Vida & Arte
REVOLUÇÃO DIGITAL
Acabou o CD?
A indúsria fonográfica está descobrindo novas formas de portabilidade da música pressionada pela onda de novidades tecnológicas e no comportamento dos consumidores
Natália Paiva
da Redação
16 Jun 2007 - 17h06min
Quando João era um adolescente - isso há uns 20 anos -, ele ficava no quarto imaginando formas de descobrir o que estava acontecendo no mundo. "Hoje, você tem a possibilidade de procurar música do seu quarto. Só percebe a grandiosidade disso quem na adolescência não teve", conta João Marcello Bôscoli, hoje dono da gravadora Trama. Leo Bigode, dono do selo independente Monstro Discos, lembra que há 20 anos dava um duro danado para importar revistas e gravar fitas cassetes. "Hoje é um hype atrás de outro, tudo movido pelo furacão internet". Carlos Affonso, professor da Fundação Getúlio Vargas e adepto do Creative Commons (veja página 4), lembra que há 20 anos a pessoa que comprava um LP queria simplesmente ter acesso ao disco e tocá-lo em sua vitrola. Simples assim. "Hoje, o usuário quer interagir, samplear, trabalhar com a música muito mais. Por isso, 'ouvinte' é um nome ruim. A questão não é só acesso, como a gente tinha há 20 anos. Hoje, os usuários estão se tornando novos artistas, através da interatividade e da colaboração". Myspace, Youtube, mp3, iTune, eMule, Orkut, mastertone... Admirável mundo (nem tão) novo, que traz ondas sonoras em rap ou em blues na rapidez de um "clique".
Revolução digital. É quase um lugar-comum usar, em 2007, expressão futurista dos anos 1980 e 1990. Mas é sobre a plataforma online que o mercado mundial de música passa, hoje, por transformações simplesmente inimagináveis 20 anos atrás. Uma das principais é o declínio do formato físico. Somente em 2005, pesquisa mais recente feita pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), a queda registrada nas vendas da indústria fonográfica brasileira foi de 12,9% em valores de reais e 20% em unidades vendidas. Para Paulo Rosa, presidente da ABPD, a saída da indústria fonográfica é disponibilizar cada vez mais repertório musical digital, com portabilidade, interoperabilidade e preço adequado. "Diversificar e investir no digital, tanto na internet como na telefonia móvel como alternativas de distribuição viáveis, mas sem esquecer os suportes físicos", afirma. Mesmo com as quedas, no Brasil, CDs, DVDs e outros suportes físicos ainda representam 98% do faturamento do mercado fonográfico. Isso porque a venda de música online ainda não deslanchou - ao contrário do download gratuito e ilegal, que só faz aumentar (ver quadro página 5).
O iMusica foi o primeiro site a trabalhar no Brasil com venda online de músicas, ainda em 2000. É a "velha-guarda da música digital", como brinca o dono Felipe Lerena. O iMusica, provedor de plataforma e conteúdo (white label) para MSN, Yahoo! e Som Livre, dentre outros, somente ano passado ganhou "concorrentes": o Sonora, do portal Terra, e o UOL. "Muito em breve esse modelo à la carte que a gente faz hoje (a pessoa escolhe e paga pelo álbum ou pela faixa) vai ser substituído por outros sistemas, como o de assinatura. Você vai poder consumir música sem perceber que está comprando. Ou vai ganhar música de um serviço, de um produto de marca. Existem diversas maneiras de você fazer consumo sem que as pessoas percebam". Lerena acredita que a entrada no mercado de mais dois sites especializados vai ajudar na formação de hábito. Além de vender músicas para internet e celular, o iMusica é agregador de conteúdo de música brasileira em sites internacionais e trabalha com o coolnex, um cartão pré-pago ("raspadinha do download") que vem com um código para ser digitado no site a fim de se ter acesso a um conteúdo específico.
Mas as cerca de 30 mil baixações por mês ainda fica muito aquém do que Lerena acha que poderia ser. "Talvez o mercado na internet nunca alavanque verdadeiramente, do jeito que a gente acha que o de celular vai ser. Porque o celular no Brasil tem uma penetração fantástica". A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) estima que 90% de todas as vendas digitais feitas no Brasil sejam destinadas para celulares, a maioria mastertone. De fato, se é para pensar em possibilidades de mercado, basta olhar os números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel): o total de celulares em abril de 2007 ultrapassa a marca de 100 milhões, enquanto os usuários de internet banda-larga do primeiro trimestre do ano somam pouco mais de seis milhões. "Em qual mercado você quer estar?", provoca Lerena.
