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Valsa rodrigueana

O projeto palco Giratório, do Sesc, traz Valsa Nº6, de Nelson Rodrigues, em mini-temporada no Ceará. Fortaleza, Sobral, Iguatu e Crato serão palco para o espetáculo produzido pelo grupo Teatro do Pequeno Gesto, do Rio de Janeiro

Guilherme Cavalcante
Especial para O POVO

13 Jun 2007 - 01h32min

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Grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto faz a montagem do espetáculo Valsa Nº 6 escrita por Nelson Rodrigues, em 1951 (Divulgação)
Sônia tem 15 anos e vaga como um ectoplasma entre um quebra-cabeça de memórias, tentando reconstruir seu passado por entre picos de delírio e lucidez. Ao fundo, a melodia da uma história que atravessa desde o psicologismo ao existencialismo característico das personagens de Nelson Rodrigues e que vem aos palcos cearenses através do grupo Teatro do Pequeno Gesto, do Rio de Janeiro, por meio do projeto Palco Giratório, do Sesc. Hoje é a vez de Fortaleza, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz, a partir das 20h. Dias 15, 16 e 18, Sobral, Iguatu e Crato são contemplados com a peça de Nelson Rodrigues.

Essa será a segunda montagem de pelo grupo carioca Teatro do Pequeno Gesto, que existe há 15 anos. A primeira foi em 1993 e esta retomada da Valsa tem o sabor especial do ineditismo: o texto foi reformulado e o diretor, Antônio Guedes, introduziu técnicas novas. A renovação no espetáculo foi grande e quem vive Sônia é a atriz Mariana Oliveira, da mesma Cia. A retomada do texto de Nelson não foi por acaso. "Do ano passado pra cá estamos priorizando a dramaturgia contemporânea. Estamos retomando o trabalho sobre a Valsa Nº6, revisitando o texto. Há muito tempo que ela saiu do nosso repertório e, no fim das contas, pelas mudanças, temos um espetáculo inédito", explica o diretor.
Guedes conta que há uma consonância entre o atuar do Teatro do Pequeno Gesto e as obras de Nelson Rodrigues. No caso de Valsa Nº6, as semelhanças são enormes. "Trabalhamos com o mesmo conceito, de que a personagem não existe e de que ela circula entre viver e morrer. Vejo o espetáculo como uma tentativa da personagem de apresentar o personagem. Ela, inclusive, fala as rubricas da peça", explica Guedes. O grupo, a propósito, prioriza até hoje a montagem de textos importantes da dramaturgia mundial, como Pirandello, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos e Fernando Pessoa, que já foram contemplados diversas vezes com montagens de espetáculos.

Nesta segunda montagem, o cenário á assinado por Doris Rollemberg. O figurino é de Mauro Leite e a Iluminação é de Binho Schafer. A música foi melhorada e é executada pela compositora Paula Leal, fazendo parte da nova concepção do roteiro. Assim como na primeira montagem, em 1951, por Henriette Morineau, havia a idéia de que é fundamental mostrar que a personagem não existe. Isso continua com a direção de Antônio Guedes. "Havia a leitura de que o personagem está ali para se revelar enquanto possibilidade, e não de fato. É uma estrutura de brota uma história", explica.

A integração da no percurso de comemoração dos dez anos do projeto Palco Giratório veio a convite do Sesc nacional. Antes, em 1999, o grupo já percorrera Crato, Juazeiro do Norte e Fortaleza com o espetáculo A serpente, também de Nelson. Em 2003, percorreram o Sul do país com Medeia, de Eurípedes. Guedes destaca a importância da atuação do projeto no Brasil. "O palco Giratório é um dos projetos mais importantes das artes cênicas do por ele ter uma abrangência nacional. Ao longo desses dez anos eu vi um crescimento do alcance dele, que aumentou bastante. É um projeto fundamental diante do tamanho do Brasil para promover o teatro", finaliza o diretor.


SERVIÇO

Espetáculo Valsa Nº6, com o grupo Teatro do Pequeno Gesto (RJ). Hoje, terça-feira (13), às 20h, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz (av. Duque de Caxias, 1701 - Centro). Os ingressos custam R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Depois de Fortaleza, o espetáculo ruma a Sobral, Iguatu e Crato, nos dias 15, 16 e 18, respectivamente. Mais informações: (85) 3452 9066.


SAIBA MAIS
Valsa Nº 6 foi escrita pelo dramaturgo pernambucano radicado no Rio de Janeiro Nelson Rodrigues em 1951, tendo sido a décima peça do autor. É um monólogo que apresenta Sônia, uma jovem que foi assassinada aos quinze anos e é intimamente relacionada ao teatro moderno, inaugurado pelo próprio Rodrigues. Ele, inclusive, escreveu o espetáculo em virtude da estréia da irmã, Dulce Rodrigues, como atriz. Para tanto, quis unir a sagacidade do roteiro com uma cenografia barata. Dirigida por Henriette Morineau, a peça permaneceu apenas quatro meses em cartaz e não caiu no gosto do público. Mas a crítica elogiou bastante o texto de Nelson, classificando-o como alguém de vanguarda e a frente do seu tempo.

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