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Vida & Arte

NOVOS FORMATOS

Celular e companhia

Em duas semanas, três lançamentos: a TIM Music Store, o CD Zero da Sony/BMG e o download remunerado da Trama Virtual. Internet, telefonia móvel, formatos físico e digital e patrocínio. Possibilidades muitas


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16/06/2007 17:06


Em meio ao turbilhão de transformações no mercado da música, os selos independentes tentam se fortalecer. "Pensamos atualmente apenas em música digital. Distribuição digital através do itunes, Myspace e diversos outros sites de compra e venda de mp3. Damos ainda um espaço para o vinil, por puro prazer", compartilha Arthur Joly, dono do selo Reco Head. Arthur faz coro com a maioria dos envolvidos no mercado de música: os telefones celulares com acesso à internet vão ser a próxima "grande revolução". "As pessoas vão conseguir descobrir, acessar e ouvir música a qualquer hora, em qualquer lugar". Quem grita mais alto nesse coro é a operadora de telefonia celular TIM, que no início do mês lançou a TIM Music Store, anunciada como "a primeira loja de música integrada no celular".

"O celular, a cada dia, dentro desse processo de convergência digital que está ocorrendo, é video, é foto, é tocador de música pessoal e cada vez mais vai tendo funções novas. Unir isso ao fato de você ter a possibilidade de música de qualidade e de forma legal, é o melhor caminho para obter a divulgação da música como um todo", afirma Sérgio Falcão, gerente de Marketing da TIM Nordeste. Na TIM, de março de 2006 a março de 2007, o download de música teve crescimento de 37%. Falcão cita pesquisa do ICM Research feita para a Nokia, que indica que 77% dos brasileiros acreditam que o celular irá substituir o tocador de música, no futuro.

Uma semana antes do lançamento da Tim Music Store, a major Sony/BMG lançou a sua novidade (nem tão nova assim): o CD Zero. Baseado nos antigos compactos - e nos singles, que nunca deixaram de existir mundo afora -, o CD Zero traz cinco músicas de um CD convencional por R$9,99, valor estampado na capa. O primeiro foi de Vanessa da Mata, com cinco músicas do novo álbum Ainda este mês, devem sair os do Lobão e do Capital Inicial. Com o formato, a gravadora pretende "mostrar ao consumidor o valor e a importância do CD original" e "oferecer oportunidade de experimentar novos trabalhos, com qualidade garantida e preço acessível", como aponta o material da gravadora destinado à imprensa. A Sony/BMG ainda está em negociação com as lojas para que haja possibilidade de se apresentar a nota de compra do CD Zero em troca de desconto na compra do CD inteiro.

Mas nem o CD Zero nem a TIM Music Store chegam perto, em termos de inovação, do grande lançamento dessa última semana, que veio da gravadora da Trama: o download remunerado no Trama Virtual (espaço online da gravadora para a produção independente brasileira, com downloads gratuitos). A iniciativa propõe um casamento entre artista, público, marca e veículo. Trata-se de um compartilhamento de receita em que o artista passa a ganhar dinheiro toda vez que alguém baixa sua música no site, patrocinado por uma marca. A cada download de uma música, a banda ganha um determinado valor em dinheiro. Esse modelo pretende reforçar a viabilidade da distribuição de música gratuita e apoiar ainda mais a cena independente no país. Aliás, o site todo passou por uma reformulação, em sintonia com as redes de relacionamento (perfil, galeria, scrapboards, listas de fãs).

"O jeito de fazer antigo, focado no mundo físico, não sustenta mais o negócio. E ao mesmo tempo o novo formato ainda não encontrou sua sustentabilidade. A gente tá num hiato, onde o negócio de música em si passa a ser questionado. Existe um negócio de musica em si ou ele permeará outros negócios?", pontua João Marcello Bôscoli, dono da Trama, onde 60% do faturamento já vêm de música não do meio físico. João afirma que busca, como uma possível solução para crise, um modelo de negócio de patrocínio, no qual o download remunerado seja um dos formatos que ajude a viabilizar a música no mercado do século XXI. "Eu falo isso baseado em quê? Você já pagou para assistir a alguma novela da Globo ou a algum jogo de futebol? (...) O que sustenta são os direitos de transmissão etc. Então, tem uma malha de opções, um grupo que você abre que ajuda a sustentar o negócio. (...) Quem vai viabilizar a obra, o estúdio, os técnicos, os assistentes, a Kombi, a manutenção? Tem uma cadeia de pessoas, e de algum lugar vai ter que vir ou vai se extinguir. De um lado, as pessoas amam música. Do outro lado, tem um monte de marcas que querem apoiar ações para chegar nessas pessoas". A idéia é abrir possibilidades. No futuro, que haja obras abertas patrocinadas por alguma empresa. Mais isso, faz questão de ressaltar, viria para somar, coexistiria ao disco convencional e ao CD Zero, ao mp3 player e ao celular, ao videogame. Possibilidades. Esse parece ser som da vez. (NP)

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