Cartola - Música para os olhos, de Lírio Ferreira, será exibido hoje às, 20h, no Espaço Unibanco Dragão do Mar
25/06/2007 02:22

Repleto de imagens de arquivo e depoimentos de parceiros e familiares de um dos maiores compositores da música popular brasileira, o longa-metragem Cartola - Música para os Olhos, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, representa não apenas um documentário sobre o sambista, mas revela sobretudo a paixão dos dois diretores pelo personagem, por sua ligação com a história cultural do Brasil, do Rio de Janeiro e do samba. Quando ainda desfrutavam do sucesso de Baile Perfumado (1996), que Ferreira co-dirigiu com Paulo Caldas, e Lacerda roteirizou, o trio de realizadores pernambucanos foi convidado pelo Instituto Itaú Cultural a desenvolver um filme em torno da biografia do carioca Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980).
Pensado inicialmente com o título Peito Vazio (nome de uma das canções de Cartola, feita com Elton Medeiros), o filme se baseia em entrevistas com parceiros, amigos, pessoas que conviveram com o sambista na intimidade, além de pesquisadores da política, da sociologia e da antropologia do Rio de Janeiro daquela época. De acordo com Lírio Ferreira, apesar da vida do Cartola ser bem parecida com de vários compositores da mesma época, surpreendeu constatar o lado trabalhador do sambista, reconhecido pela maioria das pessoas como boêmio.
Cartola teve muitos subempregos, como lavador de carro, ator de cinema, funcionário público e até dono de bar. Só lançou o primeiro disco aos 66 anos de idade. Além desse aspecto da biografia do sambista, Lírio Ferreira e Hilton Lacerda abordam seu reconhecimento tardio. “O primeiro tratamento do filme propunha contar a trajetória cronológica do compositor. Evoluímos para um filme que, mais do que registrar fatos de uma época, quer captar o espírito desse período”, afirma Lírio, no material de divulgação do filme.
Em Cartola - Música para os Olhos, o diretor alterna documentário e ficção. Entre os detalhes do filme, está a reconstituição do Zicartola, restaurante no Centro do Rio, um sobrado no número 53 da Rua da Carioca, criado pelo compositor e pela mulher Euzébia da Silva, a Zica (companheira de janela, Mangueira, palco e fogão por 26 anos, até o fim da vida) em 1964. Um lugar que juntava três ingredientes fundamentais na cultura carioca: samba, feijão e cerveja. No lado ficcional, o garoto Marcos Paulo Simião interpreta Cartola na infância.
Por conta da burocracia nas negociações de direito autoral das imagens de arquivo, o longa-metragem levou quase dez anos para ser executado. Entre os personagens principais, está Élton Medeiros, parceiro musical de Cartola em O Sol Nascerá, Peito Vazio, entre outras canções. Outro parceiro do compositor que aparece no filme é Nuno Veloso, que diz ter sido praticamente criado por Cartola e Dona Zica. Mostrar um caleidoscópio de informações foi a maneira que os diretores encontraram de não tentar explicar Cartola, mas de reconstruí-lo dentro de seu tempo.
SERVIÇO
Cartola - - Música para os Olhos - Exibição digital de documentário sobre o sambista, dirigido pelos pernambucanos Lírio Ferreira e Hilton Lacerda. Hoje, às 20h, no Espaço Unibanco Dragão do Mar. Às 19h30, exibição do curta Cine Zé Sozinho, de Adriano Lima. Apenas para imprensa e convidados.