtiu" a admiração dos demais, especialmente dos moradores mais velhos. "Para muita gente que nunca viu um telão, foi uma alegria enorme", recorda o pescador que é presidente da Colônia de Pescadores Z12 de Aracati e do Conselho da Associação dos Moradores da Vila dos Estevãos.

Levar o cinema para tantos Assis, Franciscos, Marias e Josés é o mote do Curta Canoa, que chega à terceira edição, na última semana de setembro, quando o céu promete estar clareado pela lua cheia. Nesse cenário, dotado de belas falésias cor de laranja, mas desprovido de efetivas salas de cinema, o festival exibe 38 trabalhos, entre 19 vídeos e 19 curtas selecionados entre a produção brasileira. Desse total, 11 cearenses compõem a mostra competitiva, entre eles Batom Lilás, de Henrique Dídimo; Caminho das mãos vazias, de Andréa Sales; Partida, de Luiz Carlos Bizerril e Alexandre Veras; e o premiado Vida Maria, de Márcio Ramos. Os trabalhos são premiados em 14 categorias com o Troféu Lua e Estrela. Realizado no Pólo de Lazer de Canoa Quebrada, o evento, além das exibições, traz debates, oficinas e seminários. Até o fechamento desta edição, os trabalhos da mostra especial latino-americana não estavam confirmados.

Segundo o organizador do evento, Adriano Lima, o festival cresce a cada ano. Em 2005, na primeira edição, foram 170 trabalhos inscritos; no ano seguinte, 250; este ano o total de inscrições chegou ao número 460. "O festival está se consolidando, ficando reconhecido. As pessoas estão dando credibilidade", acredita o produtor cultural. Com apoio da Lei Rouanet e Lei Estadual de Cultura, - mas sem orçamento revelado pela organização, que alega estar em fase de captação -, o evento está na medida certa e não almeja crescer mais, segundo o produtor. "É um festival pequeno, enxuto, com a base que é a comunidade que participa. Tudo é discutido com eles", garante.

De acordo com o organizador, a prioridade é "plantar uma semente" no fomento à produção audiovisual na região, gerando renda e emprego para os jovens. Ele garante que já há frutos. "A prova disso é que já temos o primeiro filme feito em Aracati", diz, referindo-se ao vídeo Cenas de uma Paixão, que será exibido durante o evento. Com direção de Lázaro Silva, o trabalho, realizado em março deste ano, contou com elenco do Grupo Teatral Cenas, de Aracati, que há 17 anos apresenta o espetáculo A paixão de Cristo. Para o ator Lúcio Reis, que faz o papel de Cristo, o festival foi um grande incentivo para a produção do vídeo, já que boa parte do grupo havia participado de oficinas ministradas no ano anterior. "Para nós, o festival é importante pela integração e pela troca de experiência com outros atores e com diretores de cinema e também para mostrar o nosso Aracati e o nosso potencial turístico", diz. "Fazer esse filme foi um desafio para o grupo", completa.

O diretor da Associação de Empreendedores de Canoa Quebrada (Asbecq), Luis Nogueira, garante que o Curta Canoa é um atrativo a mais no calendário da região e gera bons resultados para o comércio local. "O festival traz muita divulgação, muita gente de fora, investimentos a nível de treinamento, de cursos e oficinas e, com isso, lógico, cria geração de emprego por que traz muito movimento para a cidade", diz, ressaltando o fato de que este ano o festival acontece em período de baixa estação e não num feriado, como no ano passado, quando ocorreu no 7 de Setembro. Segundo ele, a expectativa de ocupação para este ano, durante o período do evento, é de 80% da capacidade das pousadas e hotéis. Dono da Barraca Chega Mais, ele diz que o faturamento da casa deve aumentar cerca de 30% a 40%. De Canoa Quebrada, o projeto segue itinerante para municípios do Baixo Jaguaribe, entre eles, Icapuí, Fortim, Jaguaruana e Russas. Fortaleza também está na rota, mas sem data definida.


SERVIÇO

III Festival Latino-Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada (Curta Canoa) O festival acontece de 24 a 29 de setembro em Canoa Quebrada/CE. Informações: (85) 3251.1105/ 3231.1624. Na Internet: www.curtacanoa.com.br. O III Curta Canoa é uma realização da J.A. Lima Produções, promoção da Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada (Asdecq), Sebrae-CE, Prefeitura Municipal de Aracati, Setur, com apoio da Lei Rouanet e Lei Estadual de Cultura. O acesso é gratuito.


E-MAIS

- No próximo dia 9 de setembro, como parte da programação do festival, acontece a Regata de Jangadas da Comunidade dos Estevãos, na praia de Canoa Quebrada, quando participam 40 embarcações.

- Nesta edição do festival, os dois seminários programados abordam as temáticas do Meio Ambiente e Pesca e Turismo, Cultura e Gastronomia. Já as cinco oficinas vão falar sobre cineclubismo, animação, elaboração de projetos culturais e prestação de contas, produção cultural e gastronomia.

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Como se vê, não há mais programação de filmes latino-americanos. Descaracterizou-se o festival. Também não há debates sobre CINEMA ou AUDIOVISUAL. Os temas são alheios ao meio cinematográfico. Também não há a presença de nomes importantes do cinema brasileiro. Trata-se de um evento caça-níquel. De cultural tem apenas o verniz. Que também está na cara de pau de seu dono, o "lunfa" de festivais e filmes: Adriano Lima.

Francis Gomes Vale

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