Rodrigo Rocha
da Redação
Dois dos maiores nomes do trance mundial apresentam-se hoje, na barraca Biruta. Os holandeses do G.M.S. e o paulista Wrecked Machines são as principais atrações da festa
15/06/2007 01:55

Música eletrônica e praia, praia e música eletrônica. Alguém duvida do poder desta combinação explosiva? É num cenário assim que acontece hoje, na barraca Biruta, a festa Spirit of Trance, que traz a Fortaleza dois dos maiores nomes do trance mundial: o duo holandês G.M.S. e o brasileiro Gabriel Serrasqueiro, ou simplesmente Gabe, responsável pelo projeto Wrecked Machines. Entre uma batida e outra, em mais de 12 horas de festa, animam também a pista os DJs locais Germano, Diego Grecchi, Neck e Edy MVS, além sets de electro e minimal.
Apontado como top 5 do trance e eleito um dos 100 melhores DJs do planeta pela revista DJ Mag, o DJ Gabe começou a carreira em 2000, quando trabalhava na Galeria Ouro Fino, em São Paulo, um dos templos da música eletrônica na época, e onde conheceu os artistas que faziam a cena local. Alguns meses depois, começou a produzir suas próprias faixas e foi convidado para lançar sua primeira música pelo selo italiano Magma Records. Daí, passou a integrar o casting do selo Etnicanet, produziu seu primeiro Live Act com o nome de Wrecked Machines e viajou por países como Japão, África do Sul, Alemanha, Israel, Portugal e México.
Em 2003, Gabe lançou seu primeiro disco, Blink, que o levou a ser considerado uma das grandes revelações do estilo. Ainda em 2003, assinou com a Spum Records e passou a colaborar com produtores como Domestic, Pixel, Antidote e Shanti. Seu segundo disco, Second Thought, foi lançado em 2005 e, um ano mais tarde, veio sua primeira compliação, Wreck Chords. Entre seus principais hits estão Trancespoting e Round n' Round. Agora, o cara se prepara para lançar um novo projeto, que sai do trance e vai para o minimal, além de estar em fase de criação de um mais um live, com o DJ Marcello Vor, chamado Velkro. "Esse projeto é voltado para o estilo minimal, e acho que em agosto já teremos ele pronto para mostrar ao público", diz ele, em entrevista por e-mail, na qual fala também do futuro do trance, da cena cearense e do sucesso dos DJs brasileiros no exterior.
O POVO - Cada vez mais nomes da música eletrônica brasileira vêm ganhando espaço no exterior, e grandes artistas internacionais têm se apresentado no Brasil. A que você acha que se deve esse intercâmbio? Qual o diferencial dos brasileiros para conseguirem isso?
Gabriel Serrasqueiro - Acho que esse intercâmbio se deve ao fato de o Brasil ser, no passado, muito "cru" em relação à música eletrônica, até pelas origens do País. Tivemos que "importar" o novo estilo musical, e com ele os artistas que o performavam. Com o passar do tempo, nós mostramos que sabemos fazer muito bem e, por isso, começamos a abrir um espaço no exterior. Acho que ainda temos muito o que mostrar, pois, apesar de já termos aberto esse espaço, ainda vejo muito mais estrageiros vindo para o Brasil do que brasileiros indo pra o exterior.
OP - Dente as inúmeras vertentes da e-music, o que te fez escolher o trance como estilo para seguir carreira?
Gabe - O trance me chamou atenção pela forma com que empolgava as pessoas numa pista de dança e a mim mesmo, além do fato de ser o estilo mais high tech da época. Eu gostava muito desde o início. Hoje, conhecendo novas tendências, aprendi sobre outros estilos e estou "abrindo o meu leque" de opções para novas vertentes da música eletrônica. Apesar de gostar muito do trance, sei que a música eletrônica é um mundo sem fim, cheio de diversidades e formas de trabalhar.
OP - Você é considerado um dos cinco maiores produtores de trance no mundo, e deve ser referência para muita gente que está começando. Em quem se inspirou para começar a tocar e quem são os grandes nomes da eletrônica atual?
Gabe - Me inspirei em todos os bons artistas que surgiam quando eu mesmo era freqüentador, antes de decidir ser produtor. Desses, poucos ainda perduram com a mesma qualidade, e por isso prefiro não citar nomes. Uma grande influência direta que tive foi G.M.S.
OP - Você já se apresentou no Ceará algumas vezes. Deu para conhecer o trabalho de algum DJ local? Como é a cena cearense em relação a do resto do Brasil?
Gabe - Minha agenda faz com que todas as minhas apresentações sejam muito próximas umas das outras. Ainda mais no Ceará, cujos vôos são bem complicados. Por isso, todas as vezes que eu fui, não tive tempo de ficar e aproveitar a festa, não tendo a chance de conhecer o trabalho dos artistas locais. Conheço o Chris DB e gosto muito de seu trabalho. Quanto à cena cearense, acho que está crescendo bastante e rápido, porém, ainda faltam alguns detalhes se comparada à cena paulista, por exemplo. É bem mais nova que a de São Paulo, e por isso ainda tem muita coisa a aprender. Até pelo público, que sinto ainda está aprendendo a gostar desse estilo de som... é complicado... o Nordeste tem muita ligação com as nossas raízes culturais.
OP - O electro vem ganhando cada vez mais espaço na cena internacional, e o trance não é uma das vertentes da e-music mais tocadas mundo afora, apesar de ter muita força no Brasil e em Israel. Como você vê o futuro do estilo?