Verbetes digitais
MP3- MPEG Layer 3 é o padrão de compactação de áudio que permite que as músicas fiquem com 1/10 do tamanho original sem uma degradação muito grande da qualidade. O mp3 é o padrão de arquivo de áudio na Internet.
iPhone - Aparelho criado pela Apple que promete integrar as funções de telefonia, navegação na internet, câmera, editor de fotos, tocador de música e exibidor de vídeo em um aparelho do tamanho de um celular comum. Começa a ser vendido, somente nos EUA, a partir do dia 29.
iTunes - Programa de computador desenvolvido pela Apple que reproduz e organiza arquivos de vídeo e de música. Por meio dele, é possível baixar arquivos do site iTunes Store, que comercializa faixas isoladas de CD por US$ 0,99, e transferi-los para o Ipod.
Revolução digital. É quase um lugar-comum usar, em 2007, expressão futurista dos anos 1980 e 1990. Mas é sobre a plataforma online que o mercado mundial de música passa, hoje, por transformações simplesmente inimagináveis 20 anos atrás. Uma das principais é o declínio do formato físico. Somente em 2005, pesquisa mais recente feita pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), a queda registrada nas vendas da indústria fonográfica brasileira foi de 12,9% em valores de reais e 20% em unidades vendidas. Para Paulo Rosa, presidente da ABPD, a saída da indústria fonográfica é disponibilizar cada vez mais repertório musical digital, com portabilidade, interoperabilidade e preço adequado. "Diversificar e investir no digital, tanto na internet como na telefonia móvel como alternativas de distribuição viáveis, mas sem esquecer os suportes físicos", afirma. Mesmo com as quedas, no Brasil, CDs, DVDs e outros suportes físicos ainda representam 98% do faturamento do mercado fonográfico. Isso porque a venda de música online ainda não deslanchou - ao contrário do download gratuito e ilegal, que só faz aumentar (ver quadro página 5).
O iMusica foi o primeiro site a trabalhar no Brasil com venda online de músicas, ainda em 2000. É a "velha-guarda da música digital", como brinca o dono Felipe Lerena. O iMusica, provedor de plataforma e conteúdo (white label) para MSN, Yahoo! e Som Livre, dentre outros, somente ano passado ganhou "concorrentes": o Sonora, do portal Terra, e o UOL. "Muito em breve esse modelo à la carte que a gente faz hoje (a pessoa escolhe e paga pelo álbum ou pela faixa) vai ser substituído por outros sistemas, como o de assinatura. Você vai poder consumir música sem perceber que está comprando. Ou vai ganhar música de um serviço, de um produto de marca. Existem diversas maneiras de você fazer consumo sem que as pessoas percebam". Lerena acredita que a entrada no mercado de mais dois sites especializados vai ajudar na formação de hábito. Além de vender músicas para internet e celular, o iMusica é agregador de conteúdo de música brasileira em sites internacionais e trabalha com o coolnex, um cartão pré-pago ("raspadinha do download") que vem com um código para ser digitado no site a fim de se ter acesso a um conteúdo específico.
Mas as cerca de 30 mil baixações por mês ainda fica muito aquém do que Lerena acha que poderia ser. "Talvez o mercado na internet nunca alavanque verdadeiramente, do jeito que a gente acha que o de celular vai ser. Porque o celular no Brasil tem uma penetração fantástica". A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) estima que 90% de todas as vendas digitais feitas no Brasil sejam destinadas para celulares, a maioria mastertone. De fato, se é para pensar em possibilidades de mercado, basta olhar os números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel): o total de celulares em abril de 2007 ultrapassa a marca de 100 milhões, enquanto os usuários de internet banda-larga do primeiro trimestre do ano somam pouco mais de seis milhões. "Em qual mercado você quer estar?", provoca Lerena.
Verbetes digitais
MP3- MPEG Layer 3 é o padrão de compactação de áudio que permite que as músicas fiquem com 1/10 do tamanho original sem uma degradação muito grande da qualidade. O mp3 é o padrão de arquivo de áudio na Internet.
iPhone - Aparelho criado pela Apple que promete integrar as funções de telefonia, navegação na internet, câmera, editor de fotos, tocador de música e exibidor de vídeo em um aparelho do tamanho de um celular comum. Começa a ser vendido, somente nos EUA, a partir do dia 29.
iTunes - Programa de computador desenvolvido pela Apple que reproduz e organiza arquivos de vídeo e de música. Por meio dele, é possível baixar arquivos do site iTunes Store, que comercializa faixas isoladas de CD por US$ 0,99, e transferi-los para o Ipod.
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