Gabe - Acho que tudo no mundo tem começo, meio e fim. O quanto cada uma dessas fases dura, só depende de quem as maneja. Infelizmente, as pessoas (público, artistas e promotores) banalizaram muito a cena trance no Brasil e no mundo, por terem abrangido um universo de pessoas que nunca tinha ouvido música eletrônica e não sabia como lidar com essa fase nova que estava chegando. As pessoas que produzem, curtem e fazem festas de electro, house, minimal e progressivo têm outra cabeça... Vejo um futuro próximo de pouco trance e crescimento desses outros estilos. Mas eles também passarão um dia, e virão outros...
OP- Seu último disco, Wrecked Chords, é uma compilação, e foi lançado em 2006. O que você está preparando de novo? Quais seus próximos projetos?
Gabe - Meu mais novo projeto sai do trance e vai pro minimal. Estou em fase de criação de um novo live com o DJ Marcello Vor. Esse projeto é voltado para o estilo minimal, e acho que em agosto já teremos ele pronto para poder mostrar ao público. O live se chamará Velkro.
OP - As festas de música eletrônica procuram sempre lugares exóticos ou diferentes do usual. O lugar faz mesmo a diferença? Qual é o local ideal para se ouvir um trance?
Gabe - Com certeza, as pessoas estavam um pouco cansadas de baladas fechadas, fumaça, escuro etc. Acho que essa foi essa inclusive umas das razões que levou tantos leigos a gostarem do trance. Mas para mim, o lugar ideal para se ouvir trance ou qualquer outro tipo de música eletrônica é um local com bom equipamento de som e boa acústica. Sem isso, pode ser onde for e quem quer que esteja tocando, que o som fica ruim.
OP - No começo da música eletrônica no Brasil, muita gente fez sucesso misturando a música eletrônica à MPB. Agora, nomes como Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê caíram nas graças do público internacional mesclando rock e funk a batidas eletrônicas extremamente dançantes. O que você acha dessa mescla?
Gabe - Acho que dá pra misturar algumas coisas... eu mesmo o fiz, mas o original sempre era outra música eletrônica de vanguarda, como Depeche Mode, por exemplo. Até algumas falas de filmes ou músicas brasileiras de MPB. Mas daí, misturar funk já é demais...
SERVIÇO:
Spirit of Trance Hoje, a partir das 22h
Barraca Biruta - Praia do Futuro
Preço: R$ 30 (pista) e R$ 60 (camarote) - antecipados
Informações: (85) 8748-8558
Pontos de venda: Cantão (Iguatemi e Aldeota), Redley, Inc. Club (Iguatemi), Tent Beach (North Shopping) e Gráfica Digital Graphix
(!) SAIBA MAIS
www.wreckedmachines.com
www.growlingmadscientists.com/
VEJA MAIS
Vídeo do Wrecked Machines tocando Round n´Round em http://www.youtube.com/watch?v=ZGB6Rwalre4
TRANCE HOLANDÊS
Precursor do trance psicodélico, o duo holandês Growling Mad Scientists (G.M.S.) surgiu na cena eletrônica em meados dos anos 1990. É formado por Riktam (Shajahan Matkin) e Bansi (Josef Quinteros), que conheceram-se no colegial, em Amsterdã, aos 14 anos. De lá pra cá, os garotos driblaram a censura dos clubes europeus para surpreender o público com seus sets. Lançaram o primeiro álbum, Chaos Laboratory, em 1997, e caíram nas graças dos amantes da e-music. Hoje, com mais de 150 faixas produzidas, 200 mil discos vendidos e participação na trilha sonora de Chamas da Vingança - Man on Fire, de 2004, com Denzel Washington -, a dlupa viaja o mundo com seu trance e é considerada pela crítica como o melhor live act da atualidade.
DIVERSÃO E CONFORTO
Cada vez mais incrementadas, as festas de música eletrônica têm na estrutura uma atração à parte. Na Spirit of Trance, a decoração fica por conta do argentino Marco Pereya, com direito a iluminação computadorizada e um lounge para descansar as pernas. A festa será equipada com praça de alimentação, UTI Móvel e enfermaria, afinal, são mais de 12 horas de música. Para quem deseja ainda um pouco mais de conforto, a opção é o Camarote VIP Burn, que dá direito a duas águas, quatro doses de vodka ou de whisky ou seis cervejas, além de acesso ao front stage.
LINE UP
22h - Germano (Electro Set)
23h - Jackpot Duo (Minimal + Electro)
1h - Riktam DJ Set (G.M.S.)
2h - Bansi DJ Set (G.M.S.)
3h - Gabe (DJ Set)
4h - G.M.S - Live
5h30 - Wrecked Machines
7h - Diego Grecchi (CE)
8h30 - Neck (Nu Act - CE)
10h - Edy MVS (CE)
DICIONÁRIO
Electro - Nascido no início dos anos 80, da fusão do groove negro com a e-music européia. Vem ganhando cada vez mais adeptos nesta década, e pode ser apontado como o estilo do futuro.
Live Act ou Live P.A. - Show ou apresentação ao vivo de um artista ou grupo. P.A. quer dizer public appearance, ou aparição em público.
Minimal - Tipo de música que tem poucos sons e ritmos repetitivos, sem paradas
Trance - Surgiu na década de 90, na Alemanha. Suas batidas são regulares como a do techno, repetitivas, e os timbres mais agudos. Uma das características é a progressão do ritmo, ou seja, quando a velocidade das batidas vai aumentando gradualmente até atingir o ápice, para em seguida recomeçar.